<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669</id><updated>2012-01-31T04:56:59.820-03:00</updated><category term='Música'/><category term='Televisão'/><category term='Cultura'/><category term='Internet'/><category term='Cinema'/><category term='Literatura'/><title type='text'>Marielson Carvalho</title><subtitle type='html'>Literatura, Cultura, Música, Cinema, Internet e Televisão</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>62</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-5624288690694017068</id><published>2012-01-24T21:30:00.007-03:00</published><updated>2012-01-26T00:24:35.990-03:00</updated><title type='text'>Rota do Açúcar - Pernambuco - Última Jornada</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-wRA1zAv_fDE/TyDHGT9nDGI/AAAAAAAAAsI/zhbacrWM3bw/s1600/DSCF1070.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-wRA1zAv_fDE/TyDHGT9nDGI/AAAAAAAAAsI/zhbacrWM3bw/s320/DSCF1070.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5701776039502875746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span &gt;Engenho Massangana - Vista Geral &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NZH5m5IRViA/TyDGuouLYHI/AAAAAAAAAr8/0pQ_q7MIUHQ/s1600/DSCF1064.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-NZH5m5IRViA/TyDGuouLYHI/AAAAAAAAAr8/0pQ_q7MIUHQ/s320/DSCF1064.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5701775632758431858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span &gt;Engenho Massangana - Capela de São Mateus &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-78LmPM9otLU/TyDGdIQvrTI/AAAAAAAAArw/wVJCXUeuFPc/s1600/DSCF1052.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 180px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-78LmPM9otLU/TyDGdIQvrTI/AAAAAAAAArw/wVJCXUeuFPc/s320/DSCF1052.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5701775331987270962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span &gt;Engenho Massangana - Casa-Grande&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pé na estrada para a última jornada da Rota do Açúcar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em janeiro de 2011, programei viajar para Alagoas, Pernambuco e Paraíba, a fim de fazer os engenhos desses três estados, mas refiz o roteiro e só visitei as cidades dos dois primeiros Estados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As cidades da Paraíba, onde estão localizados os engenhos, ficam numa região mais afastada dos engenhos de Pernambuco, por isso decidi naquela época só visitar João Pessoa para reencontrar amigos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só voltaria à Paraíba em 2012 para conhecer os engenhos de Sapé, Areia, Pilar e Alagoa Grande. E assim o fiz, desta vez acompanhado de Márcio, como co-piloto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saímos dia 27, com parada em Maceió por uma noite. Na tarde seguinte, seguimos para Recife, onde ficamos por dois dias, mas antes de chegarmos à cidade, passamos pelo Engenho Massangana, onde Joaquim Nabuco morou parte de sua infância. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi uma visita não-programada, porque minha intenção era só os engenhos da Paraíba. Ano passado, o Massangana estava na lista, mas como estava fechado para reforma, decidi não explorá-lo no documentário, pois decidi só filmar aqueles que eu visitasse ou que poderia visitar durante a pré-produção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para a confecção do roteiro, eu preciso ver o engenho. Em se tratando de um filme "on the road", é possível que outros engenhos não-listados entrem no projeto, decorrentes mesmos de indicações ou sugestões de pessoas dessas comunidades ou de pesquisadores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fomos recebidos no Engenho Massangana pelo responsável ao atendimento de visitantes, o muito educado e bem-informado Alexandre Souza, morador da comunidade ao lado do engenho, e próximo ao Porto de Suape, o maior complexo portuário do Estado e do Nordeste, na cidade de Cabo de Santo Agostinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O complexo arquitetônico do engenho é composto de casa-grande e capela, como as construções mais antigas da área. Não vestígios da moita e da senzala, nem do cemitério que Joaquim Nabuco cita em seu livro de memórias "Minha Formação".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Visitamos todos os cômodos da casa-grande, que comparados aos outros visitados em Pernambuco ano passado parece ser menos portentoso, mas que segue um padrão estrutural dessas habitações da Zona da Mata pernambucana norte ou sul. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A riqueza do senhor de engenho e família poderia ser vislumbrada boa parte no interior delas, com suas louças importadas ou móveis de madeiras nobres.  No Massangana, somente uma mesa de ferro foi preservada. O restante dos móveis foi de doações de colecionadores ou comprados pela Fundação Joaquim Nabuco, do Governo Federal, para reconstituir a ambiência senhorial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cenas do filme "Menino de Engenho" (1965), de Walter Lima Jr., baseado na obra homônima de José Lins do Rego, foram gravadas no Massangana, e a moeda que compunha o cenário do filme "Abril Despedaçado", foi doada por Walter Salles ao museu.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A visita poderia durar mais do que os 40 minutos imersos na memória visual de Joaquim Nabuco sobre o engenho, materializada em seus escritos e reproduzidos em cada parte do lugar ainda possível de identificar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Joaquim Nabuco foi um dos maiores pensadores sociais e críticos contra a escravidão no Brasil. Palmilhou com sua verve entre o ensaio e a prosa literária um ideal de liberdade que, mesmo depois de ter sido alcançada pelos escravos, ainda assim não correspondeu à seu anseio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É emblemático o texto "A Escravidão", escrito em 1870, aos 21 anos, quando era estudante de Direito em Recife. Não tão conhecido quanto "O Abolicionismo" e "Minha Formação", talvez porque não foi publicado em vida, este ensaio foi concebido para ter três partes: "O Crime", A História do Crime" e a "Reparação do Crime". Somente as duas primeiras foram concluídas. A terceira nem chegou a ser iniciada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais de um século depois, estamos discutindo algo tão óbvio o que Nabuco almejava com uma antecipação e segurança ideológica ímpar: a reparação pelo crime da escravidão que massacrou africanos e afro-brasileiros, e que ainda paira no cotidiano e no privado de nossas relações sociais atuais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-5624288690694017068?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/5624288690694017068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=5624288690694017068' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5624288690694017068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5624288690694017068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2012/01/rota-do-acucar-pernambuco-ultima.html' title='Rota do Açúcar - Pernambuco - Última Jornada'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-wRA1zAv_fDE/TyDHGT9nDGI/AAAAAAAAAsI/zhbacrWM3bw/s72-c/DSCF1070.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-1265369647193992363</id><published>2011-10-22T21:08:00.006-03:00</published><updated>2011-10-23T16:17:55.035-03:00</updated><title type='text'>Ser-tão Baiano</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4TnSprjzPr4/TqNbyM-rDUI/AAAAAAAAArM/wO6nV7RCXqA/s1600/ser-tc3a3o-baiano-o-lugar-da-sertanidade-na-configurac3a7c3a3o-da-identidade-baiana1.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 214px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-4TnSprjzPr4/TqNbyM-rDUI/AAAAAAAAArM/wO6nV7RCXqA/s320/ser-tc3a3o-baiano-o-lugar-da-sertanidade-na-configurac3a7c3a3o-da-identidade-baiana1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666473674197896514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;“Ser-tão baiano:&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;o lugar da sertanidade na configuração da identidade baiana” (EDUFBA, 2011), de Cláudia Pereira Vasconcelos, é um estudo primoroso e envolvente sobre a baianidade, ou como o próprio título indica, sobre uma sertanidade baiana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Tive acesso a seu texto no I Simpósio Internacional de Baianaidade (SINBaianidade), ocorrido neste mês em Seabra,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Campus XXIII-UNEB, &lt;span&gt; &lt;/span&gt;e tão logo o adquiri saí do mar caymmiano, uma das imagens mais influentes de uma “baianidade essencial”, para o sertão. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A começar pelas referências teóricas e temáticas, o texto de Cláudia Vasconcelos dialoga com o meu em “Acontece que eu sou baiano: identidade e memória cultural no cancioneiro de Dorival Caymmi” (EDUNEB, 2009).&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Trilhamos percursos diferentes, tanto pessoais quanto acadêmicos, mas desaguamos na mesma seara. Ela, de origem baiano-sertaneja, interessada no não-lugar do sertão no discurso da baianidade; eu, de origem baiano-soteropolitana, preocupado com a centralidade desse discurso na identificação dos baianos a partir de Salvador. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ao escolher Dorival Caymmi para discutir essa baianidade centralizadora, inclusive contradizendo o papel dado a ele como um dos responsáveis por esta identidade, o fiz porque ao mesmo tempo me sentia confortável e incomodado, sem com isso, é claro, sofrer crises de identidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Cláudia Vasconcelos não trabalhou especificamente um personagem, mas ao fazer um percurso pelos variados elementos simbólicos que foram inventados e construídos da baianidade, cita Dorival Caymmi. E é impossível não fugir dele, mesmo que se imagine o contrário, porque a sua persona, assim como sua obra, são indissociáveis  da própria “ideia de Bahia”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não é somente esse ponto que me interessa em seu texto, mas também a sua discussão sobre as linhas de tensão que muitos baianocêntricos tentam ofuscar ou ocultar por detrás de uma suposta baianidade harmoniosa. Conflitos sociais, culturais, raciais pululam desta máscara que nos forçam a contemplar como a verdade de nós mesmos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Escrito com uma linguagem fluida e pontual, a autora articula experiências intra e extramuros universitários para nos dar conta de sua inquietação acerca do tema. O seu percurso teórico-analítico começa com a própria “ideia de sertão” na constituição da brasilidade, recortando os conceitos do nacional, para o regional até chegar ao local, e os inverte em seguida para entender (e nós também) esse ir e vir das ideologias constitutivas sobre a identidade baiana.&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Essa narrativa nos dá a compreensão dos vetores discursivos que fazem parte dessa trama, tecida e alinhavada, da invenção das identidades relativas às sociedades. Transitando com competência nas teorias de Hommi Bhabha, Stuart Hall e Pierre Bordieu, além de estudiosos brasileiros, como Milton Moura, Durval Muniz de Albuquerque Jr e Nísia Trindade Lima, a autora nos refina essas abordagens para nos levar a uma conclusão possível: a de que a sertanidade não tem espaço no texto da baianidade, devido ao discurso de poder reiteradamente impositivo e invasivo durante a construção desse território simbólico e geográfico chamado Bahia, a partir de Salvador e do Recôncavo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E há uma saída para esta hegemonia? Se a profecia de Conselheiro de que “o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão” acontecesse como possibilidade de releitura da baianidade e assim deslocasse o centro de sua irradiação, a sertanidade não seria também questionada como centralizadora? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em 2005, publiquei um ensaio sobre a representação da “ideia de sertão” que Euclides da Cunha criou em “Os Sertões”, e que posteriormente viraria uma sentença identitária do “ser nordestino”, &lt;span&gt; &lt;/span&gt;quando esta região, &lt;span&gt; &lt;/span&gt;anteriormente conhecida com Norte, passou a ser Nordeste. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A máxima euclidiana de que “o sertanejo é antes de tudo um forte” é voz corrente até hoje, mas a reveberação desta imagem está incompleta, porque, assim como os baionocêntricos desviam o nosso olhar para uma simetria comportamental, “a invenção do falo”, estudada por Durval Muniz Albuquerque Jr, mostra um sertanejo/nordestino cabra-macho, esquecendo a figura quase franksteiniana que Euclides descreve em seguida àquela frase inicial: “é um Hércules-Quasímodo” (o ensaio, por sinal, intitula-se “Hércules-Quasímodo: que sertanejo é este?”). &lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E se tomarmos o espaço do Nordeste como foco, ele mesmo é uma aberração geopolítica, que por duas vezes, no decorrer de sua configuração no século XXI, inseriu e excluiu a Bahia de seu território pela evidente constatação de que ela não correspondia a uma nordestinidade perfeita. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A SUDENE assume a Bahia como nordestina, porque o “discurso da seca” a identifica como o Estado como a maior área de semi-árido da região. O que é um paradoxo, haja vista o norte de Minas Gerais ter sido área de atuação do órgão e nem por isso o mineiro de lá se vê como nordestino. Até porque a mineiridade é tão forte que empata em termos de concentração imagética e discursiva com a baianidade e outras idiossincrasias regionais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pensando na estruturação desses conceitos sobre Bahia e Nordeste, escrevi em 2010, para a edição comemorativa da Revista Nordeste, editada em João Pessoa, um artigo intitulado “Nordestinidade baiana”, no qual pontuo a dupla face de um baiano nordestino ou &lt;span&gt; &lt;/span&gt;nordestino baiano, ou seja, como ele se vê ancorado a essas duas leituras de região: ora a Bahia como maior do que o Nordeste, devido à sua diferença cultural em relação aos outros Estados, comumente marcados pela unidade tendo Recife como centro; ora o Nordeste como maior do que a Bahia, na medida em que a ele está anexado por convenção geopolítica e, consequentemente, a todas as suas características sócio-econômicas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Cláudia Vasconcelos flerta com isso tudo, demonstrando assim, competência na discussão do tema a que se propõe refletir. Foi providencial a descoberta de seu texto no SINBaianidade, porque deu ao meu um outro prisma de reflexão. A mesa da qual fez parte, “Quem cabe na baianidade?”, foi uma das mais concorridas, suponho eu, devido à própria provocação que a pergunta encerra. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nesta baianidade, cabe, sim, Cláudia, o sertão. Aliás, foi em Seabra, sertão, Chapada Diamantina, centro geográfico da Bahia, para onde convergiram todas as Bahias, principalmente aquela do Recôncavo de Roberto Mendes e de Mateus Aleluia. Para que esta “inserção” aconteça, é preciso que os bons ventos de sua fala continuem levando para longe a cortina de poeira do essencialismo cultural.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A proposta é realizar a segunda edição do SINBaianidade, em Irecê, outra cidade sertaneja. Para mim, simbolicamente será uma coincidência especial, pois lembra Caymmi em duas passagens de sua biografia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Uma, &lt;span&gt; &lt;/span&gt;remonta à sua tenra idade. Segundo sua neta e biógrafa, Stella Caymmi, o primeiro exercício de composição dele não tinha o mar ou Salvador como tema, embora evidentemente essa paisagem praieira fosse constante em seu cotidiano, mas foi o sertão. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Intitulada no “No Sertão”, o adolescente Dorival Caymmi, em 1930, com 16 anos, cantava&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;“Lá no sertão nasce a vida e a alegria no coração / (...) Nosso amor nasceu pelo São João, / Na roda brejeira, na fogueira ao soluçar do violão.” &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O próprio Caymmi revelou que era uma letra cheia de lugares-comuns, bem no estilo modinheiro. Mesmo que tenha sido uma “brincadeirinha”, talvez inspirada em Catulo da Paixão Cearense e outras toadas de sua época, Caymmi não deixa de se interessar por outras referências culturais. Aliás, em seu acervo, disponibilizado na Fundação Tom Jobim, é possível encontrar o início de outra partitura com o título “Vou embora pro sertão”.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E Caymmi quase foi para o sertão mesmo. Esta é a segunda passagem de sua biografia a que me refiri. Como emprego estava difícil em Salvador para o jovem Caymmi, ele tentou, em 1935, aprovação em concurso público estadual para uma vaga de coletor de impostos em Irecê. Ficou em segundo lugar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Enquanto aguardava ser convocado, caso o primeiro lugar desistisse, Caymmi ganhava dinheiro vendendo bebidas de porta em porta. Cansou-se de carregar mostruário pesado e de esperar sair no Diário Oficial sua convocação. Pegou seu violão e foi para o Rio de Janeiro em 1938. E foi lá, terra da Rádio Nacional, que ele bombou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Já imaginou um Caymmi cantor e compositor de modinhas ou toadas sertanejas, o ambiente marinho trocado pela caatinga e, em vez de “O que é que a baiana tem?”, “O que é que a sertaneja tem?”. Se Irecê, segundo o próprio relato de Cláudia Vasconcelos, quando lá participou de um projeto social voltado para a agricultura, foi uma experiência especial em sua trajetória, porque não poderia ocorrer o mesmo com Caymmi?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;É, mas o destino fez com que a sua estrada não fosse de terra batida, mas a das ondas verdes do mar de Yemanjá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Parabéns, Cláudia pelo trabalho. Interessado que sou também pelo sertão, já estive envolvido com os estudos conselheiristas e euclidianos, esse seu estudo vem complementar minhas pesquisas sobre a baianidade. E para ficar. &lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-1265369647193992363?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/1265369647193992363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=1265369647193992363' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/1265369647193992363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/1265369647193992363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/10/ser-tao-baiano.html' title='Ser-tão Baiano'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4TnSprjzPr4/TqNbyM-rDUI/AAAAAAAAArM/wO6nV7RCXqA/s72-c/ser-tc3a3o-baiano-o-lugar-da-sertanidade-na-configurac3a7c3a3o-da-identidade-baiana1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-6634768915979123459</id><published>2011-10-16T23:16:00.002-03:00</published><updated>2011-10-17T00:36:01.703-03:00</updated><title type='text'>I Simpósio Internacional de Baianidade</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-aNJytejRD6g/Tpuijz_DVNI/AAAAAAAAArA/UPYn_G3c0vw/s1600/logo%2B%25281%2529.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 265px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-aNJytejRD6g/Tpuijz_DVNI/AAAAAAAAArA/UPYn_G3c0vw/s320/logo%2B%25281%2529.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664299692482319570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;A UNEB, por meio de seus Departamentos, especialmente DCHT-Campus XXIII, que sediou o I SINBaianidade, potencializa a sua conformação de ser uma Universidade imprescindível para a Educação Superior no Estado, a partir de projetos científico-acadêmicos pontuais de afirmação institucional. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Presente na maioria das regiões da Bahia, a UNEB não tem como órgão suplementar um fórum de pesquisa e extensão multidisciplinar voltado para o debate sobre as identidades baianas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com o SINBaianidade, idealizado pelo professor, pesquisador de Jorge Amado e diretor do Campus XXIII, Gildeci Leite, deu mostras reais e concretas de que é possível congregar artistas, intelectuais, comunidades culturais e religiosas, saberes e pensamentos orais e letrados para dialogar sobre nossas experiências e vivências baianas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A programação do evento teve palestras de Muniz Sodré, João Jorge (Olodum), Júlio Braga, Antônio Torres, Capinan;  exibição de filmes, como "Jardim das Folhas Sagradas", de Pola Ribeiro, e "Bahêa, minha vida", de Márcio Cavalcante; shows de Mateus Aleluia, Xangai, Roberto Mendes, além de debates com professores, pesquisadores, estudantes em diversas mesas-redondas nos quatro dias de evento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Fui convidado para participar da mesa "Claves e Acordes da Baianidade", ao lado do &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 22px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;Prof. Dr. Armando Alexandre Castro (UFBA), "&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 22px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;em&gt;Axé music e baianidade";  &lt;/em&gt;do P&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 22px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;rof. Ms. Carlos Barros, "&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 22px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;em&gt;As baianidades em Daniela Mercury e Ivete Sangalo: construções a partir das representações coletivas dos públicos do artista"; &lt;/em&gt;do &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 22px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;Prof. Ms. Clebemilton Nascimento (UNEB), "&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 22px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;em&gt;Outras baianidades: representações de gênero e outros marcadores sociais da diferença nas letras dos pagodes baianos", &lt;/em&gt;e de &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 22px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;César Rasec (Mestre em Cultura, jornalista e pesquisador musical), "&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 22px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;em&gt;Do trio elétrico à Axé Music: um novo olhar sobre a baianidade".&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 22px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;Debatemos com muitos momentos de calorosa intervenção do público sobre o valor acadêmico de nossas pesquisas, o que tem demonstrado que a baianidade musical  é um dos pontos mais controvertidos dessa ideia de Bahia, até porque a música produzida aqui é mais popular do que a literatura e por isso a sua visibilidade é espontânea, vide os atores que a dinamizam e a força empresarial e mercadológica que a caracteriza.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;O resultado deste evento, no qual a voz corrente era de que a iniciativa foi exemplar para as outras Universidades, não poderia ser outro: positivo. Embora ainda carente de estrutura maior para congregar o público com conforto, o esforço de todos da Comissão Organizadora para suprir essas lacunas deu o tom da exequibilidade de realização fora de Salvador de um evento sobre a sua hegemonia cultural na Bahia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;Deslocamos de um centro para outro (Seabra é o centro geográfico do Estado) as várias Bahias.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;Esperamos que a próxima edição seja mais abrangente, desta vez, com o Núcleo de Estudos da Baianidade da UNEB criado para consolidar mais ainda nossos objetivos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 22px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-6634768915979123459?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/6634768915979123459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=6634768915979123459' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6634768915979123459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6634768915979123459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/10/i-simposio-internacional-de-baianidade.html' title='I Simpósio Internacional de Baianidade'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-aNJytejRD6g/Tpuijz_DVNI/AAAAAAAAArA/UPYn_G3c0vw/s72-c/logo%2B%25281%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-2084628394022222491</id><published>2011-10-01T21:31:00.008-03:00</published><updated>2011-10-01T23:56:09.182-03:00</updated><title type='text'>João do Rio, um flâneur carioca</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-dZx52r4z9t4/ToexpoUID8I/AAAAAAAAAq4/PMlzJRmWNKU/s1600/joc3a3o_do_rio_.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 210px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-dZx52r4z9t4/ToexpoUID8I/AAAAAAAAAq4/PMlzJRmWNKU/s320/joc3a3o_do_rio_.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5658686785568903106" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;João do Rio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;table border="0" width="570" cellpadding="0" cellspacing="0"&gt;&lt;/table&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;João Paulo Emilio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto (1881-1921), nasceu antes do Rio de Janeiro tornar-se Capital Federal, nos "buliçosos" anos que fecharam o Império de D. Pedro II. Passou a ser conhecido por João do Rio nos anos da República, quando a imitação européia de viver, comer, beber, se vestir, além de fazer arte, influenciou as mentes da elite social e cultural brasileira, especialmente a carioca.&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;A leitura que João do Rio fez deste vanguardismo estético na literatura resultou uma obra "aclimatada" ao gosto nacional bastante singular entre os escritores de sua geração. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;A começar pelo próprio perfil tanto literário quanto pessoal dele, talvez incomum numa sociedade letrada avessa a rasgos de ousadia artística e de comportamento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Mulato, homossexual e gordo, isto não era impeditivo para João do Rio se esconder. Fino, inteligente e simpático, conquistou o público elitizado e popular com sua lavra bem desenhada e irônica ao traçar um Rio de Janeiro atrás do cartão postal de cidade com pretensões de ser a Paris dos trópicos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Ele saía às ruas, com sua performance de flâneur, tal qual Baudelaire, e vestido em trajes bem cortados e caros, tal qual Oscar Wilde, para captar a "belle époque" carioca de todos os ângulos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;"A alma encantadora das ruas" é um livro de crônicas, cuja leitura é imprescindível para conhecermos este período no qual a literatura, pensando aqui no livro de Nicolau Sevcenko, era vista como missão, na medida em que os escritores assumiam um papel de intérprete do Brasil em fase de (re)definição identitária, com tantos problemas sociais e políticos pós-Abolição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras e levou para a Casa de Machado de Assis o que nas torres de marfim era visto como "mundano". Falar de personagens que não estavam nos romances tradicionais foi inclusive uma forma de ascensão de um gênero textual pouco estudado e aceito pela crítica literária de então, mas que durante o século XX verá o aumento de leitores e o surgimento de cronistas exemplares, como Rubem Braga, Carlos Drummond de Araújo, Inácio de Loyola Brandão, Luis Fernando Veríssimo, João Ubaldo Ribeiro... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;João do Rio em HQ será o máximo da divulgação em círculos de leitores pouco interessados em autores antigos, devido talvez a linguagem ou temas passadistas. Com o visual do &lt;i&gt;graphic novel&lt;/i&gt;, tão presente hoje na editoração de obras literárias, o leitor universitário, aquele com quem tenho mais proximidade, passará a vê-lo com mais interesse, até porque serão formadores de outros tantos como professores de Literatura nas escolas e disto não podem prescindir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;João do Rio é finura de personalidade e de estilo, sem discriminar a patuléia e os "marginais" do Rio de Janeiro, um microcosmo do Brasil urbano do início do século XX. O funeral do escritor que morreu jovem, aos 40 anos, de ataque cardíaco, foi um dos mais concorridos da cidade, só visto igual no de Getúlio Vargas e Carmen Miranda. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi ovacionado pela rua que tanto celebrou.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;table border="0" width="570" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td align="RIGHT"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;São Paulo, sábado, 01 de outubro de 2011&lt;/span&gt; &lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/images/ilustrad.gif" hspace="10" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table width="600" cellpadding="0" cellspacing="0" style="text-align: justify;font-size: medium; "&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="100"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td align="right"&gt;&lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/images/ilubar.gif" width="500" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;table width="500" style="text-align: justify;font-size: medium; "&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="100"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="400"&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0110201108.htm"&gt;Texto Anterior&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0110201110.htm"&gt;Próximo Texto&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/inde01102011.htm"&gt;Índice&lt;/a&gt; | &lt;a href="http://tools.folha.com.br/feedback?url=referrer"&gt;Comunicar Erros&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;ROCK IN RIO? NÃO, JOÃO DO RIO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Allan Sieber e Allan Rabelo produzem livros em que adaptam para HQ a obra do cronista, autor de "A Alma Encantadora das Ruas"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table width="320"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;span&gt;Allan Sieber e Allan Rabelo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/images/i0110201101.jpg" border="0" /&gt;&lt;/td&gt;&lt;td valign="bottom"&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;span&gt;&lt;i&gt;Acima, em adaptação de Allan Sieber para o conto "Pequenas Profissões", marinheiro é enganado no porto por ambulante&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;ROBERTO KAZ&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;DE SÃO PAULO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É 1916. João do Rio bebe vinho, em um camarim, ao lado da dançarina americana Isadora Duncan (1877-1927).&lt;br /&gt;Ela começa a se despir, após uma apresentação no Theatro Municipal do Rio, mas é prontamente interrompida por ele: "Querida, por favor, não perca o decoro. Troque-se atrás do biombo."&lt;br /&gt;Ela brinca -"Já viste mais que isso, João"-, relembrando o banho que tomara, nua, em uma cachoeira da Tijuca. "Parece ter gostado."&lt;br /&gt;"Puro prazer estético", responde João do Rio.&lt;br /&gt;A cena, desenhada por Allan Rabelo, faz parte do projeto de adaptação das obras do cronista João do Rio (1881-1921) para as HQs.&lt;br /&gt;Há duas em andamento: a de Rabelo (com roteiro de S. Lobo para a editora Barba Negra) e a do cartunista Allan Sieber (para a Desiderata).&lt;br /&gt;O trabalho de Rabelo e S. Lobo deve ficar pronto em 2013. Por ora, eles estão adaptando "A Alma Encantadora das Ruas", coletânea das crônicas publicadas por João do Rio no jornal "A Gazeta de Notícias" e na revista "Kosmos", entre 1904 e 1907.&lt;br /&gt;Os dois, que já trabalharam na adaptação "Irmãos Grimm em Quadrinhos" (Desiderata), tomaram a liberdade de criar personagens, como Massarelo Lopes, imigrante que dá golpes baratos, faz michê e tem um caso com João.&lt;br /&gt;Se ativeram, no entanto, à linguagem da época. Assim, falam do suposto "flirt" (flerte) do cronista com Isadora Duncan, quando ela esteve no Rio em 1916.&lt;br /&gt;As crônicas de João do Rio retratavam, com afeto, um submundo de personagens marginais que compunham a fauna urbana carioca no começo do século 20.&lt;br /&gt;Eram ciganos, prostitutas, tatuadores, marinheiros e vigaristas que esfolavam gatos mortos para vendê-los, aos restaurantes, como lebres (daí a expressão "comprou gato por lebre").&lt;br /&gt;João do Rio, ele mesmo, não representava os padrões vigentes: andava de fraque verde, era gordo (tinha hipotireoidismo) e homossexual.&lt;br /&gt;Segundo João Carlos Rodrigues, autor de "João do Rio - Vida, Paixão e Obra" (Civilização Brasileira), a faceta "maldita" das crônicas refletia um lado também maldito do autor. "Ele era um dândi, que frequentava a alta sociedade mas era contra ela."&lt;br /&gt;Essa postura irônica foi uma das razões que motivaram o cartunista Allan Sieber a também fazer uma adaptação, a ser lançada em 2012.&lt;br /&gt;"No começo, sugeriram 'O Triste Fim de Policarpo Quaresma', do Lima Barreto, que não combinava com o meu traço", disse Sieber. "Quando trocaram pelo João do Rio, topei, porque ele tinha aquele ar meio cínico."&lt;br /&gt;Sieber, quadrinista da &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt;, dividiu sua versão em três partes. Baseou-as no conto "O Homem de Cabeça de Papelão" e nos livros "Dentro da Noite" e "A Alma Encantadora das Ruas".&lt;br /&gt;Diz quase não ter alterado a narrativa: "Eu ficava travado com a reconstituição histórica, mas o restante estava ali, pronto". Preocupou-se em não fazer "um livro condensado para idiotas, um 'João do Rio for Dummies'".&lt;br /&gt;Também no livro de Sieber há cenas em meio a prostitutas, michês e trombadinhas. Numa delas, o texto diz: "As meretrizes mandam marcar corações com o nome dos amantes. Se brigam, removem a tatuagem e marcam o mesmo nome no calcanhar. É a maior das ofensas: nome no chão, roçando a poeira...".&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-2084628394022222491?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/2084628394022222491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=2084628394022222491' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2084628394022222491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2084628394022222491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/10/joao-do-rio-o-flaneur-carioca-da-gema.html' title='João do Rio, um flâneur carioca'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-dZx52r4z9t4/ToexpoUID8I/AAAAAAAAAq4/PMlzJRmWNKU/s72-c/joc3a3o_do_rio_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-3214767192121075150</id><published>2011-09-28T00:28:00.006-03:00</published><updated>2011-09-30T09:45:47.972-03:00</updated><title type='text'>A laje dos que olham para cima</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EcTOzoZHBeM/ToU6mmzSzoI/AAAAAAAAAqw/bxgQ-pl1R-E/s1600/paripe3.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-EcTOzoZHBeM/ToU6mmzSzoI/AAAAAAAAAqw/bxgQ-pl1R-E/s320/paripe3.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657992941786025602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Vista da Baía, a partir do alto de um bairro do subúrbio de Salvador&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O brasileiro é sonhador. Sonha com o carro 0km, com a tevê digital, com a casa própria... Esse último desejo talvez seja o que movimenta a força física e mental para sua realização, vide o déficit habitacional no Brasil de quase 70% da população.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a expansão do crédito imobiliário, os brasileiros que ascenderam na escala social nos últimos 10 anos têm aproveitado para conseguir seu apartamento ou casa, outrora só possível se entrassem na lista de desabrigados devido a alguma catástrofe ou expulsos de uma ocupação ilegal para receber uma habitação popular.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos resistentes, quando compram um terreno, ainda passam pela dificuldade de construir. Com pouco dinheiro, a casa é erguida a conta-gotas, o que pode levar anos, mas pelo menos, o sonho da casa própria se materializa, às vezes, com o sonhador morando sem o imóvel  estar com condições de moradia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem teto, a laje é o limite que os sem-teto sonham . "Bater a laje" é uma realização inigualável na vida dos sonhadores. Já virou um rito de passagem pela qual não somente o dono, mas toda a vizinhança tem que experimentar, até porque os vizinhos, se não vivenciaram essa ação comunitária no seu imóvel, um dia será a sua vez de congregar todos na construção de sua subida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na laje, se faz de um tudo. Lavar e estender roupa, tomar banho de sol, empinar pipa, promover festa à base de churrasco e pagode... No &lt;a href="http://g1.globo.com/profissao-reporter/noticia/2011/09/na-periferia-de-sao-paulo-laje-tem-sarau-literario-e-sessao-de-cinema.html"&gt;Profissão Repórter &lt;/a&gt; desta semana, o tema foi este, a laje como espaço de sociabilidade nas periferias de São Paulo e Rio de Janeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como no Rio de Janeiro as favelas tem localização privilegiada nos morros circundantes à Baía de Guanabara, os donos têm uma sensação de que não precisa pagar caro por uma visão do mar. Subir à laje, é como subir à cobertura de um apartamento nas avenidas Vieira Souto ou Atlântica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Salvador, não é diferente. A faixa de terra que vai do Porto da Barra até o subúrbio ferroviário nos dá momentos de contemplação da Baía de Todos os Santos, seja na cobertura da Morada dos Cardeais, na Vitória, o metro quadrado mais caro do Nordeste, até na laje de uma casa no Alto do Cabrito, um dos metros quadrados mais populosos e pobres da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E por falar em Cabrito, foi lá, na década de 70, antes de virar conjunto habitacional, onde eu passava temporadas no sítio de minha avó. Casa de telha vã, não precisávamos escalar para ver o pôr-do-sol no fundo da baía. Dali mesmo, da varanda, víamos o sol dar lugar a lua, ouvindo as cigarras e os grilos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando queríamos ver o mar de uma altura maior, inclusive os prédios da Cidade Alta, sentávamos no balanço preso a uma mangueira e pedíamos que nossos tios, sem pena, nos empurrássemos com tanta  força que a sensação era de que estávamos voando para lá e mergulhando nas águas da baía.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, no Cabrito, tudo virou laje, mas a visão continua exuberante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-3214767192121075150?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/3214767192121075150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=3214767192121075150' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/3214767192121075150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/3214767192121075150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/09/laje-dos-que-olham-para-cima.html' title='A laje dos que olham para cima'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-EcTOzoZHBeM/ToU6mmzSzoI/AAAAAAAAAqw/bxgQ-pl1R-E/s72-c/paripe3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-764549252958427001</id><published>2011-09-25T01:25:00.005-03:00</published><updated>2011-09-25T10:18:03.585-03:00</updated><title type='text'>Faça Letras!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou leitor assíduo da Revista Piauí desde seus primeiros números. Encontrei a melhor forma de ler matérias longas, com profundidade de análise e diversidade temática, não encontradas na maioria das revistas nacionais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma das seções de que mais gosto é Esquina, que descreve em pequenos perfis a vida de personagens anônimos, na maioria das vezes flagrados por seus ofícios e afazeres pouco usuais ou desconhecidos do grande público.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na &lt;a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-60/esquina/o-torneiro-e-o-poeta"&gt;edição&lt;/a&gt; de setembro, li o perfil de um metalúrgico que quer estudar Letras para ter mais intimidade com os poetas Drummond e Cecília Meireles. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Transcrevo abaixo o texto para nos estimularmos a ter mais valor pelas Letras, que está carecendo realmente de interessados em ensino e pesquisa de Literatura e Língua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faça Letras! Tem que saber e gostar de ler, no mínimo. Aos aventureiros, é melhor praticar rapel, montanhismo, jump, são atividades menos arriscadas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;div class="article_header" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 20px; padding-right: 20px; padding-bottom: 0px; padding-left: 20px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; "&gt;&lt;h3 style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 2.8em; color: rgb(1, 8, 18) !important; float: left; width: 460px; line-height: 1.15em; "&gt;O torneiro e o poeta&lt;/h3&gt;&lt;p class="subtitle" style="margin-top: 10px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.5em; color: rgb(1, 8, 18); clear: both; "&gt;Inspirado por Drummond, metalúrgico quer viver dos seus versos&lt;/p&gt;&lt;div class="autor" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; clear: both; line-height: 22px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden; float: left; "&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; 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margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; cursor: pointer; "&gt;A -&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;li style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 10px; padding-top: 2px; padding-right: 2px; padding-bottom: 2px; padding-left: 2px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 1px; border-right-width: 1px; border-bottom-width: 1px; border-left-width: 1px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; float: left; border-top-style: solid; border-right-style: solid; border-bottom-style: solid; 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border-bottom-width: 1px; border-left-width: 1px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; float: left; border-top-style: solid; border-right-style: solid; border-bottom-style: solid; border-left-style: solid; border-top-color: rgb(230, 230, 230); border-right-color: rgb(230, 230, 230); border-bottom-color: rgb(230, 230, 230); border-left-color: rgb(230, 230, 230); "&gt;&lt;a id="btnDefault" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; cursor: pointer; "&gt;A +/-&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="imprimir" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 2px; padding-right: 10px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; float: right; "&gt;&lt;span style="margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; float: left; font-size: 1.1em; color: rgb(76, 76, 76); "&gt;Imprimir:&lt;/span&gt;&lt;ul style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; float: right; "&gt;&lt;li class="imprimir-print" style="margin-top: 0px; margin-right: 4px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; display: inline; float: left; "&gt;&lt;a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-60/esquina/o-torneiro-e-o-poeta#" title="Imprimir" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; background-image: url(http://revistapiaui.estadao.com.br/assets/modules/website/images/imprimir.png); background-attachment: initial; background-origin: initial; background-clip: initial; background-color: initial; display: block; height: 16px; width: 16px; background-position: 0px 0%; background-repeat: no-repeat no-repeat; "&gt;&lt;/a&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="article_content" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 20px; padding-right: 20px; padding-bottom: 0px; padding-left: 20px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; background-color: rgb(255, 255, 255); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;&lt;div class="new_article" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; "&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;&lt;img alt="" src="http://revistapiaui.estadao.com.br/assets/media/images/geral/h_v2.gif" style="margin-top: 1px; margin-right: 4px; margin-bottom: 1px; margin-left: 4px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; width: 29px; height: 37px; float: left; " /&gt;á três anos, quem ousasse falar de poesia a Rodrigo Inácio seria recebido com um olhar atravessado de reprovação. Era melhor que ficasse longe, guardando um perímetro seguro do interlocutor. O jovem metalúrgico tinha uma opinião fechada sobre quem gostava de versos e rimas. “Eu achava que poesia era coisa de viado”, lembrou, sem tergiversar. Tudo mudou quando precisou correr atrás de palavras definitivas para se dirigir a uma moça. Ciente das próprias limitações lexicais, viu-se obrigado a consultar o grande repositório da sabedoria universal e foi ao Google. No campo de busca, Inácio digitou “Frases bonitas”. No primeiro clique, deparou-se com o poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade. Os versos que leu na tela não contribuíram para melhorar seu juízo sobre os poetas. “O cara deve ser idiota para escrever um negócio desses”, concluiu, no que foi a sua primeira crítica literária.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;&lt;img alt="" src="http://revistapiaui.estadao.com.br/assets/media/images/geral/esquina_torneiro.jpg" style="margin-top: 10px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; width: 300px; height: 1293px; float: right; " /&gt;Inácio não se deu por derrotado. Por ironia, acabou gostando mesmo foi de um verso atribuído erroneamente a Drummond na internet – aquele que diz que “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”. Aquilo, sim, soava bem. Esmerou-se na escolha da fonte e despachou o verso à sua bela, que respondeu dizendo ter achado “interessante”. A reação foi suficientemente animadora para incentivar Inácio a gastar mais Drummond para cima da moça – agora do legítimo, não do falsificado. Num sebo, comprou &lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; "&gt;O Amor Natural&lt;/em&gt; para dar-lhe de presente. Não sabia, claro, que aquele era o livro de poemas eróticos do autor, no qual línguas lambem pétalas vermelhas e o poeta suga e é sugado pelo amor. O rapaz se envergonhou de lembrar do caso. “Você é um besta de me mandar um livro daqueles”, foi a resposta que a menina lhe deu.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;Para não repetir gafes dessa magnitude, Inácio passou a estudar com afinco a obra de Drummond. Ficou abismado quando leu “Memória” (“As coisas tangíveis/ Tornam-se insensíveis/ À palma da mão/ Mas as coisas findas/ Muito mais que lindas,/ Essas ficarão”). Era muita frase bonita para um poema só. Inácio ficou de bem com o autor mineiro. Mas continuou encucado com “No meio do caminho”. “Só depois de passar um longo tempo amistoso com Drummond é que fui entender e gostar desse poema”, explicou, em um notável exercício de revisão no qual muitos críticos deveriam se espelhar.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;De Drummond para outros autores foi um pulo. Inácio continuou exigente. “Vinícius de Moraes era muito mulherengo”, não demorou a constatar. Experimentou também um pouco de prosa. Encantou-se com Clarice Lispector. Gostou de &lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; "&gt;A Hora da Estrela&lt;/em&gt; e &lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; "&gt;A Paixão Segundo G. H.&lt;/em&gt; “Acho que, no fundo das palavras dela, há um certo tom de feitiçaria”, ponderou. “Ela era bem doida. Tadinha, morreu de câncer.”&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;Aos 21 anos, Inácio mora em Diadema, na periferia de São Paulo. Para ir e voltar do serviço, no bairro do Ipiranga, na capital, pega seis conduções diárias, entre ônibus, trólebus e trem. Estudou só até o 3º ano do ensino médio. Como preparador de torno no ramo industrial, ganha dois salários mínimos. Mesmo assim, pagou 200 reais num raro disco de vinil intitulado &lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; "&gt;Antologia Poética&lt;/em&gt;, em que Drummond declama seus versos.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;Sem receio de melindrar seu ídolo, Inácio disse que queria comprar também o disco de poemas de Cecília Meirelles. “Mas o dela está a 450”, lamentou, após pesquisar na internet. A triste verdade é que os áureos dias de Drummond já se foram. “Hoje gosto mais da Cecília”, admitiu o torneiro. “Não estou desmerecendo Drummond, mas a Cecília, além de ser linda, muito linda, escreve muito bem”, derreteu-se.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;&lt;img alt="" src="http://revistapiaui.estadao.com.br/assets/media/images/geral/p.gif" style="margin-top: 1px; margin-right: 4px; margin-bottom: 1px; margin-left: 4px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; width: 25px; height: 37px; float: left; " /&gt;ara o jovem metalúrgico, o único problema com sua paixão pela poesiaé não ter com quem conversar. No serviço, há quem ache que Rodrigo Inácio é viado. “Mas eu não ligo”, assegura. A única pessoa com quem fala sobre poemas é uma garota que conheceu num ponto de ônibus. Ele puxou assunto quando viu que conhecia o livro que ela lia – &lt;em style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; "&gt;Pollyanna&lt;/em&gt;. “É sobre uma menina bobinha que acha que tudo no mundo é belo”, explicou.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;Com familiaridade crescente com as letras, era natural que Inácio acabasse tendo vontade de desenvolver sua própria produção poética. Começou a fazer poemas, alguns sobre amores malfadados, outros inspirados pelas coisicas do cotidiano. “Já escrevi um poema porque vi um pássaro voando.” Diz já ter pelo menos uns trinta. Tudo na gaveta. “A crítica é inevitável, mas tenho medo de as pessoas acharem os poemas tristes”, alegou para justificar o ineditismo. Mas o pior mesmo, disse o torneiro, é quando alguém lê e não entende os versos. Poesia não é remédio para precisar de bula.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;O poeta Rodrigo Inácio hesitou, mas criou coragem e mostrou alguns de seus escritos tirados de uma pasta. Um poema chamado “Canção esmorecida” trata da insignificância da existência e da passagem inexorável do tempo. “Apenas uma árvore triste que sou/ Tão fria e tão silenciosa/ Que não sente o tempo passar/ Que não sabe se ama ou gosta”, dizem os primeiros versos. A estrutura se repete nas estrofes seguintes. A última delas é melancólica: “Apenas uma simples hera que sou/ Que olha o mundo inteiro passar/ Que observa cada rosto/ Mas que não sabe até quando irá durar.”&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;O uso de “hera” e outros termos do registro mais erudito é herança daquele que um dia desdenhara. “É Drummond.” Inácio gostaria de trocar o torno pela pena. Chegou a pedir a uma amiga, que é professora, aulas particulares de metrificação. Como pagamento, está disposto a oferecer o próprio disco do Drummond, o seu maior tesouro.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; outline-style: none; outline-width: initial; outline-color: initial; font-size: 1.2em; color: rgb(76, 76, 76); font: normal normal normal 1.2em/1.431em Georgia, Arial, sans-serif; "&gt;Daqui a um ou dois anos, pretende largar a metalurgia e começar a trabalhar com tecnologia da informação, uma carreira que paga bem e lhe permitirá conciliar a sonhada faculdade de letras. Para isso, será inevitável estudar ciências exatas para o vestibular. Inácio não vê essa perspectiva com serenidade. “O cara que descobriu a matemática, mano, tem que morrer de madeirada”, queixou-se. Vai ser uma pedra no seu caminho.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-764549252958427001?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/764549252958427001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=764549252958427001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/764549252958427001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/764549252958427001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/09/faca-letras.html' title='Faça Letras!'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-5935027815883081911</id><published>2011-09-02T00:35:00.004-03:00</published><updated>2011-09-02T15:58:21.377-03:00</updated><title type='text'>Universidades Federais X Universidades Estaduais na Bahia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou egresso do Instituto de Letras da UFBA, formado há 12 anos. Nesta Universidade eu aprendi a ser um profissional interessado e competente na área a que me dedico hoje como professor da UNEB, da qual sinto orgulho de fazer parte, tanto quanto docente quanto como coordenador de curso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na UFBA, depois de retornar do mestrado na UFPB, fiz seleção para ser professor substituto de literatura portuguesa. Dividi o mesmo espaço com ex-colegas, então professores efetivos, e ex-professores, que se tornaram colegas de trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vivi os dois lados dessa experiência acadêmica. Eu já estava aprovado na UNEB, mas esperava ser convocado antes de terminar o contrato da UFBA. Terminou por eu ter ficado em ambas por uns seis meses. Era a própria realização profissional para quem sempre sonhou ser professor universitário aprovado em concurso ou em seleção pública.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há cinco anos na UNEB, conheci com mais profundidade os problemas desta Instituição, principalmente na falta de estímulo à carreira docente, com a limitação de progressão ou promoção pelo Governo, além, é óbvio, da falta de estrutura física ou carência de professores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim mesmo, peguei gosto pela UNEB, pois foi através dela que publiquei meu livro, cresci profissionalmente como professor e pesquisador, e conheci pessoas maravilhosas, entre alunos e colegas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passei por duas greves durante o Governo Wagner, nas quais apoiei a nossa demanda por aumento de salário e condições de trabalho decente, frente à demanda de educar jovens estudantes e futuros professores de Letras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fico me perguntando por que o Governo do Estado gasta mais publicidade divulgando as novas Universidades Federais do que UEFS, UNEB, UESC e UESB. Penso que a intenção é sucateá-las, torná-las invisíveis, porque o senso comum, inclusive no Governo, diz que Federal é melhor do que Estadual. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ledo engano, inclusive é sabido que tem universidades estaduais melhores do que as federais, como é o caso da USP e UNICAMP. Até no Nordeste, a UEPB (Paraíba) paga salários melhores do que a federal local. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui na Bahia, os estudantes da &lt;a href="http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=5761849"&gt;UFRB&lt;/a&gt; paralisam as atividades em todos os centros da Instituição para denunciar falta de tudo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na campanha à releição ao governo estadual, o Sr. Jaques Wagner respondeu, no debate da Tv Aratu, ao questionamento de uma professora da UEFS sobre a situação das estaduais com uma fala em prol das federais que estavam já instaladas, como a UFRB e UNIVASF.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso que podemos conviver na mesma região com duas universidades. É benefício para todos e dinamiza-se o mercado de trabalho. Mas a que preço? Investimento em umas e corte de verba em outras?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-5935027815883081911?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/5935027815883081911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=5935027815883081911' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5935027815883081911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5935027815883081911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/09/universidades-federais-x-universidades.html' title='Universidades Federais X Universidades Estaduais na Bahia'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-2782113257080734768</id><published>2011-08-28T10:59:00.003-03:00</published><updated>2011-08-28T11:04:47.737-03:00</updated><title type='text'>Ser Alice ou Pollyana por duas horas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OvvVliu869s/TlpK1L_ke6I/AAAAAAAAAqg/g6GLd8V_qRs/s1600/INDIGNADO...NERVOSO...AGITADO...TRANSTORNADO...%2528M%25C3%2589DIO%2529.gif" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 255px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-OvvVliu869s/TlpK1L_ke6I/AAAAAAAAAqg/g6GLd8V_qRs/s320/INDIGNADO...NERVOSO...AGITADO...TRANSTORNADO...%2528M%25C3%2589DIO%2529.gif" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5645907360475282338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Indignado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: arial; line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: arial; line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: arial; line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Decadência moral.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-size: 11px; line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Nem no domingo a gente tem sossego com esses políticos sem-vergonhas, corruptos, insanos, imbecis... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Abro jornais e revistas e vejo esses caras tendo Ibope. Estou cansado de ler notícias de falcatruas e roubalheiras com o dinheiro público. Trabalho horrores, dou minha cota social à educação pública do País (falida ou pré-falimentar) e esses ministros, deputados, prefeitos, governadores sacaneando com o povo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Ah, mas tem políticos bons e maus, argumentam uns. Mas o próprio Estado possibilita isso, dando brechas constitucionais para eles desfilarem sua estupidez e arrogância. Quem não é desonesto, sente, mínimo que seja, a vontade de usurpar. Ninguém é santo e o ser humano é inumano nessas horas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Como lembrou bem Luiz Freire, esse País é "cronicamente inviável". Vou andar de bike para fugir das más notícias do dia. Dá uma de Alice ou de Pollyana por duas horas. O pior de tudo que é na rua que vemos o resultado dessa safadeza política: mendigos, menores abandonados, trânsito caótico, lixo, buraco, ladrões, postos de saúde mal-estruturados, módulos policiais desativados... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); line-height: 16px; background-color: rgb(255, 255, 255); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Só xingar não adianta, infelizmente&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-2782113257080734768?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/2782113257080734768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=2782113257080734768' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2782113257080734768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2782113257080734768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/08/ser-alice-ou-pollyana-por-duas-horas.html' title='Ser Alice ou Pollyana por duas horas'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OvvVliu869s/TlpK1L_ke6I/AAAAAAAAAqg/g6GLd8V_qRs/s72-c/INDIGNADO...NERVOSO...AGITADO...TRANSTORNADO...%2528M%25C3%2589DIO%2529.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-4972563983899078730</id><published>2011-08-06T16:39:00.005-03:00</published><updated>2011-08-06T20:56:45.331-03:00</updated><title type='text'>Brutalidade a Km/h</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ejmyvC9F2zQ/Tj3UC2BXJ3I/AAAAAAAAAqY/U0jkw_hQFTw/s1600/viol%25C3%25AAncia.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 256px; height: 197px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-ejmyvC9F2zQ/Tj3UC2BXJ3I/AAAAAAAAAqY/U0jkw_hQFTw/s320/viol%25C3%25AAncia.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637895453863782258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Enquanto esperava meu carro ser lavado na concessionária onde o comprei, assistia a uma reportagem no programa Hoje em Dia, da Record, sobre violência no trânsito. Segundo a matéria, a polícia de São Paulo registra por dia 70 brigas entre condutores de veículos e pedestres. Na maioria dos casos, as agressões são verbais, mas em vários casos resultam em mortes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em Salvador, onde o trânsito está caótico devido à falta de infraestrutura viária para atender a demanda de milhares de carros licenciados ao mês, a ocorrência de mortes por acidentes cresce na mesma proporção. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Já me envolvi em dois acidentes sem vítimas. Na primeira, assumi meu erro, embora &lt;span&gt; &lt;/span&gt;o outro motorista também tivesse culpa pelo fato de os faróis traseiros estarem apagados, quando frenou. A minha desatenção em estar dirigindo conversando animadamente com um amigo, além da pouca iluminação e dos buracos da via, contribui para o choque. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Desci do carro um pouco alterado devido ao susto, mas me controlei porque, independentemente de um ou outro assumir a culpa, meu seguro pagaria o estrago. Identifiquei-me, dei-lhe meu cartão de visita e segui meu caminho. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No outro caso, uma semana depois de ter recebido o carro novinho, fui atingido por uma Kombi de lotação em Bom Despacho, Ilha de Itaparica. Era antevéspera de Ano Novo, meio-dia, sinalizei para entrar na rua, mas a desatenção do outro condutor causou o acidente. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Minha reação, primeiramente era de sair do carro já brigando. Mas respirei, peguei a máquina de fotografia e comecei a registrar. Enquanto ele vociferava, dizendo que eu era o culpado por ter sinalizado já perto de entrar na via, eu justificava calmamente a minha conduta. Um amigo meu aparece e me dá apoio. Depois chegam dois policiais que também apoiam a minha versão. Tranquilo,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;fiz um boletim de ocorrência no posto policial, o motorista assumiu a culpa e passei meu Reveillon vivo e sem ter sido agredido. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Casos de pessoas que se agridem até a morte nas ruas do Brasil por motivos fúteis são noticiados diariamente. Antes de fechar este post, leio mais uma notícia de barbárie no trânsito: um cabeleireiro é assassinado por ter reclamado da buzina de um motorista estressado no engarrafamento.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Fato ocorrido em Salvador, me causou uma indignação tão forte que me comovi só em ler a manchete do jornal. O cabeleireiro teria dito: "Tá vendendo buzina?", ao se incomodar com a poluição sonora que o condutor fazia. Ao desafogar o tráfego, o homem teria dito que ia "pegar" a vítima. 20 minutos depois, ele retorna e cumpre a promessa. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Segundo a polícia, o dono do veículo, que pode ser o mesmo que atirou, é ex-presidiário, recém-saído da pena e com diversas passagens na polícia por roubo e receptação de carros.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O stress inicial provocado por uma pressa que ninguém sabia o porquê, deu lugar a uma outra, mais insana e inumana, a de matar uma pessoa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É por uma dessas razões que penso cada vez menos tirar meu carro da garagem. Mas como pedestre ou ciclista, o perigo aumenta, porque o carro virou arma na mão daqueles que não nos querem na sua frente. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-4972563983899078730?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/4972563983899078730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=4972563983899078730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4972563983899078730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4972563983899078730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/08/brutalidade-kmh.html' title='Brutalidade a Km/h'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ejmyvC9F2zQ/Tj3UC2BXJ3I/AAAAAAAAAqY/U0jkw_hQFTw/s72-c/viol%25C3%25AAncia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-9095188206014973461</id><published>2011-07-25T22:34:00.012-03:00</published><updated>2011-07-31T19:37:15.771-03:00</updated><title type='text'>Meu bairro</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ulYkss9kFyc/TjXY_kBiqyI/AAAAAAAAAqA/LpLYT1I79OM/s1600/2011-07-31%2B14.06.46.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 46px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ulYkss9kFyc/TjXY_kBiqyI/AAAAAAAAAqA/LpLYT1I79OM/s320/2011-07-31%2B14.06.46.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635649095237544738" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ccsg1AF8knc/TjXH3E6_uhI/AAAAAAAAApo/smsB9TCWyCY/s1600/2011-07-31%2B14.08.19.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 47px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-ccsg1AF8knc/TjXH3E6_uhI/AAAAAAAAApo/smsB9TCWyCY/s320/2011-07-31%2B14.08.19.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635630257751964178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Panorâmica do Desterro, Pelourinho, Mouraria e Saúde &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;a partir da cobertura de meu prédio (Clique na imagem para ampliar)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A decadência de um bairro pode ser medida pelo grau de abandono dos poderes públicos. Os moradores começam a se mudar para outros lugares que correspondam a suas expectativas de retorno aos impostos pagos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas quando toda uma cidade se vê abandonada, para onde ir?  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sensação e a certeza de que Governo e Prefeitura não assumem responsabilidades institucionais para dar uma boa qualidade de vida aos habitantes de Salvador nos deixam órfãos. A quem recorrer? Câmara Municipal, Ministério Público , Ouvidoria... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim mesmo, a demora na resolução do problema torna difícil, senão impossível, qualquer planejamento coletivo e individual em diversas áreas, como educação, saúde, segurança, emprego e cultura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Centro Antigo virou de novo, depois da reforma do Pelourinho, a cereja do bolo das futuras  intervenções estruturais para a Copa do Mundo. Nazaré, onde eu moro, terá um fluxo de pessoas e carros intenso, extrapolando o limite de uma mobilidade fluida e tranquila neste período.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito me agrada andar pelas ruas de Nazaré, especialmente Campo da Pólvora, Desterro, Jardim Baiano, Saúde e Mouraria, localidades que são integradas pela Av. Joana Angélica, mas durante os dias úteis da semana, a população flutuante atinge três vezes mais o número de seus moradores,  tornando quase insuportável o bem-estar de um bairro outrora calmo, charmoso e convidativo a um passeio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mendicância, o tráfico de drogas, a desordem no trânsito, a falta de limpeza das ruas, as calçadas esburacadas, o comércio informal, tudo isso colabora para a fuga de moradores antigos para outros bairros. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nasci e morei por muito tempo na Cidade Baixa, que há 25 anos, quando me mudei, já estava em estágio avançado de abandono, especialmente em Roma. Há 15 anos, eu moro em Nazaré. Primeiramente, na Ladeira da Fonte Nova; depois, na Ladeira do Desterro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aprendi a conviver com a degradação social e arquitetônica desta área, mas com a esperança de que, independentemente das obras da Copa na Fonte Nova e no seu entorno, a população vai voltar de novo seus olhos ao Centro Antigo pelo simbólico motivo de que é aqui que a cidade mais se identifica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só em imaginar que isto pode ocorrer, já sinto prazer de morar aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-9095188206014973461?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/9095188206014973461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=9095188206014973461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/9095188206014973461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/9095188206014973461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/07/meu-bairro.html' title='Meu bairro'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ulYkss9kFyc/TjXY_kBiqyI/AAAAAAAAAqA/LpLYT1I79OM/s72-c/2011-07-31%2B14.06.46.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-5927918642340240789</id><published>2011-07-24T09:32:00.006-03:00</published><updated>2011-07-24T17:11:34.049-03:00</updated><title type='text'>Apologia da preguiça, por Adauto Novaes</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-AGS4e9C95e4/TixyIaWJL_I/AAAAAAAAAo0/Mjs2mtudo_U/s1600/pregui%25C3%25A7a.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 194px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-AGS4e9C95e4/TixyIaWJL_I/AAAAAAAAAo0/Mjs2mtudo_U/s320/pregui%25C3%25A7a.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633002722770366450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Cena clássica do cinema brasileiro: Macunaíma, interpretado &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;por Grande Otelo, se espreguiçando&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;em filme  homônimo de Joaquim Pedro de Andrade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, domingo de sol, neste inverno baiano, acordo e começo a ler as notícias do dia. A morte de Amy Winehouse é destaque em todos os jornais e sites de notícias, mas que já era um fim anunciado, embora acreditávamos que ela passaria por uma outra "rehab".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora seja um clássico dia de descanso, ócio, preguiça e lazer, o capitalismo da indústria e do comércio impõe que trabalhadores vão à labuta e nós, consumidores, nos cansemos nas compras para dar conta do tempo que não deu tempo durante a semana para fazer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu tenho muita coisa para fazer mesmo, mas todas prazerosas, porque é a realização de meus desejos e não a imposição dos outros: ir à feira comprar verduras para fazer um cozido, andar de bicicleta pela orla, tomar um café final da tarde com os amigos, encaixotar meus livros para o início da reforma de meu apartamento...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei estimulado mais ainda para fazer esse roteiro dominical depois que eu li  o ensaio abaixo sobre a preguiça, que será tema de um ciclo de palestra em quatro cidades brasileiras, organizada por Adauto Novaes. Pena que não vem a Salvador, porque seria uma excelente oportunidade para nós baianos refletirmos sobre uma baianidade "preguiçosa" (e perniciosa, preconceituosa) que tentam nos colar e que achamos ser mesmo nossa identidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Precisamos mostrar que a "nossa" preguiça tem um nível muito mais refinado de compreensão do que essas piadinhas de botequim de novela das oito, como vi nesta semana em Insensato Coração. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mestre Caymmi é que sabia das coisas... e viveu quase cem anos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/images/ilustris.gif" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span&gt;São Paulo, domingo, 24 de julho de 2011&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;table width="500" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: medium; "&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td width="100"&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="400"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;ENSAIO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;Apologia da preguiça&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O sequestro do nosso tempo pelo trabalho&lt;/b&gt;&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;b&gt;RESUMO&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em tempos de tecnociência, permanece irrealizada a utopia da libertação do homem pelas máquinas: nunca se trabalhou tanto, e o tempo livre jamais esteve tão fora da pauta. Ora estigmatizado na ordem produtiva, ora exaltado na tradição filosófica, o preguiçoso é hoje o símbolo do tempo livre para o pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;ADAUTO NOVAES&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O trabalho deve ser maldito, como ensinam as lendas sobre o paraíso, enquanto a preguiça deve ser o objetivo essencial do homem. Mas foi o inverso que aconteceu. É esta inversão que gostaria de passar a limpo.&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Malevitch, "A Preguiça como Verdade Definitiva do Homem"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;SABE-SE QUE&lt;/b&gt; uma única palavra é suficiente para arruinar reputações e, entre todas, preguiça é uma das mais suspeitas e perigosas. Ao longo dos séculos, foi carregada de significações contraditórias e impressionantes variações.&lt;br /&gt;Dela decorre longo cortejo de acusações bizarras, mas também sabe ser tema de obras de arte, poesia, romance, pinturas, reflexões filosóficas: o preguiçoso é indolente, improdutivo, nostálgico, melancólico, indiferente, distraído, voluptuoso, incompetente, ineficaz, lento, sonolento, silencioso. Preguiça e trabalho guardam um misterioso parentesco, quase simétrico e especular.&lt;br /&gt;Para o preguiçoso, "é preciso ser distraído para viver" (Paul Valéry), afastar-se do mundo sem se perder dele; exatamente por isso, é acusado de não contribuir para o progresso.&lt;br /&gt;Além de praticar crime contra a sociedade do trabalho, o preguiçoso comete pecado capital. Pela lógica do mundo do trabalho e da igreja, ele deve sentir-se culpado, pagar pelo que não faz.&lt;br /&gt;Mais: pensadores como Lafargue, Stevenson, Bertrand Russell, Jerome K. Jerome, Marx e Samuel Johnson apostaram no desenvolvimento técnico como possibilidade de liberação do trabalho. Erraram: na era da tecnociência, nunca se trabalhou tanto e nunca se pensou tão pouco. Assim, o espírito tende a se tornar coisa supérflua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O QUE FAZER&lt;/b&gt; Ao pensar sobre o fazer, o ocioso pode prestar um grande serviço e ajudar a responder à velha questão moral: o que devo fazer? Dependendo da resposta, teremos diferentes definições do que seja o homem, a política, as crenças, o saber, nossa relação com o mundo, e, principalmente, nossa relação com o trabalho. A resposta pode nos dizer não apenas o que fazemos mas também o que o trabalho faz em nós.&lt;br /&gt;Hoje, maravilhosas máquinas "economizam" o trabalho mecânico, mas criam novos problemas: primeiro, uma espécie de intoxicação voluntária, isto é, "mais a máquina nos parece útil, mais ela nos torna incompletos" (Valéry).&lt;br /&gt;A máquina governa quem a devia governar; daí decorre o segundo problema, bem mais complexo: tantas potências auxiliares mecânicas tendem a reduzir "nossas forças de atenção e de capacidade de trabalho mental", o que se relaciona à impaciência, à rapidez e à volatilidade nunca antes vistas.&lt;br /&gt;Assim escreveu Paul Valéry (1871-1945): "Adeus, trabalhos infinitamente lentos, catedrais de 300 anos cuja construção interminável acomodava curiosas variações e enriquecimentos sucessivos... Adeus, perfeições da linguagem, meditações literárias e buscas que tornavam as obras ao mesmo tempo comparáveis a objetos preciosos e a instrumentos de precisão!&lt;br /&gt;[...] Eis-nos no instante, voltados aos efeitos de choque e contraste, quase obrigados a querer apenas o que ilumina uma excitação de acaso. Buscamos e apreciamos apenas o esboço, os rascunhos. A própria noção de acabamento está quase apagada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;MONTAIGNE&lt;/b&gt; Valéry retoma uma tradição. Lemos em Montaigne (1533-92) que "a alma que não tem um fim estabelecido perde-se. Porque, como se diz, estar em toda parte é não estar em lugar algum". Aqui, entendemos por alma o "trabalho teórico do espírito", potência de transformação. O que leva a alma (espírito) a se perder é o trabalho desordenado.&lt;br /&gt;Habitar o próprio eu, comenta Bernard Sève, é o projeto de Montaigne: viver em repouso, longe das agitações do mundo, retirar-se da pressa do mundo "para se conquistar, passar do negotium ao otium", do negócio ao ócio.&lt;br /&gt;É isso que podemos ler na inscrição que Montaigne mandou pintar nas paredes da sua torre: "No ano de Cristo de 1571, aos 38 anos, vésperas das calendas de março, dia de aniversário de seu nascimento, depois de exercer longamente serviços na Corte (Parlamento de Bordeaux) e nos negócios públicos [...] Michel de Montaigne consagrou este domicílio, este tranquilo lugar vindo de seus ancestrais, à sua própria liberdade, à sua tranquilidade, ao seu 'loisir' (otium)".&lt;br /&gt;Eis que Montaigne recolhe-se ao ócio reflexivo, com um espírito criativo leve e vagabundo. Como escreve Sève, um Montaigne distante das pressões políticas e das injunções do trabalho burocrático, com o espírito já amadurecido, "construído pela vida, espírito prestes ao fecundo exercício de uma ociosidade inteligente e feliz". Mas interpretemos com cuidado esse afastamento do mundo.&lt;br /&gt;Se a vida teórica aparece mais compensadora, é porque Montaigne não encontrou na vida prática -social e política-, no Parlamento de Bordeaux, aquilo que buscava. À diferença dos comuns, Montaigne não procurava satisfação no reconhecimento social e político. No ócio, preferiu a busca da verdade às coisas da política.&lt;br /&gt;Sua "contemplação" teórica é discursiva, isto é, transforma-se em atos de pensamento e, portanto, em atividade prática. Nascem aí os monumentais "Ensaios".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;FOUCAULT&lt;/b&gt; A aliança entre capital, igreja e disciplina militar para regular o trabalho tem história. Em um curso de 1973, ainda não publicado, Michel Foucault (1926-84) narra a institucionalização do trabalho através da "fábrica-caserna-convento" no final do século 19. Ele descreve as regras de uma comunidade fechada de até 400 trabalhadores: acordar às 5h, 50 minutos para toalete e café, trabalho nas oficinas das 6h10 às 20h15, com uma hora para as refeições. À noite, jantar, reza e cama às 21h. Só no sul da França, 40 mil operárias trabalhavam nessas condições.&lt;br /&gt;O trabalhador é fixado no aparelho produtivo, no qual "o tempo da vida está submetido ao tempo da produção". Vemos nessa experiência uma mudança essencial que nos interessa porque se torna mais aguda e determinante no trabalho hoje: "da fixação local a um sequestro temporal". Ou melhor, da ideia de controle do espaço no trabalho à ideia de controle do tempo.&lt;br /&gt;O trabalho sequestrou o tempo. Se, no século 19, o controle do tempo era apresentado ao operário como um "aprendizado de qualidades morais" que, na realidade, significava a integração da vida operária ao processo de produção, hoje o controle é aceito com naturalidade, e até mesmo desejado.&lt;br /&gt;O homem se integra voluntariamente "a um tempo que não é mais o da existência, de seus prazeres, de seus desejos e de seu corpo, mas a um tempo que é o da continuidade da produção, do lucro".&lt;br /&gt;A reivindicação de tempo livre tornou-se quase que palavra de ordem subversiva: "Preciso tanto de nada fazer que não me resta tempo para trabalhar", conclama Pierre Reverdy, citado no prefácio ao livro de Denis Grozdanovitch "A Difícil Arte de Quase Nada Fazer".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;TRABALHO CEGO&lt;/b&gt; A mobilização veloz e incessante do trabalho cego não permite ao homem dizer qual é o seu destino e muito menos o que acontece. Ele não dispõe de tempo para pensar e muito menos tem consciência de que seus gestos, no trabalho, produzem muito mais do que os objetos que fabrica.&lt;br /&gt;Há um excedente invisível, entendendo-se por "excedente" tudo o que não é mensurável, que produz catástrofes através do trabalho "normal e produtivo" e se manifesta na poluição, nos desastres ecológicos, no esquecimento e na desconstrução de si.&lt;br /&gt;Como nos lembra Robert Musil em "O Homem sem Qualidades", foi preciso muita virtude, engenho e trabalho para tornar possíveis as grandes descobertas científicas e técnicas, graças aos sucessos dos "homens de guerra, caçadores e mercadores". Tudo isso fundado na disciplina, no senso de organização e na eficácia do trabalho, o que talvez pudesse ser resumido assim: o trabalho mecânico da produção de mercadorias pretende tomar o mundo de assalto, produzindo agitação social e frenesi econômico e consumista, dada a multiplicação de objetos "não naturais e não necessários".&lt;br /&gt;Já o preguiçoso põe-se na escuta de si e do mundo que o cerca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PENSAMENTO&lt;/b&gt; Talvez o mais danoso de todo esse legado para o espírito humano seja a criação de um mundo vazio de pensamento que o ocioso procura preencher. Guardo uma imagem que o poeta e filósofo Michel Deguy me fez ver à janela de seu apartamento, em Paris: um mendigo que dormia 20 horas por dia na escadaria da igreja Saint-Jacques.&lt;br /&gt;Deguy narra essa experiência em um pequeno ensaio com o título "Do Paradoxo": em imagem semelhante, diz ele, também nas escadarias de uma igreja, "a 'Derelitta' de Botticelli está pelo menos sentada, parecendo meditar. Hoje, ninguém medita, como dizia Valéry na figura de M. Teste. Portanto, o mendigo talvez não esteja errado, uma vez que o fato de estar deitado nada muda [...] E quando lembro que Pascal era o pároco da igreja e cuidava dos abandonados, a comparação me perturba: os 'pobres' não são mais como eram -mas os pensadores também não. Portanto, o 'despertar do pensamento'? Nós, você e eu, não queremos dormir. Mas estamos acordados?"&lt;br /&gt;O trabalho técnico, mecânico e acelerado abole o tempo do pensamento, que exige virtudes atribuídas ao preguiçoso: paciência, lentidão, devaneio, acaso -o imprevisto. Em um texto célebre, Valéry nota: "O futuro não é mais como era". Isto é, não há mais o tempo lento do pensamento, momento em que o tempo não contava. Sabemos que é na vida meditativa e lenta que o homem toma consciência da sua condição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;SERES OCULTOS&lt;/b&gt; Ora, como escreveu ainda Valéry, o amanhã é uma potência oculta, e o homem age muitas vezes sem o objeto visível de sua ação, como se outro mundo estivesse presente, "como se ele obedecesse a ações de coisas invisíveis ou de seres ocultos".&lt;br /&gt;Essa poderia ser uma boa definição do ocioso. Coisas invisíveis e seres ocultos participando do mundo do devaneio e do pensamento. Mundo do trabalho do espírito, em contraposição ao trabalho mecânico.&lt;br /&gt;As ideias e os valores, lembra-nos Maurice Merleau-Ponty (1908-61), não faltam a quem soube, na sua vida meditativa, liberar a fonte espontânea, não deliberadamente, em direção a fins predeterminados por cálculos técnicos e produtivos. Todo trabalho finito e alienado é pura perda.&lt;br /&gt;Através de uma admirável reversão, o meditativo transforma a desrazão do mundo do trabalho alienado em fonte de razão. Isso porque o trabalho meditativo do ocioso é um trabalho sem finalidade, sem "telos", um trabalho sem fim. O trabalho meditante do ocioso exige muito mais trabalho do que o trabalho mecânico. O trabalho da obra de arte e da obra de pensamento pede um tempo que não pode ser medido pelo relógio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;PREGUIÇOSO&lt;/b&gt; Como se pode, então, pensar essa figura que sempre teve péssima reputação? Talvez uma boa definição seja a de um autor inglês, Jerome K. Jerome (1859-1927), em seu livro "Pensamentos Preguiçosos de um Preguiçoso" (1886): "O que melhor caracteriza um verdadeiro preguiçoso é o fato de ele estar sempre intensamente ocupado. De início, é impossível apreciar a preguiça se não há uma massa de trabalho diante de si. Não é nada interessante nada fazer quando não se tem nada a fazer! [...] Perder seu tempo é uma verdadeira ocupação, e uma das mais fatigantes. A preguiça, como um beijo, para ser agradável, deve ser roubada".&lt;br /&gt;Jerome K. Jerome leva-nos a pensar que a preguiça não é coisa passiva. Perder o tempo mecânico dá trabalho e exige enorme atividade do espírito.&lt;br /&gt;O egípcio Albert Cossery é apresentado pela revista francesa "Magazine Littéraire" como o escritor contemporâneo que celebra a preguiça como uma arma de subversão política e como um modo de resistir à impostura das potências. Para Cossery, o exercício da preguiça tem o valor da arte de viver. Mas ele distingue dois tipos de preguiçosos: os idiotas e os reflexivos.&lt;br /&gt;"Um idiota preguiçoso permanece idiota!", escreve. "E um preguiçoso inteligente é quem reflete sobre o mundo no qual vive. Mais você é ocioso, mais tempo você tem tempo para refletir... Esses são os valores da preguiça, que supõe, pois, dupla recusa: nosso mundo imediato e a triste realidade."&lt;br /&gt;Mas o mais radical dos libelos contra o trabalho alienado continua a ser o pequeno ensaio de Paul Lafargue (1842-1911), "O Direito à Preguiça" (1880). "Trabalhem, trabalhem, proletários, para aumentar a fortuna social e suas misérias individuais; trabalhem, trabalhem, para que, tornados mais pobres, tenham mais razões ainda para trabalhar e tornarem-se miseráveis. Essa é a lei inexorável da produção capitalista".&lt;br /&gt;Para Lafargue, o trabalho é invenção relativamente recente, uma vez que os antigos gregos desprezavam o trabalho e deliciavam-se com os "exercícios corporais" e os "jogos de inteligência". Ele critica a moral cristã ao proclamar o "ganharás o pão com o suor do rosto" e ao lembrar que Jeová, "depois de seis dias de trabalho, repousou por toda a eternidade".&lt;br /&gt;Robert Louis Stevenson (1850-94), na "Apologia dos Ociosos" (1877), mostra que o ócio "não consiste em nada fazer, mas em fazer muitas coisas que escapem aos dogmas da classe dominante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;MELANCOLIA&lt;/b&gt; A tradição relaciona a melancolia e o devaneio à preguiça. Nisso, mais uma vez, igreja e capital estão juntos. O trabalho é o grande meio que a igreja encontrou para lutar contra a melancolia e a vertigem do tempo livre. Seu lema sempre foi "Rezai e trabalhai", ou seja, só abandonar a oração quando as mãos estiverem ocupadas.&lt;br /&gt;Lemos em um ensaio de Jean Starobinski sobre a melancolia -"A Erupção do Diabo-" que o trabalho tem por efeito ocupar inteiramente o tempo que não pode ser dado à oração e aos atos de devoção: "Sua função", escreve ele, "consiste em fechar as brechas por onde o demônio poderia entrar, por onde também o pensamento preguiçoso poderia escapar". Assim, o trabalho interrompe o "vertiginoso diálogo da consciência com seu próprio vazio".&lt;br /&gt;A crítica que Jean-Jacques Rousseau (1712-78) faz ao trabalho não é diferente. Na sétima caminhada dos "Devaneios de um Caminhante Solitário" (1782), ele busca a solidão, mas procura trabalhar tudo o que o cerca, escolhendo o mais agradável. Não escolhe os minerais porque, escondidos no fundo da terra "para não tentar a cupidez", exigem indústria, trabalho, pena e exploração dos miseráveis nas minas.&lt;br /&gt;As plantas não. A botânica é o estudo de um "ocioso e preguiçoso solitário": "Ele passeia, erra livremente de um objeto a outro, passa em revista cada flor... Há, nesta ociosa ocupação, um charme que só se sente na plena calma das paixões, o que basta para tornar a vida feliz e tranquila. Mas, quando se mistura aí um motivo de interesse ou vaidade, seja para ocupar espaços, seja para escrever livros, ou quando se quer aprender apenas para se instruir ou pesquisar as plantas apenas para se tornar professor, todo o charme da tranquilidade se desfaz; [...] no lugar de observar os vegetais na natureza, ocupa-se apenas com sistemas e métodos".&lt;br /&gt;O que importa hoje, talvez, é propor a luta do progresso contra o progresso; isto é, a valorização do progresso do espírito, a valorização dos valores contra o progresso técnico, esta "ilusão que nos cega". Eleger a quietude, o silêncio e a paciência para conhecer e aprofundar indefinidamente as coisas dadas.&lt;br /&gt;Eis o ócio que Karl Kraus (1874-1936) nos propõe: "Se o lugar aonde quero chegar só puder ser alcançado subindo uma escada, eu me recusarei a fazê-lo. Porque lá aonde eu quero realmente ir, na realidade já devo estar nele. Aquilo que devo alcançar servindo-me de uma escada não me interessa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"O que importa hoje, talvez, é propor a luta do progresso contra o progresso; isto é, a valorização do progresso do espírito, a valorização dos valores"&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;"Além de praticar crime contra a sociedade do trabalho, o preguiçoso comete pecado capital. Pela lógica do mundo do trabalho e da igreja, deve sentir-se culpado"&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;"O trabalho meditativo do ocioso é sem finalidade, sem "telos", um trabalho sem fim; exige muito mais trabalho do que o trabalho mecânico"&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;"O trabalhador é fixado no aparelho produtivo, no qual "o tempo da vida está submetido ao tempo da produção". O trabalho sequestrou o tempo"&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-5927918642340240789?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/5927918642340240789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=5927918642340240789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5927918642340240789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5927918642340240789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/07/apologia-preguica-por-adauto-novaes.html' title='Apologia da preguiça, por Adauto Novaes'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-AGS4e9C95e4/TixyIaWJL_I/AAAAAAAAAo0/Mjs2mtudo_U/s72-c/pregui%25C3%25A7a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-4204891003027077216</id><published>2011-02-25T23:21:00.013-03:00</published><updated>2011-04-29T08:32:38.369-03:00</updated><title type='text'>Rota do Açúcar - Penedo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-VaRiGqLmLzE/TXvrTMAVMnI/AAAAAAAAAmw/fq1gUW_Vx9M/s1600/DSCF0856.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; 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margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-UA-Sm9udOkE/TXvlz2xwnMI/AAAAAAAAAmA/A13aHnWRFP4/s320/DSCF0812.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583308842096172226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Vista do Rio São Francisco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Resumo em uma palavra o que senti ao chegar a Penedo, Alagoas: encantamento. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo nessa cidade, que fica às margens do Rio São Francisco, me levou a ficar mais tempo do que eu desejava. Meu objetivo era atravessar o rio e pernoitar em Aracaju para, na manhã seguinte, seguir para Salvador. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As casas antigas do centro histórico mostram o quanto se pode conservar sem tirar delas o jeito especial de vida urbana que a cidade tem. Patrimônio Histórico do Brasil, Penedo é uma das jóias do Velho Chico, tanto do ponto de vista arquitetônico quanto cultural.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vista do rio do alto do penedo, onde fica a fortaleza, é deslumbrante, mais ainda quando é emoldurado por um pôr-do-sol em tarde de céu de um azul profundo. Desci até à beira do rio para senti-lo mais verde-musgo do que à distância permitia. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passeando pelas ruas vazias, deu uma vontade de morar ali. E não foi difícil me sentir tão dentro delas, pois encontrei uma casa de dois andares à venda. Ao entrar para conhecer, fiquei mais tentado ao saber que o valor era praticamente o de uma casa em Salvador em bairro popular, bem mais simples e menor, sem o glamour de morar numa casa tombada pelo IPHAN.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As fotos que tirei do casario reproduzem a minha tentativa de captar meu olhar de turista acidental. Pena não ter tido tempo para vagar mais pela cidade, mas ao acordar em pleno dia de comércio, fiz um percurso mais atento, porém num circuito de ruas próximas ao hotel, e tive a certeza de que ainda voltarei à Penedo para visitar não só outros pontos de sua urbanidade, mas o litoral sul de Alagoas, onde desemboca o Rio São Francisco.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-4204891003027077216?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/4204891003027077216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=4204891003027077216' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4204891003027077216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4204891003027077216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/02/rota-do-acucar-penedo.html' title='Rota do Açúcar - Penedo'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-VaRiGqLmLzE/TXvrTMAVMnI/AAAAAAAAAmw/fq1gUW_Vx9M/s72-c/DSCF0856.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-5515749617363040885</id><published>2011-02-13T00:16:00.012-03:00</published><updated>2011-02-13T11:32:27.723-03:00</updated><title type='text'>Rota do Açúcar - Alagoas, parte 2</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-C1tLOydkVQ0/TVdYK_VnNtI/AAAAAAAAAl4/BSdFM3M5VoU/s1600/DSCF0743.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-C1tLOydkVQ0/TVdYK_VnNtI/AAAAAAAAAl4/BSdFM3M5VoU/s320/DSCF0743.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573020009718298322" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Igreja Nossa Senhora do Pilar, Pilar, Alagoas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-5ofioL4E_eg/TVdXRSkwfoI/AAAAAAAAAlw/1tYgjOCf8QE/s1600/DSCF0785.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-5ofioL4E_eg/TVdXRSkwfoI/AAAAAAAAAlw/1tYgjOCf8QE/s320/DSCF0785.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573019018449682050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Última parada da rota, Usina Coruripe&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-Q4C50h9WpRU/TVdWnUqjbHI/AAAAAAAAAlo/rPVG_iU2-wA/s1600/DSCF0787.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Q4C50h9WpRU/TVdWnUqjbHI/AAAAAAAAAlo/rPVG_iU2-wA/s320/DSCF0787.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573018297456356466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Usina Coruripe, Coruripe, Alagoas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-9AiYQM0xg8c/TVdVRWnB-KI/AAAAAAAAAlg/p4OxGDX6nCA/s1600/DSCF0780.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-9AiYQM0xg8c/TVdVRWnB-KI/AAAAAAAAAlg/p4OxGDX6nCA/s320/DSCF0780.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573016820509702306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Praia do Gunga, Barra de São Miguel, Litoral Sul de Alagoas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-moImyHrtDjA/TVdUPQvbyYI/AAAAAAAAAlY/e0VpvYiHH8s/s1600/DSCF0761.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-moImyHrtDjA/TVdUPQvbyYI/AAAAAAAAAlY/e0VpvYiHH8s/s320/DSCF0761.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573015685062969730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Casario de Marechal Deodoro, Alagoas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-6VyRkToheZo/TVdTcpeBhOI/AAAAAAAAAlQ/Ye1EgpzIzrI/s1600/DSCF0755.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-6VyRkToheZo/TVdTcpeBhOI/AAAAAAAAAlQ/Ye1EgpzIzrI/s320/DSCF0755.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573014815527503074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Vista do cais de Marechal Deodoro, Alagoas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-8Ngkw5fICMs/TVdSxRzuV6I/AAAAAAAAAlI/1KbG5AM66YU/s1600/DSCF0772.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-8Ngkw5fICMs/TVdSxRzuV6I/AAAAAAAAAlI/1KbG5AM66YU/s320/DSCF0772.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573014070441695138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Conjunto arquitetônico religioso de Marechal Deodoro, Alagoas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/--CAazgNr35E/TVdSQnxo6QI/AAAAAAAAAlA/D_BECKfry-s/s1600/DSCF0758.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/--CAazgNr35E/TVdSQnxo6QI/AAAAAAAAAlA/D_BECKfry-s/s320/DSCF0758.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573013509402847490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Prefeitura Municipal de Marechal Deodoro, Alagoas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saí de Maceió sob uma forte chuva, com destino à Pilar, Marechal Deodoro e Coruripe. E isso prejudicou bastante a visita aos engenhos nessas cidades, especialmente Pilar, onde era mais difícil o acesso ao Engenho Lamarão. Não seria prudente embarcar nessa aventura.&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Segundo um morador, a quem pedi informações sobre o engenho, naquela época de chuva nem caminhão ou trator chega ao Lamarão. Aproveitei assim mesmo para conhecer a cidade. Sua arquitetura tem muitos traços do século XIX, parecida com Cachoeira, na Bahia. Ali, nasceu Artur Ramos, um dos mais representativos estudiosos sobre relações raciais no Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Após uns cliques, segui caminho para Marechal Deodoro, primeira capital de Alagoas, e onde nasceu o militar que dá nome à cidade. A chuva começava a amenizar e o tempo entre nublado e com sol já me alegrava, dando a sensação de que a tarde não estava perdida. Pretendia fazer todas as cidades e pernoitar em Penedo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Fiz um city tour pelo centro histórico da cidade que em termos de conservação era melhor do que Pilar. Não sei se devido à chuva, eu não pude ver melhor o casario de Pilar, mas à primeira vista e logo na entrada, o quarteirão antigo da parte alta era um brinco. Desci para o cais do rio, onde acontece a feira. Cheguei na parte da desmontagem das barracas e me surpreendi com mais prédios conservados, depois lendo uma faixa entendi o porquê de tanto cuidado: meses antes houve a visita do ministro do Turismo, que injetou recursos para restaurar as casas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Dei uma passada no museu da cidade, uma casa baixa e não muito grande, onde nasceu Marechal Deodoro. Lá estão reunidas algumas peças domésticas do tempo em que o militar morava, fotos de duversas fases de sua carreira, dentre elas a de primeiro presidente da República.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Seguindo ao sul, a próxima parada era Coruripe. Estrada boa e recém-asfaltada, tentei compensar o tempo perdido devido à chuva e cheguei à última cidade da Rota no meio da tarde, mas quão decepcionante foi ao ver que a cidade em si não me encantou. Só pude ver um monumento na cidade, a igreja matriz, assim mesmo não muito bonita. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Meu objetivo era conhecer a Usina Coruripe, a maior proutora de açúcar e álcool do Nordeste. E determinado a cumprir a mssão traçada, bati no portão da fábrica. Queria conhecer as etapas de produção do açúcar naquela modalidade diferente da que se produzia na moita de outrora. Como era domingo, a administração estava fechada e o segurança só permitiu fotos da área externa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Atando os fios desta Rota, coincidência ou não, mas isso é bem simbólico para a realização deste projeto de documentário, percebi que comecei a viagem visitando um engenho, o São João, em Itamaracá, um dos mais antigos de Pernambuco e o primeiro a transitar da energia de tração animal para a máquina a vapor, e terminei em Coruripe na mais atual evolução da produção de derivados da cana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Satisfeito com a viagem até ali, mesmo com um pouco de cansaço por estar sempre dirgindo, queria conhecer Penedo, sabedor da importância histórica e cultural dela para a colonização do Nordeste a partir do Rio São Francisco. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Até lá, eu passaria por um dos litorais mais belos do mundo, onde o rio da integração nacional desemboca. Pena não ter tido tempo para visitá-lo como convicto praieiro que sou, mas o colocarei num dos meus roteiros futuros de passeio&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Como ainda não cheguei em casa, a viagem ainda me reservaria bons momentos, mas esse é um post à parte. A Rota do Açúcar termina aqui a sua primeira incursão com um gosto amargo de não ter provado uma cachacinha nem uma rapadura. Talvez porque não fui aos engenhos da Paraíba, onde a produção desses produtos é atração principal desse projeto turístico maravilhosa, mas que ainda precisa de investimento realmente integrado não só entre as cidades de cada Estado e entre eles mesmos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Valeu a aventura, agora é começar a escrever o projeto e começar a filmar o documentário. &lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-5515749617363040885?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/5515749617363040885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=5515749617363040885' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5515749617363040885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5515749617363040885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/02/rota-do-acucar-alagoas-parte-2.html' title='Rota do Açúcar - Alagoas, parte 2'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-C1tLOydkVQ0/TVdYK_VnNtI/AAAAAAAAAl4/BSdFM3M5VoU/s72-c/DSCF0743.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-1917359932784666535</id><published>2011-02-07T23:17:00.005-03:00</published><updated>2011-02-08T00:39:30.543-03:00</updated><title type='text'>Rota do Açúcar - Alagoas, parte 1</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC41MjsLnI/AAAAAAAAAkQ/Jh4gg8EJUi4/s1600/DSCF0712.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC41MjsLnI/AAAAAAAAAkQ/Jh4gg8EJUi4/s320/DSCF0712.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571155963100802674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Na Serra da Barriga, Memorial Zumbi dos Palmares, União dos Palmares, Alagoas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC4ZIaTC0I/AAAAAAAAAkI/_UQX0PK1XS8/s1600/DSCF0708.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC4ZIaTC0I/AAAAAAAAAkI/_UQX0PK1XS8/s320/DSCF0708.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571155480951327554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Em frente à casa-grande do Engenho Inhumas, União dos Palmares, Alagoas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC326cF9RI/AAAAAAAAAkA/qDRWXXHmYlc/s1600/DSCF0701.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC326cF9RI/AAAAAAAAAkA/qDRWXXHmYlc/s320/DSCF0701.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571154893085209874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Casa-grande e senzala no alto e capela embaixo. Fazenda Marrecas, Maragogi, Alagoas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando saí de Salvador, dia 22, eu pernoitei em Maceió. Na manhã seguinte, segui para Recife. Minha intenção era fazer os engenhos de Alagoas no retorno para Salvador, a partir do dia 28. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E assim o fiz. O primeiro engenho de Alagoas foi o Marrecas, em Maragogi, litoral norte do Estado. Infelizmente cheguei já no final da tarde e não pude conhecer as praias da cidade que, segundo os roteiros, estão entre as mais lindas do Nordeste. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Fazenda Marrecas se transformou em hotel-fazenda de com boa estrutura. A casa-grande e a senzala ficam numa elevação, de onde pode se ver a capela e as instalações mais novas da propriedade. Não encontrei vestígios da moita, mas seu conjunto arquitetônico é bem vistoso quando se vê da estrada de barro que dá acesso a sua entrada principal. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pedi autorização à recepção para conhecer o espaço mais público do hotel-fazenda, ou seja, a varanda da casa-grande e a capela, onde no momento estava ocorrendo uma missa. Fiquei satisfeito com a visita, poderia ter até me hospedado lá para aproveitar mais, no entanto, gostaria de ainda chegar à Maceió e no dia seguinte seguir para União dos Palmares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No meio do caminho, calculando a quilometragem entre em ir para a capital ou União dos Palmares, decidi pela última, mesmo correndo o risco de trafegar por rodovias estaduais pouco conservadas. Cheguei três horas depois, numa viagem que, segundo o GPS, seria feita em duas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;União dos Palmares estava em festa de sua padroeira e as praças estava colorida de luzes do parque de diversão e do palco de shows musicais de axé, pagode, brega e arrocha. Depois de tomar banho e descansar um pouco, fui conhecer a festa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não podia atravessar a madrugada, pois de manhã cedo queria conhecer a Serra da Barriga, onde está o Memorial Zumbi dos Palmares, e o Engenho Inhumas. Como coincidentemente era também dia de feira, não encontrei o centro cultural aberto, onde nasceu o poeta Jorge de Lima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha opção foi encontrar uma agência de viagens para conseguir um guia. E por sorte, achei a agência da ex-secretaria de Turismo da cidade, que me indicou um guia, Carlos, funcionário da mesma secretaria. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito gentil e atencioso, ele me levou primeiramente no Engenho Inhumas, de propriedade da família de Isabel, atual secretária de Turismo, que durante uma hora ou mais nos contou sobre as histórias do engenho. A casa-grande está conservada, mas carente de uma restauração em alguns cômodos para se transformar num hotel-fazenda, intenção essa ainda em discussão entre os herdeiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após essa visita, subimos a Serra da Barriga, onde, sobre seu platô, existiu o centro do maior quilombo de escravos do Brasil. No seu lugar, construiu-se o Memorial Zumbi dos Palmares. A chuva impediu um pouco a visitação, mas pude ter a noção da proposta do espaço cultural tombado pelo IPHAN. E para saudar os nossos ancestrais africanos, comemos um acarajé quentinho no término do passeio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda pretendia, no período da tarde visitar a Usina Leão, em Rio Largo, próxima à Maceió, onde eu de novo iria pernoitar. Peguei a estrada e, por não saber onde ficava a usina, entrei na cidade que tem uma paisagem do Rio Mundaú e suas corredeiras muito bonitas, além de seu casario secular ainda conservado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ensinaram-me o caminho certo para chegar as ruínas da antiga Usina Leão, mas o espaço reservado para visitação pela indústria moderna, que se localiza a cinco quilômetros da primeira construção movida a vapor, não foi liberado para eu entrar, porque não havia mais ninguém na administração para autorizar. No entanto, o chefe da segurança educadamente permitiu que eu fotografasse e filmasse bem rápido uma parte do prédio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Roteiro cumprido neste dia, dormir em Maceió para na manhã seguinte conhecer os engenhos do litoral sul. No outro post, vou contar minha passagem por Pilar, Marechal Deodoro, Coruripe e Penedo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-1917359932784666535?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/1917359932784666535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=1917359932784666535' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/1917359932784666535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/1917359932784666535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/02/rota-do-acucar-alagoas-parte-1.html' title='Rota do Açúcar - Alagoas, parte 1'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC41MjsLnI/AAAAAAAAAkQ/Jh4gg8EJUi4/s72-c/DSCF0712.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-8735521088296476206</id><published>2011-01-29T23:27:00.010-03:00</published><updated>2011-02-08T00:58:13.239-03:00</updated><title type='text'>Rota do Açúcar - Pernambuco, parte 2</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC99kZhJ2I/AAAAAAAAAko/T1lQoQnANkk/s1600/DSCF0662.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC99kZhJ2I/AAAAAAAAAko/T1lQoQnANkk/s320/DSCF0662.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571161604497680226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Engenho Uruaé, Goiana, Pernambuco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC8Uq0yyfI/AAAAAAAAAkg/cobhbzXR0is/s1600/DSCF0730.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC8Uq0yyfI/AAAAAAAAAkg/cobhbzXR0is/s320/DSCF0730.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571159802336430578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Engenho Cueirinhas, Vicência, Pernambuco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC7csHj6mI/AAAAAAAAAkY/m5kmDgLbW68/s1600/DSCF0727.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC7csHj6mI/AAAAAAAAAkY/m5kmDgLbW68/s320/DSCF0727.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5571158840610908770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Engenho Várzea Grande, Vicência, Pernambuco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TUT0ooG-diI/AAAAAAAAAj0/_ppI6w9gw8Y/s1600/DSCF0636.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TUT0ooG-diI/AAAAAAAAAj0/_ppI6w9gw8Y/s320/DSCF0636.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5567844018135397922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Vista da varanda da casa-grande do Engenho Poço Comprido para a moita, à esquerda&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TUTz7KpassI/AAAAAAAAAjs/tYiV6fnW6qo/s1600/DSCF0652.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TUTz7KpassI/AAAAAAAAAjs/tYiV6fnW6qo/s320/DSCF0652.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5567843237132677826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Capela e casa-grande do Engenho Poço Comprido, Vicência, Pernambuco&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao pegar a estrada para a Zona da Mata pernambucana, a pretensão era seguir até Goiana, dormir lá e descer direto para o norte de Alagoas e conhecer Maragoji, onde está a Fazenda Marrecas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira cidade foi Nazaré da Mata, a Terra do Maracatu Rural, maior manifestação cultural do Carnaval de Pernambuco. Esta é minha opinião. O frevo é mais forte em Recife e Olinda, mas o maracatu é o que de fato dá o tom da beleza cênica e performática da festa no Estado, além de religiosa e simbólica. Sem maracatu, não tem folia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao chegar, fui logo conhecer o Parque dos Lanceiros, na entrada da cidade, onde tive a sorte de conversar com o Mestre Barachinha, que me informou tudo o que pôde contar no pouco tempo que eu tinha. Já era quase meio-dia e eu ainda precisava visitar três engenhos. A chuva era um impeditivo a mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No museu do Parque, visitei uma pequena exposição permanente de objetos e adereços de maracatus, assim como painéis informativos sobre os grupos. Mestre Barachinha, muito atencioso e bem informado, deu uma aula de cultura popular. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Engenho Cueirinhas foi transformado em hotel-fazenda, com uma estrutura muito bem construída, além da casa-grande, que é o único prédio original da propriedade. A capela foi levantada depois, assim como a casa do administrador. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dona Leonor mantém sozinha o engenho, depois que seu marido faleceu. No momento da visita, ela não estava, mas autorizou que seu caseiro, Nido, me guiasse por onde eu quisesse. E assim, fizemos. Encantei-me com a preocupação dos proprietários em manter a ambiência de uma casa antiga ao reconstituir com móveis e objetos a decoração dos cômodos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei com vontade de passar um fim-de-semana no Engenho, que tem opções de lazer típicas de um hotel-fazenda. As refeições são servidas num imenso galpão, outrora estrebaria, e que pela gradiosidade da mesa, a comida não deve se pouca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como fica na beira da rodovia, numa elevação entre várias árvores, não deu para fotografar a sua fachada inteira, mas a foto da varanda dá a idéia da amplitude de sua arquitetura. Não é um dos maiores, mas toda casa-grande é simbólica e materialmente  a maior casa de um engenho, assim, me senti num palacete.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No caminho para Vicência, passei pelo Engenho Várzea Grande, e como sempre, me encantei com a preservação das construções, pelo menos externamente. Neste caso, da própria casa-grande e da capela, além de verificar a existência de prédios não comuns em engenhos do século XIX, como padaria e oficina, o que indica de que houve adaptações ao longo do século XX.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não pude entrar, pois é propriedade particular e, portanto, não tinha pedido autorização. Nem pude negociar com o caseiro uma espiadela mais de perto na casa. As fotos tiradas do lado de fora estão boas e matou minha vontade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A partir daí, virei caçador de engenho. Tudo que era construção à beira da estrada na qual eu via uma torre, eu parava e perguntava a quem estivesse perto. Muitas só tinham mesmo a torre, mais nada, ou então ruínas irreconhecíveis de antigas moitas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em Vicência, minha aventura foi feita lama adentro até chegar no Engenho Poço Comprido, o único engenho tombado pelo IPHAN, segundo Jane, diretora de cultura e da associação que preserva o patrimônio artístico-cultural da cidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De fato, vendo o trabalho de restauração do engenho, entendi o porquê de tamanho cuidado com esse engenho. A visita foi muito bem guiada por Jane, que de forma bem didática, me explicou passo a passo a trajetória do engenho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Embora esteja em terras de uma usina, inclusive há uma vila de trabalhadores no entorno do antigo engenho, existe uma abertura para que projetos viabilizem a manutenção do complexo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Algumas curiosidades dão ao Poço Comprido uma beleza especial. Primeiro, é um dos poucos engenhos, cuja casa-grande tem um passadiço ligando-o à capela. Na verdade, ambos eram afastados, mas com as sucessivas reformas, os proprietários foram estendendo para os lados, a ponto de anexar prédios dispersos. A cozinha foi também um deles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro detalhe, é que o prédio foi construído em taipa, o que demonstra a rusticidade da casa-grande, diferentemente das casas da Zona da Mata sul, que por pertencerem à Capitania de Pernambuco, mais rica do que a de Itamaracá, foram mais elaborada, do ponto de vista dos detalhes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passei uma hora imerso na vida do Engenho Poço Comprido. Da varanda, pode-se constatar o que é comentado em diversos textos. Ou seja, quanto mais elevada era a casa-grande, mas se tinha a certeza de posse, porque a certeza de ser dono tinha que estar à sua frente, visível. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na mesma estrada que dá no Poço Comprido, tem mais adiante o Iguape, que já virou autosustentável por explorar o espaço para hospedagem. A tarde estava caindo e eu precisava ainda chegar à Goiana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia foi muito produtivo. Ou melhor, todos os dias têm sido ricos em descobertas. Inclusive, de mudanças de destinos. Em Goiana, como não consegui encontrar o Engenho Uruaé, decidi retornar à Recife, mas no meio do caminho vi a placa para João Pessoa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abri mão de dois dias que perderia em Alagoas para rever os amigos em Jampa. Esse capítulo não entra. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só no retorno para Recife, foi que conheci o Engenho Uruaé, a poucos quilômetros do centro de Goiana. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No próximo post, volto a falar sobre Alagoas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-8735521088296476206?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/8735521088296476206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=8735521088296476206' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/8735521088296476206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/8735521088296476206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/01/rota-do-acucar-pernambuco-parte-2.html' title='Rota do Açúcar - Pernambuco, parte 2'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TVC99kZhJ2I/AAAAAAAAAko/T1lQoQnANkk/s72-c/DSCF0662.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-5321891381019575742</id><published>2011-01-28T09:13:00.007-03:00</published><updated>2011-02-08T00:50:24.431-03:00</updated><title type='text'>Rota do Açúcar - Pernambuco, parte 1</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TUK8XzFphxI/AAAAAAAAAjM/3SEyAwzkPCc/s1600/DSCF0616.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TUK8XzFphxI/AAAAAAAAAjM/3SEyAwzkPCc/s320/DSCF0616.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5567219206420268818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Mirante de Vila Velha, antiga sede de Itamaracá, para o canal que divide a ilha do continente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os primeiros engenhos visitados nesta viagem pela Rota do Açúcar foram os de Pernambuco, especialmente de quatro cidades: Igarassu, Itamaracá, Nazaré da Mata e Vicência. Como decidi começar por esse Estado, tive que dividir em dois roteiros. No primeiro dia, Igarassu e Itamaracá por serem cidades próximas a Recife; no segundo dia, Nazaré da Mata e Vicência. Goiana estava também no roteiro, mas houve uma mudança no plano de vôo e, em vez de pernoitar na cidade e na manhã seguinte visitar o Engenho Uraié, fui para João Pessoa por estar à meia hora de distância e por ser a capital de que mais gosto entre as da Rota. Como expliquei no post anterior, os engenhos da Paraíba serão visitados noutro momento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Antes de ir para Igarassu e Itamaracá, eu passei no Museu Gilberto Freyre, em Apipucos, a casa onde o escritor viveu por mais de 30 anos,&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;ela mesma uma das casas-grande do antigo Engenho dos Irmãos. É uma bela quinta, que fica numa elevação e vizinha ao Convento dos Maristas. Aparentemente é grande, devido ao fronstispício largo e alto, mas tem as dimensões mesmas de uma residência de temporada de seus ex-proprietários. Segundo a guia, a estudante de História, Helga, a casa passou a ter status de principal, devido às enchentes do rio que margeava a casa-grande maior tê-la inundado. É proibido filmar e fotografar no interior do museu, no entanto, as informações da guia valeram mais do que rolos de filmes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em Itamaracá, só existia no roteiro o Engenho São João. Ele fica às margens da rodovia estadual que liga a ilha ao continente. Embora sob responsabilidade da FUNDARPE, órgão do governo do Estado de patrimônio histórico, o engenho não tem guia para acompanhar os visitantes, apenas um zelador que não tem muitas informações a dar. O que mais chama à atenção é o prédio da moita, onde ainda se vê o maquinário a vapor, o primeiro a ser usado em engenho pernambucano. A área do engenho, que compreende de casa de farinha, posto de saúde e ruínas da casa do administrador, é usada como colônia agrícola para ressocialização de detentos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Para chegar à ilha, temos que passar por Igarassu, que tem um centro histórico bem conservado, cujos prédios avultam quando se chega na zona central da cidade, principalmente o conjunto do convento, igrejas e paço municipal, além do casario nas imediações. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Em Igarassu, tem dois engenhos listados. O Munjope é o mais importante em termos de arquitetura de Pernambuco, segundo o historiador Roberto Carneiro, da FUNDARPE, com quem mantive contato, e fica na BR 101, retornando para Recife. Mas eu não pude visitá-lo, porque errei o caminho e, como já estava anoitecendo, não queria arriscar. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A importância do Munjope, deve-se a preservação original de seu conjunto, ou seja, casa-grande, capela, moita e senzala, diferentemente dos outros que não tem todos esses prédios. Mesmo que eu acertasse o caminho, não poderia entrar, pois precisa de autorização da FUNDARPE. Ele está sendo reformado e, enquanto estiver nesse processo, não é liberada a visitação, no entanto, o historiador disse que poderia abrir uma exceção para mim. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Planejei visitá-lo no retorno de Goiana, pela mesma BR 101, quando fizesse a rota dos engenhos da zona da mata, na quinta, dia 27, mas não o fiz, porque ao chegar em Goiana, no limite com a Paraíba, na quarta, 26, decidi mudar a rota e visitar João Pessoa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No próximo post, falarei sobre os engenhos de Vicência e Nazaré da Mata. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-5321891381019575742?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/5321891381019575742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=5321891381019575742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5321891381019575742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5321891381019575742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/01/rota-do-acucar-pernambuco-parte-1.html' title='Rota do Açúcar - Pernambuco, parte 1'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TUK8XzFphxI/AAAAAAAAAjM/3SEyAwzkPCc/s72-c/DSCF0616.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-2793074401415447477</id><published>2011-01-25T00:45:00.007-03:00</published><updated>2011-01-25T02:11:12.571-03:00</updated><title type='text'>Engenhos literários e sentimentais</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TT5ZY7-jU8I/AAAAAAAAAjE/MG-UK_hPuI0/s1600/Log.Civilizacao%2Bdo%2BAcucar.jpg"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 222px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TT5ZY7-jU8I/AAAAAAAAAjE/MG-UK_hPuI0/s320/Log.Civilizacao%2Bdo%2BAcucar.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565984474428298178" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Logo do Roteiro Integrado da Civilização da Açúcar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TT5YSq6VAGI/AAAAAAAAAi8/M8YPKMHrR2c/s1600/DSCF0593.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TT5YSq6VAGI/AAAAAAAAAi8/M8YPKMHrR2c/s320/DSCF0593.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565983267256336482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;O começo da viagem na divisa da Bahia com Sergipe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Até Recife, foi muito chão, chuva e chocolate, &lt;span class="Apple-style-span"&gt;para distrair a boca e dá energia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small; " &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small; " &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TT5WKq4eIDI/AAAAAAAAAi0/zJEUztRjAyI/s1600/DSCF0595.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TT5WKq4eIDI/AAAAAAAAAi0/zJEUztRjAyI/s320/DSCF0595.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565980930786336818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Fundação Gilberto Freyre, em Apipucos, Recife, casa-grande onde ele morou, o qual escreveu vários textos sobre a "civilização do açúcar". Lugar belíssimo e inspirador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde sábado, estou viajando de carro pela Rota do Açúcar, ou como institucionalmente o Ministério do Turismo denominou de Roteiro Integrado da Civilização do Açúcar, um produto turístico que visa a diversificar as opções de visitação ao Nordeste, incluindo o interior.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este projeto engloba os engenhos e usinas de açúcar de Alagoas, Pernambuco e Paraíba, no qual mostra a arquitetura e a memória cultural das cidades e comunidades que surgiram a partir do plantio da cana e da produção de seus derivados, como açúcar, cachaça, álcool e rapadura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes da integração dos Estados em consolidar este produto que, se não é inovador, é rico em opções, eu já me interessava, mesmo que com pouca dedicação de pesquisa, às referências desta cultura do açúcar nas obras de autores nordestinos, como José Lins do Rego, Gilberto Freyre, João Cabral de Melo Neto, Jorge de Lima, José Américo de Almeida, Graciliano Ramos etc. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, decidi unir lazer e trabalho nessas férias para realizar esta viagem de mapeamento pelos engenhos listados no Roteiro. Como o tempo é pouco para percorrer todos as cidades, fiz um recorte geográfico para Alagoas e Pernambuco neste primeiro momento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É a rota mais rápida, devido à proximidade entre as capitais e os engenhos. A Paraíba foi o primeiro Estado a fazer seu próprio roteiro, já consolidado com produtos diferenciados, como festas populares e degustação de bebidas nas cachaçarias do Brejo, onde se localizam as cidades de Areia, Bananeiras e Serraria. Este roteiro, pretendo fazer na segunda excursão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu projeto se chama "Engenhos Literários e Sentimentais" e deverá ser um documentário de longa-metragem, para 0 qual devo captar recursos e  começar as filmagens ainda neste ano. É uma idéia original, cujo interesse tem despertado a atenção de profissionais ligados ao patrimônio histórico e ao turismo. O contato com os gestores nessas áreas têm sido muito proveitoso, pois precisarei de seus conhecimentos para preparar o roteiro audiovisual, inclusive com gravação de seus depoimentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta viagem, eu vou fazer o caminho inverso. Segui direto até Recife, com parada em Maceió para pernoite no sábado. Em Pernambuco, devo ficar três dias. Hoje, visitei Igarassu e Itamaracá. Terça, vou mais longe: Nazaré da Mata, Vicência e Goiana. Retorno quarta para Recife e sigo noutro dia para Alagoas, onde começo por Maragoji (norte) até Coruripe (sul). Pretendo chegar a Salvador na segunda-feira, dia 30.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está sendo uma aventura com sabor de rapadura e talagada de cachaça, tudo isso com moderação, senão dá dor de barriga e embebeda, e ficar indisposto e não poder dirigir é perder o bom da viagem, a descoberta de lugares desconhecidos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-2793074401415447477?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/2793074401415447477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=2793074401415447477' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2793074401415447477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2793074401415447477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2011/01/engenhos-literarios-e-sentimentais.html' title='Engenhos literários e sentimentais'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TT5ZY7-jU8I/AAAAAAAAAjE/MG-UK_hPuI0/s72-c/Log.Civilizacao%2Bdo%2BAcucar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-8022942875909558629</id><published>2010-12-02T22:42:00.007-03:00</published><updated>2010-12-03T20:48:59.058-03:00</updated><title type='text'>Acontece que eu sou baiano - o livro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TPhi4QwZGpI/AAAAAAAAAiU/VHcS4NRYT5s/s1600/livro%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 213px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546291659816901266" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TPhi4QwZGpI/AAAAAAAAAiU/VHcS4NRYT5s/s320/livro%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A repercussão de meu primeiro livro tem sido surpreendente, talvez menos pelo autor, mais pelo que ele escreveu, assim como pelo tema que analisa, a saber, a baianidade de Dorival Caymmi.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Falo isso sem nenhuma ponta de falsa modéstia, até porque, confesso, devo muito a boa aceitação do livro ao próprio Dorival Caymmi, que por si só já é uma figura importante na cultura e na música brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu contato com ele inicialmente foi por telefone, que se estendeu por sete anos, até chegar o dia de conhecê-lo pessoalmente no Teatro Castro Alves, em 2006, na entrega do Prêmio Jorge Amado de Cultura e Arte. Doce, atencioso e falante, Caymmi recebeu de bom grado a proposta de meu trabalho sobre sua obra. Às vezes, vi-me obrigado a ter o distanciamento devido de pesquisador e evitar uma proximidade de admirador, mas no dia do evento não me contive de emoção ao apertar sua mão que tanto escreveu canções representativas de nosso cancioneiro nacional. Após sua morte, já com a dissertação de mestrado defendida e recomendada para publicação pela banca, mas guardada no fundo da gaveta, fui motivado por amigos e pela necessidade de prestar-lhe uma homenagem. Consegui apoio da Fapesb para 300 exemplares. Edição esgotada. A editora fez mais cem exemplares para atender ao edital da Fundação Pedro Calmon, que selecionou meu livro para ser distribuído nas bibliotecas públicas do Estado. No dia do lançamento em Salvador, na Galeria do Livro, dos cem exemplares disponíveis, vendi 67. Foi uma noite de sexta-feira de happy hour literário festivo ao som de violino, violão e percussão tocando Caymmi, regada com bebidinhas, doces e salgados variados e acarajé feito na hora, além da alegria de amigos, colegas e parentes... Agradeço à imprensa que apoiou na divulgação do livro em diferentes meios. Meus agradecimentos especiais:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À Patrícia Moreira, do Caderno 2+, de A Tarde, que conheci na Bienal do Livro de São Paulo, onde lancei a convite da Associação Brasileira das Editoras Universitárias. A jornalista acreditou na proposta de meu livro e abriu espaço com uma entrevista de página inteira na edição do caderno no dia do lançamento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;À Tv Aratu, pelo repórter Cristiano Gobbi, que fez uma &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ReUcTB71FN4"&gt;matéria&lt;/a&gt; muito criativa e coerente com a proposta do livro, retratando a partir do local onde foi dada a entrevista, no Rio Vermelho, personagens emblemáticos do cancioneiro caymmiano como o pescador e a baiana de acarajé.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às rádios Excelsior (Salvador) e Unesp FM (São Paulo) pela minha participação em dois programas para públicos diferentes e que, na primeira emissora, me deu a experiência de falar ao vivo com ouvintes que me conheciam, como Júlia, bilbiotecária da UFBA, funcionária homenageada pela minha turma na formatura de Letras. Na rádio paulista, gravado por telefone, falei para um público mais literário. Confira &lt;a href="http://aci.reitoria.unesp.br/radio/perfil_literario/"&gt;aqui&lt;/a&gt; a entrevista. É a de nº 932 no playlist.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À TVE, que divulgou o livro antes do lançamento, no TVE Revista como dica da agenda cultural; durante o evento, com exibição no mesmo programa; e depois, no &lt;a href="http://www.irdeb.ba.gov.br/soteropolis/?p=3310"&gt;Soterópolis&lt;/a&gt;, numa matéria bem produzida pela equipe de um dos programas mais criativos da televisão local. Além disso, tive o apoio de blogs de amigos e de desconhecidos, notas em jornais locais e sites informativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço imensamente a Andréia Fiamenghi, da Galeria do Livro, no Espaço Unibanco, pela recepção ao livro e a extravagância do autor em fazer um evento lítero-musical em uma extensão recém-inaugurada de sua livraria. Enfim, agradeço a todos os caymmianos veteranos e novatos, sem os quais o livro não teria tido a trajetória que tem construído. Agora, é partir para a 2ª edição, porque a fila de pedidos está crescendo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-8022942875909558629?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/8022942875909558629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=8022942875909558629' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/8022942875909558629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/8022942875909558629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2010/12/acontece-que-eu-sou-baiano-o-livro.html' title='Acontece que eu sou baiano - o livro'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TPhi4QwZGpI/AAAAAAAAAiU/VHcS4NRYT5s/s72-c/livro%2B2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-2330875418913767999</id><published>2010-11-13T23:32:00.007-03:00</published><updated>2010-11-22T22:33:02.355-03:00</updated><title type='text'>Ildásio Tavares, um mestre</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TOsY4y1L3iI/AAAAAAAAAh0/J5OHjCOCQzQ/s1600/ildasio_tavares.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 225px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TOsY4y1L3iI/AAAAAAAAAh0/J5OHjCOCQzQ/s320/ildasio_tavares.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542551130406116898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O poeta Ildásio Tavares faleceu no dia 31 de outubro. Soube de seu funeral, quando já tinha acontecido, no dia seguinte. Rascunhei esse texto para lembrar de meu contato com ele.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Conheci Ildásio Tavares durante o curso de Letras na UFBA. Antes mesmo de ser seu aluno em Literatura Portuguesa II, já nos cruzávamos pelos corredores, mas sem nos cumprimentarmos. Passava sempre sério e demonstrava certa sisudez.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Quando tínhamos aulas de outras disciplinas na sala de pesquisa do setor de Literatura Portuguesa, eu pegava, por curiosidade, alguns livros de sua autoria para ler, colocados numa estante de aço, encostada a uma parede desenhada por um opachorô de Oxalá à lápis de cera. Só soube que aquele desenho era dele pelas faxineiras do Instituto&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;de Letras, que foram obrigadas a não limpar a parede porque o professor Ildásio não permitia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Quando fui seu aluno, tive umas das maiores descobertas literárias, uma experiência de leitura que até hoje não perdeu o viço daquele instante. Fernando Pessoa e Florbela Espanca me foram revelados pela didática nada convencional de Ildásio Tavares, entre anárquica e contemplativa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Lembro-me que o prazo para entrega do trabalho sobre o autor português de nossa escolha tinha acabado, mas que pelo meu interesse e participação na disciplina, foram dados mais três dias de tolerância. A data coincidia com a posse de um novo&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;membro na Academia de Letras da Bahia e ele disse que eu levasse lá. Como não tinha ainda habilidade com o computador, que horas antes apagou o documento,&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;fiz o trabalho à mão, que resultou em vinte páginas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A partir deste envolvimento acadêmico, Ildásio me convidou duas vezes para visitar sua casa na Pedra do Sal, em Itapuã, rua Vinicius de Moraes. Na primeira vez, foi um almoço com outros colegas. Na ocasião, muito receptivo, fez um peixe assado, um verdadeiro manjar. Na segunda vez, foi para me presentear com livros seus. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Sua generosidade comigo foi maior, quando sofri um assalto violento em Lisboa em 1996, em viagem de turismo. Fiquei hospitalizado por um mês e meio, com os braços fraturados e escoriações diversas. Prontamente ao saber do caso pelos jornais, enviou um fax a um amigo seu, pedido ajuda para me atender. Eis as suas palavras:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Caro Aéssio: Marielson Carvalho Bispo da Silva, aluno meu do Instituto de Letras, escritor, pessoa de alto nível moral e intelectual, foi barbaramente espancado por um assaltante em Lisboa, tendo inclusive dois braços fraturados, traumatismo craneano, 4 dias em coma, e seu estado causa preocupação na primeira página dos jornais e começa a se transformar num incidente internacional. Mas, afora isso, o que eu gostaria mesmo é que você , que tem sido um amigo meu solidário, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;fosse visitá-lo no hospital e me desse alguma notícia. É só visitá-lo mesmo. Ele está coberto por seguro de saúde. Ele está no Hospital São Lázaro, tel: 887-3131, serviço 9, sala 1, cama 3. Te agradeço muito. Desculpe, tenho muitos amigos em Lisboa mas nessa hora só pensei em ti, tchê. Abracíssimo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Meses depois deste episódio, estava passando uma tarde em Itapuã, decidi estender a caminhada pela praia até à sua casa. Como sempre, ele foi muito receptivo. Em seu gabinete, me fez uma revelação. Ao &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;consultar os búzios, disse que Omolu era meu orixá. Recomendou-me um trabalho de limpeza espiritual com pipoca para expurgar energias negativas. Mas como naquele instante eu me considerava cético em relação a isso, não segui suas orientações.&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  Anos depois, sentindo esta necessidade, passei a ir na festa de São Lázaro em janeiro para minha lavagem anual. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Agora, relendo o original do fax, entregue a mim no dia daquela visita, me atentei para um detalhe. O hospital onde fui primeiramente internado foi São Lázaro, que no paralelismo sincrético com o candomblé é Omolu. Dia 17 de dezembro é o dia consagrado ao santo. Dia de meu nascimento. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O mestre Ildásio Tavares, Oba de Xangô do Ilê Axé Opô Afonjá, sabia das coisas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Atotô!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-2330875418913767999?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/2330875418913767999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=2330875418913767999' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2330875418913767999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2330875418913767999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2010/11/ildasio-tavares-um-mestre.html' title='Ildásio Tavares, um mestre'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TOsY4y1L3iI/AAAAAAAAAh0/J5OHjCOCQzQ/s72-c/ildasio_tavares.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-6399694416314962328</id><published>2010-08-23T00:56:00.007-03:00</published><updated>2010-08-23T18:36:03.620-03:00</updated><title type='text'>Bienal do Livro 2010</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/THH-68fpTmI/AAAAAAAAAgI/o2dbPpsd_nE/s1600/valentim_bienal.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508464107875552866" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/THH-68fpTmI/AAAAAAAAAgI/o2dbPpsd_nE/s320/valentim_bienal.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Reitor da Uneb, Lourisvaldo Valentim&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/THH-O5bpOcI/AAAAAAAAAgA/18OdxB_ELSY/s1600/DSCF0059.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508463351139219906" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/THH-O5bpOcI/AAAAAAAAAgA/18OdxB_ELSY/s320/DSCF0059.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;Diretora da EDUNEB, Nadija Nunes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/THH902LIsMI/AAAAAAAAAf4/EOl9u6HmxeE/s1600/DSCF0054.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5508462903588073666" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/THH902LIsMI/AAAAAAAAAf4/EOl9u6HmxeE/s320/DSCF0054.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;Apresentação dos livros pelos autores&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desembarquei em São Paulo em plena sexta-feira, 13 de agosto, para o lançamento de meu livro "Acontece que eu sou baiano: identidade e memória cultural no cancioneiro de Dorival Caymmi" na Bienal do Livro 2010, no stand da ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias). A convite da EDUNEB, leia-se Nadja Nunes, diretora do selo, e na companhia de outros professores da UNEB, falamos para um público de editores e pesquisadores sobre nossos livros. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dos 15 exemplares de "Acontece que eu sou baiano" enviados para a Bienal, 11 foram vendidos no primeiro dia e antes mesmo do lançamento. Detalhe: eu não autografei nenhum, mas fiquei feliz pelo fato de terem adquirido quase todos. Espero que com o término da feira hoje, eu tenha fechado com zero no estoque.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, a edição está praticamente esgotada, frente ao número de 300 exemplares que a FAPESB, financiadora do projeto, aprovou. 100 livros foram doados às bibliotecas da UNEB, mais 100 ficam com a editora e a outra centena é do autor. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os exemplares da editora serão vendidos à Fundação Pedro Calmon, que selecionou o título para o projeto Mais Cultura, que distribui livros de autores baianos nas bibliotecas públicas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dessa forma, só resta a minha cota para o lançamento em Salvador, o que é pouco, pois metade desses 100 exemplares é para divulgação e distribuição gratuita a pessoas e instituições que colaboraram para a conclusão da obra. Assim, penso eu, a editora fará uma nova edição revisada para os lançamentos futuros. Isso para um autor estreante é uma vitória, mais ainda em se tratando de um ensaio. Tenho certeza que o tema ajuda muito no interesse das pessoas, pois quando se fala em Caymmi, as pessoas sorriem, porque de fato a música caymmiana é alegre e festiva, e sua própria imagem é um convite à felicidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliás, desde quando comecei a pesquisar sua obra, a felicidade também tem me visitado. Muito do que tenho alcançado na vida pessoal e profissional nos últimos 10 anos deve-se ao compromisso e à seriedade com assino minhas pesquisas sobre Caymmi. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sobre Caymmi, só ressalto o que é próprio de si mesmo, ou seja, quando analiso suas canções, traço o que ele mesmo apreendeu de sua experiência como baiano, nascido e criado em uma Bahia particular e afetiva, não aquela imposta ou inventada por outros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É sua memória o que me interessa e isso já é uma tarefa difícil de interpretar, porque somente ele a conheceu bem, e o pouco que ele nos revela, está em suas canções. Basta ouvi-las. E deixem que elas mesmas falem por si.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-6399694416314962328?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/6399694416314962328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=6399694416314962328' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6399694416314962328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6399694416314962328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2010/08/bienal-do-livro-2010.html' title='Bienal do Livro 2010'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/THH-68fpTmI/AAAAAAAAAgI/o2dbPpsd_nE/s72-c/valentim_bienal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-3176904346281818184</id><published>2010-03-14T22:08:00.005-03:00</published><updated>2010-11-22T23:14:37.032-03:00</updated><title type='text'>O Colegial - conto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TOsjJ1f7JxI/AAAAAAAAAiE/IxHZzTjrUm4/s1600/Pao_frances%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 194px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TOsjJ1f7JxI/AAAAAAAAAiE/IxHZzTjrUm4/s320/Pao_frances%255B1%255D.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542562418296301330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso em você. O que? E continuou a andar. Não acreditou no que ouviu, mas também não quis explicação. A pergunta foi para se esquivar. Sim, penso em você. Não o conheço, como pode pensar em mim? E precisa te conhecer pra ser admirado? Sempre quando vou à padaria, no final da tarde, ele passa por mim. Umas vezes, me olha fixamente. Outras, desvia o olhar, mas continua olhando pelo canto do olho. É impressão minha ou quando estamos em lados opostos da rua ele atravessa para o meu lado? Ei, cara, vou ter que adiantar, não vou ficar pro jogo. Todo dia é isso. Amanhã eu fico. Amanhã, amanhã... vou botar outro no seu lugar. É que tenho que estudar, velho, perdi em três matérias. Suas pernas longas, grossas, de poucos pêlos, estão sempre à mostra por conta dos shorts azul, preto, ontem estava com o que mais gosto, branco com aberturas laterais, bem curto. O peitoral é de quem está malhando, os braços também. Os ombros bem alinhados. O pescoço, rijo. Suas feições são já de adulto, mas o olhar é de menino, curioso e traquina. Pelugens cheias de falhas estão nascendo nas laterais do rosto, no queixo, mas quem disse que ele pensa em tirar? Nem eu quero, essa hombridade juvenil me encanta, nele especialmente. E a voz é forte. Ouvi agora, quando falou “como pode pensar em mim?” Como pode? No banheiro, depois de chegar em casa, ele repetiu aquela frase enquanto se ensaboava, mão nas axilas, no peito, na virilha... Nunca o vi com o uniforme, mas deve estudar no Salesiano, já que por duas vezes acompanhava outros rapazes deste colégio. Ele é o meu colegial. De escola pública ou particular, pouco importa. Está interessado em aprender muitas coisas e eu em ensinar. E aprender também. Não parece ser tão ingênuo assim. Se tiver 18 anos, para mim, que tenho 30, não chega a ser desproporcional. Sim, ele tem 18. Perguntei numa segunda tentativa de puxar uma conversa. Desta vez, parou um pouco e com certa irritação pediu que não mais falasse com ele. Tenho namorada e não curto essa, falou? Nesse dia, jogou uma partida com o colega que insistia há vários dias. Estava suado, seu cabelo molhado, sua blusa colada à barriga, seu cheiro viril. Até que enfim, hein, acho que tem outra coisa aí? Aí, o quê? Ah, essa de você não querer mais jogar com a gente e fugir sempre neste horário... Ô, não é você que diz sempre “amanhã, amanhã”?  Tá desconfiado de quê? Nada, cara, só falei que... Já disse, tô estudando muito. Antes era você quem insistia, até esquecia que tinha algum trabalho de aula para fazer. Pois é, agora, tomei responsabilidade, minha mãe disse que do jeito que estava não dava mais para aceitar. Fique um pouco, vamos tomar um caldo de cana na barraca. Tenho que ir, cara, já está anoitecendo. Já vai estudar? Não, vou descansar. Acelerou o passo e ainda conseguiu me ver dobrando a esquina com o saco de pão quentinho. Adiantou-se, passou por mim e seguiu sem olhar para trás. Tentei acompanhá-lo e quando estava bem perto disse: Ei, espere. Virou-se repentinamente e estendeu o braço para me empurrar, teria sido isso mesmo ou um gesto involutário, de insegurança e desejo juntos? Defendi-me com o saco, que caiu no chão, espalhando alguns pães. Desculpe, cara, não foi minha intenção. Agachou-se e recolheu os pães. Não, estes não servem mais. Fechou o saco e me deu. Desculpe. E saiu. Envergonhado. Eu sorri, perdoei. Em casa, tomou vitamina de banana e comeu pão com queijo. Lembrou do cara do pão quentinho que dá em cima dele todo dia no final da tarde. O colega de futebol liga. Festa amanhã. Vou. Às 9, passo aí. Falou. Arrumado, espera no playground do edíficio. Que festa é essa? De uns caras que eu conheço, gente do bem. Que tipo? Dá de tudo lá. Drogas? Também. Tô fora. Meninas, meninos, adultos, coroas... Pararam antes num posto de gasolina, beberam energéticos. Veio o papo. Danilo. Danilo é o nome dele. O que é? Antes de chegar lá quero te falar uma coisa. Sim. Velho, fique na sua, calado, não fale pra ninguém. Qual é o segredo? É que tô curtindo um cara bacana, de 28 anos, gay, figura nota 10. O quê? Repita aí. É isso mesmo. Você é viado? Não é isso. Sou bi-transitivo, tipo verbo com dois complementos. Roger, isso é grave. O mundo não vai acabar não, Danilo. Não acredito. E tem mais: sempre achei você interessante, mas... Mas, o quê? Mas sei que não é sua curtição. Ainda bem que pensa assim. É isso. E é pra lá que nós vamos? Pra casa de seu namoradinho? É. Por que não disse antes? Você não corre perigo, ninguém vai te aborrecer, estarei por perto. Quero ver. A surpresa. Eu estava lá. Amicíssimo do aniversariante, quase irmão de sangue, era presença mais do que especial. E Roger chega com Danilo. Seus olhos se abriram e assim ficaram congelados e assim mostraram que eu não era real. Inimaginável. Eu, que estava bebendo um gole de champanha, engasguei. Danilo sacou na hora. Não houve disfarces. Impactante mesmo, ainda mais que fui eu quem os recebi. Na sala de visitas, tinha poucas pessoas, a maioria estava no jardim e ao redor da piscina. Se conhecem? Não!, disse ele rápido. Sim, respondi apertando sua mão, mas não sei seu nome. Trêmula a mão, gelada também. Roger me olhou com sorriso irônico. Danilo. Guido. Neste instante, aparece o anfitrião. Paulo. Demorou, Roger. Trouxe aquele colega que te disse. Oi, Danilo. Cumprimento frio. O que foi que aconteceu com ele? Pergunte a Guido. Não tenho nada a dizer. Será? Roger, vou embora. Não, cara, relaxe. Dei um lenço de papel para ele. Suava nervoso. Não enxugou, amassou na mão. Sente aí, rapaz, tome um refrigerante, aqui menor não bebe álcool. Tenho 18 anos. Liberado então. Roger, cuide dele, Guido, venha cá. Contei tudo a Paulo. Ele é lindo, amigo, mas pelo que Roger me disse ele não curte. Respeito sua posição, mas não resisto em investir toda vez que o vejo. Esse é o momento de vocês conversarem. Roger pode ajudar. Esse cara me segue todo dia quando saio do colégio, Roger. Mas ele é do bem, discreto, inteligente e educado, mora ali, no Jardim Baiano, é professor universitário. Sim, isso tudo não me diz nada. Tudo bem, mas é uma referência boa dele e está sozinho. Você tá me jogando pra ele? Não sei, depende de você. Velho, não sou gay, não! Tem certeza? Tenho. Não achei firmeza nesse “tenho”. Tá me estranhando, é? Sabe de uma coisa, cara, é coisa de amigo o que vou falar. Diz. Acho que você tem vontade e curiosidade de transar com outro homem, e digo mais, por diversas vezes já flagrei você secando Robson do 3° ano vespertino, aquele moreno que faz natação... Qualé, Roger! Ele é interessante, não é? Sei lá! Sabe, sim, se lembra daquela vez quando ele foi para o vestuário tomar banho depois do jogo? Não sei. Você foi o único a acompanhá-lo. E daí? Daí que, demorou um pouco e todo mundo foi embora, só eu na quadra, depois entrei no vestuário sem ninguém perceber e vi você se masturbando na sua cabine, olhando pro cara no chuveiro. O quê? E não foi? Seu sacana! Relaxe, relaxe, ninguém vai saber. Eu me aproximo e pergunto se os dois vão beber algo. Faça companhia aqui a ele, Guido, que vou pegar. Ei, também vou, disse o rapaz. Fica, insisti. Ele se acomodou no canto do sofá. Que é que você quer comigo? Sempre gostei de você, mas nunca tive jeito de me aproximar. Agora não tem jeito, né? E sorriu para mim. Virou os olhos em seguida e começou a mexer nervosamente os pés. Se acalme, Danilo. Não deveria ter vindo. Mas você está aqui e não vai sair enquanto não conversar comigo. Altas horas, quase amanhecendo e nós, sozinhos, deitados nas cadeiras de sol ao lado da piscina. Quase todos os convidados já tinham ido embora, só restando mesmo Roger, Paulo e três outros casais gays. Conversamos sobre nossos sonhos e fantasias, decepções e experiências, desejos e tesões. Ele já tinha parado de beber antes de ficar bêbado, mesmo assim, pareceu mais desinibido, a ponto de me puxar, pela mão, da sala para a cobertura. Ela é macia, mas grande e forte como de um titã. Pensei em não forçar a barra. Agora que eu já lhe disse tudo o que pensava a seu respeito, deixei-o decidir. Posso continuar pensando em você? Sua resposta foi um sorriso mínimo, mas que entendi como expressão mesma de sua timidez. Domingo se passou e a ansiedade de, na segunda, à tarde, naquela hora em que é mais gostoso comprar e comer pão quentinho, eu ver meu colegial passar. Será que ele vai me cumprimentar? Tudo bem, como foi o fim-de-semana? Falei com o atendente da padaria, Vou querer seis francês. Paguei. O próximo. Um sonho. Estaquei com meu coração palpitando a mil. Aquela voz... Olhei para trás. Um não, dois, você quer um Guido? Não respondi, emudeci. Fiquei sem chão. Sem ar. Sem argumentos para dizer não. Pães quentinhos no saco. Saímos da padaria comendo sonhos açucarados com recheio de goiabada. Tudo doce. Tudo um sonho mesmo. Fez o que ontem? Dormi até de tarde, depois fui pra casa de minha namorada, e você? Fiquei lendo, assistindo a alguns documentários na tevê, internet... Limpe o canto da boca, está sujo. E me deu seu guardanapo. Obrigado. Desculpe se naquela noite eu fui grosso com você, entenda, é difícil para eu aceitar isso. Isso o quê? Você. Eu? Sim, você e... eu. Eu não lhe disse, mas eu não ficava até de noite na quadra com os colegas, depois das aulas, porque queria saber quem era você... Sério? Sério, achei muita coragem encarar outro homem e dizer “penso em você”, não teria tanta ousadia... Demorou para que eu decidisse fazer isso. Foi a primeira vez que eu me deparei com isso. Você gostou? Não quis aceitar que gostei, daí minha confusão. O que você acha de mim? Um broder sério, plantado, faz meu tipo. Rimos do avanço que a conversa estava tomando. Chegamos à esquina da minha rua. Aceita um café? Não tomo. Faço então um chocolate. Será que devo aceitar? Vamos terminar de comer esse sonho lá em casa. Não sei, não quero ir para... Para, o quê?  Só o chocolate, falou? Não respondi. Numa igreja perto, os sinos anunciavam a hora da Ave Maria. O céu de verão ainda estava claro, raios de sol entravam suavemente pela janela da minha sala. E pelo quarto também. Mas quando deitamos na cama, só a brisa quente é que vinha de fora. Os mesmos sinos horas depois nos acordaram de um sonho quase eterno. E o telefone celular dele também. Tenho de ir pra casa, amanhã em frente à padaria a gente se vê. E eu voltei pra cama. No lado, onde ele dormia minutos antes, ainda estava quente como um pãozinho saído do forno...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-3176904346281818184?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/3176904346281818184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=3176904346281818184' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/3176904346281818184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/3176904346281818184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2010/03/o-colegial-conto.html' title='O Colegial - conto'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/TOsjJ1f7JxI/AAAAAAAAAiE/IxHZzTjrUm4/s72-c/Pao_frances%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-4702538323075438237</id><published>2010-01-15T08:36:00.004-03:00</published><updated>2010-01-15T08:49:28.557-03:00</updated><title type='text'>Pensemos no Haiti: post scriptum</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos EUA, o pastor evangélico &lt;a href="http://noticias.uol.com.br/especiais/terremoto-haiti/ultnot/2010/01/14/ult9967u9.jhtm"&gt;Pat Robertson &lt;/a&gt;em uma declaração infeliz e preconceituosa atribui o terremoto a um castigo divino pelo pacto com o diabo feito em 1804 para o país tornar-se independente. "Eles estavam sob o domínio francês. Você sabe, Napoleão 3º, ou o que for. Então eles se juntaram e selaram um pacto com o Diabo. Disseram: 'Vamos servi-lo se você nos tornar livres dos franceses. É uma história verdadeira. Então, o Diabo disse: ok, negócio fechado." Estúpido e inconsequente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra fala desagradável foi a de &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u679672.shtml"&gt;Gerge Samuel Antoine&lt;/a&gt;, cônsul do Haiti no Brasil que, sem saber que estava sendo gravado, confessou a uma repórter do SBT que "a desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido. Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente Barack Obama por meio de seus assessores disse que o pensamento do pastor extremista não corresponde ao do governo e que dará apoio total ao Haiti. O cônsul, que é católico, reafirmou à repórter a sua opinião e disse ser a pessoa mais indicada ao cargo. Pasmem! Esse diplomata merece perder suas credenciais no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intolerância em uma situação como essa não vai ajudar as vítimas nem ressuscitar os mortos. A fala dos dois bestializados senhores só demonstra que o racismo, especialmente contra o negro e suas africanidades, ainda não foi expurgado das mentes das pessoas e que as força a cometer desatinos perigosos. Será que esse Deus também é racista? Se assim for, é pior do que pintam do Diabo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-4702538323075438237?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/4702538323075438237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=4702538323075438237' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4702538323075438237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4702538323075438237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2010/01/pensemos-no-haiti-post-scriptum.html' title='Pensemos no Haiti: post scriptum'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-7657999338837742990</id><published>2010-01-13T15:27:00.020-03:00</published><updated>2010-01-17T09:39:31.358-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>Pensemos no Haiti</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/S1MEZUHeM0I/AAAAAAAAAe4/x8BIY6Pr_5E/s1600-h/e1701201001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427686808854868802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 283px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/S1MEZUHeM0I/AAAAAAAAAe4/x8BIY6Pr_5E/s320/e1701201001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/S0-fzKXcPHI/AAAAAAAAAew/DGNPUnMFJzc/s1600-h/10014295.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/S0-avqud6LI/AAAAAAAAAeo/6Co8bYuUPwA/s1600-h/20100114-vitimas09.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426726219718453426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 282px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/S0-avqud6LI/AAAAAAAAAeo/6Co8bYuUPwA/s320/20100114-vitimas09.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Haiti: desespero, caos e sofrimento&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira notícia que li nesta manhã de quarta-feira foi a tragédia no Haiti. Estou consternado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terromoto que se alastrou pelo país, completa o caos político, econômico e social em que ele se viu engolfado nos últimos anos. O Haiti povoa meu imaginário como o lugar da resistência anti-escravista e anti-colonial. Aprendi ainda jovem nas aulas de História que foi lá, no século XIX, mais precisamente em 1804, depois de doze anos de revolução, que Toussaint Louverture declarou a independência do Haiti, a primeira nação negra livre das Américas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A insurreição começou ainda século no XVIII, em 1791, em uma cerimônia de vodu, na localidade de Bwa Kayiman conduzida por Cécile Fatiman, uma manbo, mãe-de-santo, e duzentos fiéis. Neste evento, os espíritos ancestrais convocaram os negros para uma experiência libertária contra opressão escrava jamais vista até então no continente americano e que se transformou em referência para o afrocentrismo e outros movimentos negro-africanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa relação entre religiosidade e resistência que resultou na vitória dos negros está presente nos valores nacionais haitianos, como no hino nacional, que evoca os ancestrais a ajudar na condução e no fortalecimento da nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O culto do vodu foi o que amalgamou todos os escravos na luta pela liberdade, fraternidade e igualdade, valores em voga na época inspirados na Revolução Francesa e que estimularam os colonizados a fazerem valer o que aprendiam com os próprios franceses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das matérias do Folha Online que li, reproduziu o depoimento do antropólogo brasileiro Omar Ribeiro Thomaz, que tive a oportunidade de conhecer e participar de um curso seu no CEAO sobre Haiti e Moçambique em 2003. Ele está fazendo pesquisa em Porto Príncipe com estudantes universitários da Unicamp. A reação dos haitianos diante da tragédia, segundo o professor, é entoar cânticos religiosos. Independentemente para quais divindades, sejam cristãs ou voduístas, os haitianos continuam pedindo aos espíritos que os unam novamente para salvar o país do caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não se tem dados reais, mas estimativas contabilizam 100 mil mortos, frente à magnitude do terremoto. E o Brasil, que tem assumido com a ONU uma missão de paz no país, tem o desafio agora de mostrar ao mundo a que foi de fato para o Haiti. Malgrado a morte de militares brasileiros em atividade e de Zilda Arns, da Pastoral da Criança, órgão da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, a hora é de pensarmos no Haiti e rezarmos pelo Haiti, como vaticinou a canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensarmos no Haiti pelo exemplo que nos deram os negros haitianos de resistência contra a escravidão, contra a opressão, contra o colonialismo, contra as ditaduras. Rezarmos pelo Haiti para que esse povo negro renasça cada vez mais resistente. Esta catástrofe só piora a vida dos haitianos, o Haiti terá mais dificuldades de sair do primeiro lugar de país mais pobre das Américas. A ajuda internacional deverá ser contínua até a sua reconstrução terminar, seja ela social ou de infra-estrutura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente tenho ouvido muito o cantor haitiano &lt;a href="http://www.belohaiti.com/live/"&gt;BélO&lt;/a&gt;. Adquiri seu cd "Reférence" no dia de seu show no Festival de Músicas Mestiças, evento comentado no último post. Em uma das canções mais belas do álbum, o cantor e compositor, que também é voluntário em projetos sociais da ONU, fala em recuperar o Haiti dos ferimentos depois de muito tempo de espoliação e subdesenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ayti leve" é cantada em crioulo haitiano, de difícil tradução, mas a mensagem é compreensível, porque no encarte BélO, em francês, explica que a canção é um chamamento para que todos assumam a responsabilidade de redenção do país. Tomara que esta música se junte ao hino, aos cânticos religiosos de santos e vodus para salvar o país. O Haiti não é aqui, mas está tão perto de nossas desigualdades, de nossas diásporas, de nossas lutas que é difícil não sermos solidários aos nossos irmãos de lá.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-7657999338837742990?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/7657999338837742990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=7657999338837742990' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/7657999338837742990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/7657999338837742990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2010/01/pensemos-no-haiti.html' title='Pensemos no Haiti'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/S1MEZUHeM0I/AAAAAAAAAe4/x8BIY6Pr_5E/s72-c/e1701201001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-6582215600080433654</id><published>2009-12-13T21:34:00.024-03:00</published><updated>2009-12-23T12:58:01.386-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><title type='text'>Centro de Música Negra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SyYZTiuSrYI/AAAAAAAAAeA/5hsc2jz9HKg/s1600-h/DSCF0409.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415043425488776578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SyYZTiuSrYI/AAAAAAAAAeA/5hsc2jz9HKg/s320/DSCF0409.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O projeto de Carlinhos Brown de revitalizar o Mercado do Ouro com a criação do Museu du Ritmo ainda não chegou ao ápice de sua inquietação como produtor midiático. O espaço é uma opção já consolidada de shows na cidade, mas a ideia de transformá-lo em um centro cultural que faça jus ao nome que ele batizou só começou a ganhar fôlego com um evento que, a meu ver, foi o melhor de música de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Festival de Músicas Mestiças, ocorrido em novembro, deu o tom do que pode ser a programação do futuro &lt;a href="http://www.mondomix.com/cmn/index.htm"&gt;Centro de Música Negra &lt;/a&gt;no QG do Brown e, assim, resgatar aquela área do Comércio como espaço de sons e ritmos negro-africanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mercado do Ouro era nos séculos XVIII e XIX um dos centros de abastecimento mais movimentados de Salvador, pois ali existia o Cais do Ouro, lugar de desembarque de mercadorias dos navios. A concentração de trabalhadores braçais negros era evidente devido à própria lógica do sistema escravista necessitar de seus serviços como carregadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem só de labuta viviam os escravos. Nos interstícios da sociedade repressora, eles se divertiam. A música ecoava pela feira, pelo mercado, pelos becos... e nada podia impedir, embora posturas municipais tivessem tentado, que ela fosse registrada na memória das pessoas que por ali passavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diáspora negro-africana resultou males irreparáveis, mas a resistência escrava usou de suas estratégias para que a África de seus ancestrais não afundasse com os milhares de corpos na travessia atlântica. Aos sobreviventes e resistentes, coube a reinvenção em terra estrangeira de suas tradições. O samba, o jazz, o blues, o hip hop, o soul, o funk, o rhythm'n'blues, a salsa, a rumba, o reggae são patrimônio de todos nós, mas tem algo que não escapará à sua criação: a África negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intervocalidade foi a marca deste Festival. O encontro de vozes até então inédito nos fez ter a certeza de que elas já tinham se cruzado em algum instante pelo Atlântico negro. &lt;a href="http://www.myspace.com/tchekacaboverde"&gt;Tcheka&lt;/a&gt;, cantor de ritmos de Cabo Verde, como o funaná e o batuque, com Mariene de Castro e seu samba-de-roda do Recôncavo; &lt;a href="http://www.myspace.com/lestamboursdebrazza"&gt;Les Tambours de Brazza&lt;/a&gt;, grupo instrumental, com Carlinhos Brown e seus timbaus e atabaques; &lt;a href="http://www.belohaiti.com/"&gt;BélO&lt;/a&gt;, cantor do Haiti e seu estilo afropop, com Margareth Menezes na mesma pegada sonora; Mounira Mitchala, do Chade, com sua performance vocal e percussiva interagindo com o Olodum e, &lt;a href="http://www.tikenjah.net/"&gt;Tiken Jah Fakoly&lt;/a&gt;, reggaeman da Costa do Marfim e Senegal, com o nosso Lazzo Matumbi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso foi encanto para os ouvidos. Com a criação e efetivo funcionamento do Centro de Música Negra a nossa expectativa é de que essa experiência não seja apenas uma eventualidade, mas que seja permanente. Se temos o &lt;a href="http://www.ceao.ufba.br/"&gt;Centro de Estudos Afro-Orientais &lt;/a&gt;da UFBA como referência em pesquisa acadêmica e o &lt;a href="http://www.amafro.org.br/"&gt;Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira&lt;/a&gt;, atualmente com exposição sobre o Benin, o projeto de Carlinhos Brown deverá ser o primeiro no Brasil com este formato.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;O Governo do Estado criou em 1993, no Parque do Abaeté, a &lt;a href="http://www.fundacaocultural.ba.gov.br/espacos/casadamusica.htm"&gt;Casa da Música&lt;/a&gt;. Seu acervo audiovisual e bibliográfico é pequeno e não houve um acompanhamento sistemático das produções realizadas nos últimos anos. Sua estrutura é defasada em relação aos novos recursos tecnológicos de exposição midiática e museológica, nem conta com uma programação que atraia o público. A música afro-baiana tão rica em compositores, instrumentistas, intérpretes, grupos e produtores merece uma inserção diferente nessa comunidade transatlântica de música negra ancorando em Salvador esse centro cultural. O primeiro passo já foi dado: o Festival de Músicas Mestiças e a abertura do Centro com uma mostra de vídeos sobre cada ritmo e seus artistas mais expressivos. O segundo só depende de patrocinadores e dos governos. Queremos no terceiro visitar o projeto inteiro para deleite e conhecimento de nossa ancestralidade musical.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414925979085638738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SyWufQxvDFI/AAAAAAAAAdQ/44L-6LO7TAA/s320/DSCF0447.JPG" border="0" /&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Margareth Menezes e BélO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414924477142091970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SyWtH1mfSMI/AAAAAAAAAdI/KN7ki_2uTCg/s320/DSCF0564.JPG" border="0" /&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tiken Jah Fakoly e Lazzo Matumbi&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5414922905640289586" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SyWrsXTQxTI/AAAAAAAAAdA/GkNMZP-VqGE/s320/DSCF0518.JPG" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Mounira Mitchala e Olodum&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-6582215600080433654?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/6582215600080433654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=6582215600080433654' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6582215600080433654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6582215600080433654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/12/centro-de-musica-negra.html' title='Centro de Música Negra'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SyYZTiuSrYI/AAAAAAAAAeA/5hsc2jz9HKg/s72-c/DSCF0409.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-6205429742038670913</id><published>2009-11-10T23:41:00.020-03:00</published><updated>2009-12-07T01:15:42.802-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>"Besouro" não voa, só ensaia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SwdFkmObx5I/AAAAAAAAAco/T1Vk5n28ZbU/s1600/besouro-cartaz.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5406366372720265106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 273px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SwdFkmObx5I/AAAAAAAAAco/T1Vk5n28ZbU/s320/besouro-cartaz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Besouro", de João Daniel Tikhomiroff, é um filme que atrai seu interesse e trai sua expectativa. Neste último caso, a traição não chega a ser traumática, mas a sensação é de que o filme poderia dar mais saltos do que o próprio protagonista.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Baseado em narrativas orais sobre o capoerista negro Manoel Henrique Pereira, conhecido por Besouro, o primeiro longa-metragem do premiadíssimo diretor publicitário João Daniel segue a linha de produção de filmes, comum no Brasil dos últimos cinco anos, que tem dado certo: menos diálogo, mais ação. E no caso de "Besouro" mais ainda. Primeiro, devido ao elenco ser quase todo de atores amadores ou com pouca experiência de cinema, mesmo com preparação de Fátima Toledo, que tira leite de pedra e dá bons resultados como em "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, outro diretor egresso da Publicidade. Os atores não sustentariam o filme com mais fala e menos movimento de cena. Segundo, por ser uma história de capoeira, não se imaginaria um roteiro sem evoluções de "meia-luas" e "rabos-de-arraia". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A escolha de um mestre-de-capoeira, Ailton Carmo, para representar o "herói negro", foi um tento, por conta de sua elasticidade corporal e compleição física apropriadas para as cenas de ação. A performance gestual de Ailton é ressaltada pela coreografia aérea. O que nele tem de mudez, Irandhir Santos, o Quaderna de "Pedra do Reino" (microssérie da Rede Globo), tem de verbosidade quase histriônica, quando, durante todo o filme, obsessivamente caça Besouro para matar, por estar destruindo a fazenda de seu patrão. Sua participação garante a veia dramática e atuante da fala. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;A construção do herói pelo diretor é sincera, sem a grandiloquência dos heróis gregos, mas que coincide com a proteção divina, nesse caso baiano, dos orixás. Ele mesmo é visto como um semi-deus por voar e ser invísivel aos olhos de seus perseguidores. A história tem hiatos de narratividade que compromete um tanto o produto final, mas que se salva em parte por ter sido muito bem acabado com os recursos de efeitos visuais. A trilha sonora integrada por Nação Zumbi, Naná Vasconcelos e Gilberto Gil é mais discursiva do ponto de vista de uma idealização do herói. As letras e os arranjos das músicas são como narrativas vocais do que poderia ter sido a imagem em si do filme.  &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;É neste ponto que está a decepção pela falsa expectativa que o filme nos dá. Ao tempo que encanta nossos olhos e ouvidos, nos frustra porque, mesmo que o roteiro seja criativo na reinvenção das lendas em torno de Besouro, não avança e nem fecha certas cenas que são seminais na dramatização da tomada de consciência do personagem contra a exploração do coronel. Isto fica mais evidente nos personagens "mortais" do que no do "imortal" Besouro. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pai Alípio (Macalé), Chico Canoa (Leno Sacramento) e Quero Quero (Anderson Santos de Jesus)dão mais veracidade a uma perfomatividade negra combativa do que Besouro, quando reagem sem uso de artifícios à subordinação social vigente no engenho de açúcar. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sua morte pela faca de ticum, a única forma de quebrar o encanto do corpo fechado, só termina a participação de Besouro no filme. Nem seu filho pequeno, que seria a encarnação do mito do pai, dá continuidade ao ideal de luta em cuja ação Besouro poderia ser mais crível. A solução do diretor foi transformar o menino em futuro vingador da morte do capoeirsta, quando em uma das cenas mais emblemáticas, flagra em slow motion os olhos dele mirando o coronel matador. Vingança por vingança, matar por matar, não resolve o problema da exploração, ela só agudiza a tensão social.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quem dá a mensagem no final, recuperando assim (ou tentando recuperar) o que o mito de Besouro faz circular nas rodas de capoeira e que no filme ficou comprometido pela falta de ênfase no discurso afirmativo, é o Chico Canoa, que mesmo com as pernas defeituosas, quebradas em uma reação aos capangas da fazenda, ensina o filho de Besouro os primeiros passos da capoeira e, assim, de fato a consagrar a herança simbólica do pai pela ação de uma arma de resistência escrava. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O filme constou da lista dos elegíveis para representar o Brasil na seleção de melhor filme estrageiro no Oscar 2010. O Ministério da Cultura fez bem em não ter escolhido "Besouro", mas meteu os pés pelas mãos ao indicar "Salve Geral", de Sérgio Rezende. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O importante é que o filme tem seguido como um dos favoritos do público, se tomarmos a bilheteria alta em Salvador. Por curiosidade, devido ao apelo publicitário dos efeitos visuais à la "O tigre e o dragão", de Ang Lee, ou mesmo por identificação dos baianos com a capoeira e as referências à cultura da Bahia (as locações são da Chapada Diamantina), "Besouro" vale pela redescoberta do personagem-tema e sua versão fabular. Como herói, precisaria mais um pouco de força para voar mais alto.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-6205429742038670913?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/6205429742038670913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=6205429742038670913' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6205429742038670913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6205429742038670913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/11/besouro-nao-voa-so-ensaia.html' title='&quot;Besouro&quot; não voa, só ensaia'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SwdFkmObx5I/AAAAAAAAAco/T1Vk5n28ZbU/s72-c/besouro-cartaz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-555136340577175412</id><published>2009-11-03T23:48:00.013-03:00</published><updated>2009-11-09T13:42:23.414-03:00</updated><title type='text'>O Iraque é aqui!</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401947383922759938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 247px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SveShmIRGQI/AAAAAAAAAcA/EfuDPVT_aX8/s320/homofobia.jpg" border="0" /&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401948336043668850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 253px; CURSOR: hand; HEIGHT: 244px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SveTZBDlNXI/AAAAAAAAAcQ/zm5bdPE_z90/s320/gays.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Gays enforcados no Iraque: homofobia mata&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma Parada Gay animada no dia 25 outubro, onde e quando todos e todas deram pinta sem o olhar de reprovação dos moralistas de plantão, nem o cacetete da repressão policial, eis que na semana seguinte um crime mancha a bandeira colorida com o sangue da intolerância.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A brutalidade com que foi assassinado Jorge Pedra, jornalista e apresentador de programa na Tv Salvador, é capaz de nos deixar impactados, mas não impassíveis. O Grupo Gay da Bahia bradou e a Prefeitura já autuou três hotéis que na verdade funcionavam como motéis e não registravam os hóspedes. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A lista de homossexuais mortos por homícidio ou latrocínio na Bahia já chega a quase vinte desde o início do ano, muitas vezes sem a prisão dos criminosos e que podem estar à solta, caçando mais um gay para o deleite de sua mente doentia.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os comentários do público nas ruas e de leitores nas matérias dos jornais locais apontam o jornalista como o culpado pela própria morte. Isso não resolve o caso, mesmo que o assassino seja preso e confesse o crime, porque Jorge não estará vivo para se defender do preconceito e da homofobia. A violência anti-homossexual já é um caso de segurança pública nacional.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escolher bem seus parceiros sexuais não é garantia de vida. É certo que o garoto de programa já foi para o hotel com a intenção de roubar ou/e matar, mas quantos crimes passionais entre heterossexuais e mesmo entre gays casados de longo relacionamento estampam as páginas policiais? &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por sinal, noticia-se mais casos de mortes entre heteros do que entre homossexuais, pelo fato mesmo de a família e amigos de muitos gays não-assumidos ocultarem a motivação do crime para preservar a honra de todos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ousadia de um gay não é a mesma de um hetero. Ela é mais arriscada, porque numa sociedade machista e homofóbica não lhe é dada concessão sem que não haja humilhação e discriminação. Isso antes, durante e depois de ser morto. Tratamento de expurgação sexual e limpeza social. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste caso de Jorge Pedra, sendo ele cliente assíduo do hotel onde morreu, a recepção não se preocupou em registrar o nome do homem que o acompanhava. Sendo VIP, merecia segurança e atenção do estabelecimento, mas assim como o michê, o gerente do Democrata só tinha interesse no dinheiro de Jorge. Era certo.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de consumado o crime, os reais que Jorge ganhava para mostrar caras e bocas de gente do high society baiano não valeram os minutos de fama e sucesso, não por acaso nome de seu programa, que ele teve nos Se Liga Bocão e Na Mira da televisão como mais uma "bicha morta". Só a família e poucos amigos compareceram ao enterro. Ricos e famosos sumiram.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Preocupa-me muito a imagem de permissividade sexual em Salvador divulgada entre os gays brasileiros e estrangeiros. Aqui todo mundo gosta do babado e faz sem comedimento. É esta a ideia que se tem dos homossexuais (e heteros) baianos, mas não se atentam para o 1º lugar ocupado pela Bahia em mortes por homofobia. Se há ligação direta entre uma coisa e outra, não é possível afirmar, mas que aqui a caça e o abate de "viado" são recorrentes, não tenho dúvidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No Iraque, segundo relatório mais recente do &lt;a href="http://www.hrw.org/en/reports/2009/08/17/they-want-us-exterminated-0"&gt;Human Rights&lt;/a&gt;, homossexuais são perseguidos e exterminados por extremistas religiosos. Os corpos são jogados no lixo com inscrição de "pervertidos" no peito ou enforcados e expostos em praça pública. Adolf Hitler perseguiu judeus homossexuais, que eram identificados nos campos de concentração com um triângulo rosa na roupa. Estima-se que 50.000 foram presos e 10.000 foram mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperar pela prisão do assassino de Jorge Pedra e ouvirmos ele falar que matou porque o jornalista queria que ele fosse passivo, como justificou sua defesa o homicida do irmão do humorista Cláudio Manoel, do Casseta e Planeta, em 2007, é jogar para a vítima mais uma vez a responsabilidade e, assim, fazer crer que a masculinidade é intocável e inatacável. Será que o cara é menos gay se for ativo? Tem gente por aí pensando assim, mas o que o dinheiro não faz, inclusive matar, para que o machão não perca sua hombridade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O assassino de Jorge Pedra agora é mais caça do que caçador. Seu rastro está sendo seguido. E o bicho será enjaulado. A Polícia tem a obrigação de fazer isso. E nós, heteros, bi, homo, trans, o que faremos para que a intolerância não transforme nossos desejos sexuais em mais uma estatística mortal? Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, como diz Caetano Veloso, mas ninguém é obrigado a pagar pelo sentimento de culpa do outro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não à homofobia. Criminalização já. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-555136340577175412?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/555136340577175412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=555136340577175412' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/555136340577175412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/555136340577175412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/11/o-iraque-e-aqui.html' title='O Iraque é aqui!'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SveShmIRGQI/AAAAAAAAAcA/EfuDPVT_aX8/s72-c/homofobia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-4814272240108202180</id><published>2009-11-02T23:02:00.004-03:00</published><updated>2009-11-09T13:40:41.105-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><title type='text'>EBEL</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O mini-curso que ministrei em Seabra no XIII EBEL (Encontro Baiano de Estudantes de Letras) sobre a obra de Dorival Caymmi foi realizado a contento, embora a duração, de apenas quatro horas, tenha sido insuficiente para a abordagem do tema. É sempre recorrente o interesse em discutir o tema da baianidade, mais especificamente quando se trata de Caymmi, consagrado por suas canções que representam uma “idéia de Bahia” no imaginário cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha pesquisa sobre o compositor, que faleceu ano passado, será publicada em livro em dezembro e lançada só depois de Carnaval. Como baiano que sou, sei que janeiro e fevereiro são meses de praticar o ócio criativo, aquele tipo de descanso que é necessário na lida de um professor para planejar um novo semestre de trabalho. E quando essa pausa combina com o período de outra pesquisa sobre música afro-baiana em andamento, o prazer é duplicado, porque assim como o vendedor de cerveja que brinca e ganha dinheiro atrás do trio-elétrico, eu estarei fazendo trabalho de campo nas festas populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a atividade no EBEL, apresentei uma proposta de reflexão sobre as referências simbólicas e materiais afrodescendentes em nove canções do compositor, divididas em três temáticas: personagens (João Valentão, A Preta do Acarajé e O que é que a baiana tem?), religiosidade (Oração de Mãe Menininha, Canto de Obá e Mãe Stella) e festividade (Afoxé, Festa de Rua e Dois de Fevereiro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A participação dos estudantes no mini-curso foi interativa, embora prejudicada pela intensa programação do evento, que impossibilitou o rendimento melhor das discussões a partir das canções selecionadas. Fico grato pela participação de todos que, mesmo em pouco tempo, dialogaram bem com o propósito do encontro. Àqueles que desejarem mais informações sobre meus projetos, estudos e leituras na linha de Literatura e Cultura Afro-Brasileira, Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, Estudos Pós-Coloniais Africanos, Música Afro-Baiana e Literatura Baiana, além é claro de Dorival Caymmi, estou sempre a postos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço a meu amigo Prof. Gildeci Leite pela recepção. Parabenizo-o pelo entusiasmo com que lida com a literatura no Campus XXIII, estimulando intelectualmente seus alunos com debates e pesquisa sobre a produção literária baiana, especialmente sobre Jorge Amado e Ildásio Tavares, que esteve presente com sua palavra afiada e bem-humorada sobre si mesmo e os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como orientador de pesquisa, dou nota 10 a meu bolsista Cleber Xavier, que foi elogiado pela comunicação "Edson Gomes: reggae e ativismo negro na Bahia", fruto de nossas discussões sobre música afro-baiana. Aos poucos, nasce um pesquisador de literatura e cultura. Resta apenas perder a timidez, mas até eu fui assim quando comecei. Avante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alegria dos jovens estudantes de Letras de diversas universidades da Bahia e de outros estados me deu fôlego para continuar sendo mestre e companheiro deles todos. Quando, na graduação, eu fui para eventos organizados por estudantes, via poucos professores meus da UFBA, só quando eram convidados especiais... Gosto de sentir o frescor da curiosidade intelectual deles ao participar das palestras, dos cursos, das oficinas... Isso me orgulha muito de ser um profissional das Letras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-4814272240108202180?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/4814272240108202180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=4814272240108202180' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4814272240108202180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4814272240108202180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/11/ebel.html' title='EBEL'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-721581912020269965</id><published>2009-06-21T23:42:00.035-03:00</published><updated>2009-06-26T18:13:35.433-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cinema'/><title type='text'>Sabra e Shatila</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SkI-eHa5QxI/AAAAAAAAAb4/fnG0SSDo1Lk/s1600-h/va.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350907994378421010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 242px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SkI-eHa5QxI/AAAAAAAAAb4/fnG0SSDo1Lk/s320/va.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Cena que dá título ao filme "Valsa com Bashir"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://waltzwithbashir.com/"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://waltzwithbashir.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SkGdR5KOmiI/AAAAAAAAAbw/PwB8UZNQ-C4/s1600-h/valsa-com-bashir-poster01.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de "Persépolis", longa de animação de Marjani Satrapi sobre a Revolução Islâmica no Irã em 1979, outra obra do mesmo gênero, lançada ano passado, mas só em cartaz recentemente no Brasil, revolve nossa memória histórica sobre o Oriente Médio, para não nos esquecermos de que tudo, mesmo vinte e sete, trinta anos passados, permanece presente nos conflitos entre Israel e Palestina ou entre iranianos alinhados ou contrários ao presidente Ahmadinejad.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;O filme de que falo é "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Ak_2NWhr_g4"&gt;Valsa com Bashir&lt;/a&gt;", de Ari Folman, ganhador de diversos prêmios importantes mundo afora e indicado para melhor filme em Cannes e ao Oscar de melhor filme estrangeiro. É certo que isto dá credibilidade à animação, mas se não fosse a ousadia tanto temática quanto visual da produção, não teria feito trajetória tão elogiada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O massacre de Sabra e Shatila, em Beirute, durante a Guerra do Líbano entre palestinos, libaneses e israelenses, em 1982, é o tema central do roteiro, mas ele só vai ser revelado a nossos olhos e aos olhos do narrador-personagem no final do filme. Até esse instante, o que sabemos é que o personagem, o próprio diretor, busca através da memória de seus ex-colegas de guerra, o que ele esqueceu do conflito.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tudo começa (ou recomeça), quando um deles procura Ari para contar sobre os sucessivos pesadelos que tem todas as noites, com 26 cães raivosos perseguindo-o. Ambos sugerem que isso tem ligação com a guerra, então confirmado pelo colega que diz ter sido o responsável por matar, em uma vila do Líbano, o mesmo número de animais, que impediam um ataque-surpresa da tropa por despertarem seus moradores. Mas Folman não se lembra de muitos detalhes desse episódio tão marcante para o outro e se surpreende com isso. Passa a usar seu próprio ofício de cineasta para fazer um filme-documentário, espécie de auto-ficção, para curar ao mesmo tempo o esquecimento profundo e o trauma que o provocou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Aos poucos, entrevistando os veteranos e um correspondente de guerra, além de um psicólogo amigo seu, ele costura as memórias dos outros para compor a sua. Esse exercício, pouco a pouco, vai revelando cenas que, embora ele não tenha participado ao lado dos ex-soldados que contam, assim mesmo dão conta das lacunas e hiatos de sua participação na guerra. Ele nem se reconhece na única foto que tirou naquela época.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O trauma deve ter sido forte para fazê-lo apagar essa cena de sua vida. Mas a revelação não tarda a emergir das águas profundas, pois mesmo que ela tenha se desvanecido, ele estava lá quando ao entrar em Sabra e Shatila testemunhou cerca de 3500 refugiados de guerra assassinados por libaneses cristãos radicais (os maronitas) que, com o propósito de ajudar os israelenses a combater os palestinos da OLP concentrados em Beirute, na verdade queriam vingar a morte de seu líder Bashir Gemayel, até então presidente do Líbano. O título do filme refere-se a cena em que um soldado israelense, atormentado com a possibilidade de ser morto por estar encurralado, sai da trincheira com o fuzil na mão atirando para todos os lados, como estivesse dançando uma valsa, tendo como fundo musical a Cantata 156 de Johann Sebastian Bach e fundo de cena o retrato gigante de Bashir num prédio.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Os israelenses, responsáveis pelos refugiados, alegam não ter percebido o plano genocida dos falangistas cristãos a tempo de impedi-los. O jovem Ari, que assim como outros tantos de sua idade, estava na guerra menos por convicção política e mais por obrigação ou diversão, acordou desse breu, sendo despertado pelo grito lancinante das mulheres vendo seus companheiros, filhos e parentes assassinados e insepultos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tão longe, tão perto, essas cenas lembraram-me do que aconteceu em Canudos, quando alguns entre as centenas de homens, mulheres e crianças que se renderam antes da queda do arraial foram degolados pelos próprios militares. Um crime de guerra, mas que não houve punição. Aqueles que morreram, resistindo até o fim, não foram enterrados pelo Exército. Durante dias, meses, os corpos serviram de banquete aos urubus. A fedentina era sentida à distância. Euclides da Cunha, em "Os Sertões", resumiu em uma frase, o massacre que foi também Canudos: "Aquilo não era uma campanha, era uma charqueada".&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Mugonero, região montanhosa de Ruanda, uma chacina entre tantas outras do genocídio praticado pelos hutus contra os tutsis, é descrita por Philip Gourevitch em seu livro "Gostaríamos de informá-lo de que amanhã seremos mortos com nossas famílias". Em templo e hospital adventistas, tutsis foram se proteger do ataque. Sentiam-se protegidos por pensarem que as milícias respeitariam a igreja, mas o pastor-líder dos Adventistas do Sétimo Dia, quando o cerco apertou, facilitou a fuga de alguns hutus e avisou aos tutsis que não podia fazer nada para salvá-los. "Já foi encontrada uma solução para o seu problema. Vocês devem morrer. (...) Deus não quer mais vocês", vaticinou o pastor. Em nome de Deus, 2 mil refugiados foram condenados ao extermínio por serem tutsis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O filme de Ari Folman reavivou-me de imediato esses episódios, ao tempo que colocou na lista de meus assombros do mundo, o massacre de Sabra e Shatila, que eu não conhecia. Parecendo sair de um pesadelo, para outro pior, porque vem duplicado, daquilo que viveu e esqueceu e daquilo que viveu e se lembrou, o personagem aparece catártico diante do verdadeiro inferno que foi aquela guerra. É sua última aparição antes dos créditos finais, assim como a última cena em animação, com as mulheres se aproximando dele. Corte. Na sequência seguinte, ele usa imagens de uma reportagem feita à época como se fosse sua visão, num recurso conhecido por "câmera subjetiva" (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=py2ExJYfxBc"&gt;veja aqui&lt;/a&gt;).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fazendo percurso inverso de "Persépolis", "Valsa para Bashir" foi adaptado para graphic novel, gênero narrativo em quadrinhos, espécie de romance ilustrado para adultos. O trabalho de Marjani Satrapi merece um comentário especial em outro post, mas foi citado aqui pela proximidade tanto temática, quanto narrativa, na medida em que, sobre o primeiro motivo, ambos tratam de temas ligados a conflitos étnicos e políticos em uma região e num contexto muito próximos. Já o segundo motivo, diz respeito à escrita autobiográfica de seus autores, como sujeitos testemunhais dos episódios que narram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-721581912020269965?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/721581912020269965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=721581912020269965' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/721581912020269965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/721581912020269965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/06/sabra-e-shatila.html' title='Sabra e Shatila'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SkI-eHa5QxI/AAAAAAAAAb4/fnG0SSDo1Lk/s72-c/va.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-7974026164866096669</id><published>2009-06-20T22:39:00.019-03:00</published><updated>2009-06-24T01:15:07.366-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura'/><title type='text'>Entre Dakar e Maputo, mas para além da África</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/Sj24HhCCfZI/AAAAAAAAAbg/l4F7kWK-Hvo/s1600-h/%C3%A1frica.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349634371651534226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 296px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/Sj24HhCCfZI/AAAAAAAAAbg/l4F7kWK-Hvo/s320/%C3%A1frica.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A África por ela mesma, sem limites e fronteiras coloniais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Curso Avançado em Estudos Africanos do &lt;a href="http://www.uneb.br/cepaia/"&gt;CEPAIA&lt;/a&gt; (Centro de Estudos dos Povos Afro-Índio-Americanos), órgão da UNEB, tem sido um proveitoso momento de formação intelectual e acadêmica para professores de Ciências Humanas, Letras e Artes que lecionam e pesquisam temas relacionados à cultura, história e literatura africanas e afro-brasileiras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em três encontros realizados até agora, a participação dos professores envolvidos, cerca de 45 de diversos campi da Universidade, alcançou níveis altíssimos de debate com os palestrantes convidados, como foi com o Prof. Acácio Almeida (PUC-SP), na aula de abertura, sobre "África e Contemporaneidade", em seguida com o professor senegalês Boubacar Barry (Universidade Cheikh Anta Diop, Senegal), sobre "Teorias e Métodos de Pesquisa em História da África", e por último, com o professor moçambicano Severino Ngoenha (Universidade de Lausanne, Suíça), sobre "Pensamento, Filosofia e Antropologia Africanos".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A experiência que tive a partir do contato com os dois professores africanos só confirmou o que, desde o período do mestrado e como &lt;a href="http://www.fabricadeideias.ufba.br/galeria.php?fazer=exibir_alb_pub&amp;amp;id_cat=1&amp;amp;id_alb=2"&gt;bolsista&lt;/a&gt; em 2003 do VI Curso Avançado sobre Relações Étnicas, Raciais e Cultura Negra da Fábrica de Idéias, CEAO-UFBA, eu pretendia fazer como pesquisador: regressar à África, não a uma África mítica e distante, embora ela faça parte de minha ancestralidade, mas a uma África das africanidades diaspóricas nas Américas, especialmente no Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvir do Prof. Severino Ngoenha que a emancipação africana começou na diáspora com intelectuais e artistas afrodescendentes, mas sempre tendo a África como consequência dessa luta pela libertação colonial, pensei que, dentro de minhas limitações de leituras e estudos sobre o pensamento africano, não poderia deixar de assumir meu lugar de fala nessa história. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como pesquisador e sujeito afrodescendente, sinto-me reponsável por dar continuidade e desdobrar o legado que essa geração heróica do Harlem Renaissance, do Pan-Africanismo e de outros movimentos negros nos deixaram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os professores Boubacar e Severino, africanos de diferentes formações, regiões e tradições, mas igualmente experientes na reversão, desconstrução e reinscrição de valores outrora assentados sobre a África, nos conclamou para acompanhá-los nessa passagem de bastão às gerações futuras do que produzirmos hoje.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esse chamado me fez lembrar o que o Prof. Acácio disse enfaticamente: "Não se estuda África sozinho". É certo que temos nossos interesses particulares de pesquisa, mas o diálogo e o convívio com outros pesquisadores interessados em África nos possibilitam estar sempre aprendendo sobre as Áfricas que não conhecemos, sejam as de lá, entre Dakar e Maputo, entre Cabo e Cairo; sejam as de cá, entre Havana e Salvador, entre New Orleans e Porto Príncipe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-7974026164866096669?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/7974026164866096669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=7974026164866096669' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/7974026164866096669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/7974026164866096669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/06/entre-dakar-e-maputo-mas-para-alem-da.html' title='Entre Dakar e Maputo, mas para além da África'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/Sj24HhCCfZI/AAAAAAAAAbg/l4F7kWK-Hvo/s72-c/%C3%A1frica.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-5338455582230651391</id><published>2009-04-09T11:24:00.005-03:00</published><updated>2009-04-09T12:20:13.626-03:00</updated><title type='text'>Cláudia Cunha responde</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cláudia Cunha está de volta à roda. Neste mês, ela faz temporada no Teatro Sesi, Rio Vermelho, sempre às quintas, 21h. E volta com novidades: assinou contrato com a Biscoito Fino para distribuição nacional de seu cd "Responde à Roda". O giro de sua roda se amplia e de Norte a Sul, até mesmo além-mar, a voz de Cláudia Cunha reverbera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em postagem anterior, que teve vários acessos, amigos e colegas conheceram, através de meus comentários, o trabalho de Cláudia. Muitos me pediram informações sobre onde encontrar o cd "Responde à Roda". Tenho emprestado o meu, que inclusive é mais dos outros, porque não pára em casa. Quem liga na Educadora FM, ouve também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cláudia mandou para mim um e-mail sobre o post que escrevi sobre ela. Não revelei seu conteúdo antes, porque ela me segredou, à época, a assinatura de contrato com a Biscoito Fino, mas como em A Tarde de hoje, 9.4, ela revelou esta conquista, transcrevo aqui sua mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Marielson,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;eu nem sei como começar. Primeiro tenho que te pedir desculpas pelo silêncio e te dizer que eu gostei tanto, foi uma surpresa tão boa, que guardei pra depois...pra qdo tivesse mais tempo e tranquilidade pra te escrever, pra ler, reler e saborear - primeiro sozinha, depois com os amigos. Mas não tive trégua!! Até em cima de um trio no carnaval eu cantei! Você soube? Eu, Manuela Rodrigues e Sandra Simões montamos um projeto chamado "três na folia" q foi selecionado pelo edital da secult. Foi uma experiência inédita pra nós e maravilhosa, mas deu um trabalho enorme!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Bem, mas é sobre você e seu texto que quero falar. Fiquei muito feliz e tocada pelo que você escreveu, por sua sensibilidade, carinho e atenção. É tão especial quando a gente recebe um retorno...qdo tem uma idéia de como essa história que é tão sua, tão ansiada ressoa no outro...obrigada por isso e saiba que vale muito pra mim.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Esse Cd vai fazer seu caminho lentamente e eu estou (tentando ficar, rsrs) tranquila em relação a isso. Tem uma coisa muito boa, que ainda não divulguei (só para os mais íntimos), mas que compartilho com você: estou assinando com a biscoito fino que vai distribuir meu cd a partir de maio, no Brasil e fora. E estou muito feliz por isso.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Deixa eu te perguntar: posso divulgar seu blog na minha lista? E não só pelo texto sobre o cd, mas porque vc escreve muito bem, é um pesquisador daqui, desenvolve um trabalho lindo, e todo mundo tem que conhecer e se orgulhar! Rsrs.Vamos mantendo contato!!Beijo grande!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9966;"&gt;Cláudia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vida longa para sua voz, Cláudia, nossos ouvidos merecem este canto do Pará, que se baianizou e, agora, é do mundo. Salve!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-5338455582230651391?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/5338455582230651391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=5338455582230651391' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5338455582230651391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5338455582230651391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/04/claudia-cunha-responde.html' title='Cláudia Cunha responde'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-5313651775970506157</id><published>2009-02-17T14:55:00.011-03:00</published><updated>2009-06-24T23:58:43.707-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Cláudia Cunha, voz para entrar na roda</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZr7S1a0IHI/AAAAAAAAAZo/y1zxSK6IClc/s1600-h/cl%C3%A1udia+cunha.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303827812177944690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZr7S1a0IHI/AAAAAAAAAZo/y1zxSK6IClc/s320/cl%C3%A1udia+cunha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Extasiado. É esta a sensação que tive ao terminar de ouvir a voz de Cláudia Cunha. Quem é? Ouça. Mas como sou língua-solta e dedos-corredios, não perco a vontade de falar e escrever sobre esta moça de Belém que desaguou por aqui em 1996.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em sua trajetória por águas baianas, ela já ganhou o Troféu Caymmi, o V Festival da Rádio Educadora e o Prêmio Braskem. Com esta premiação, pôde lançar seu primeiro cd "Responde à Roda". O último dia da temporada de lançamento aconteceu em 1° de fevereiro, com sessão extra, no Teatro Gamboa Nova, e repeteco aberto ao público dia 11 no Pelourinho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A escolha do Gamboa completou a riqueza sonoro-visual do show. Ao cantar a belíssima canção "Mar do Norte" (Ivan Bastos e Gil Vicente Tavares), numa sugestiva remissão à sua origem paraense ("Aquém do norte estou/ Mas não sei mais me achar aqui no sul"), as cortinas do fundo do palco se abriram para a baía ensolarada em tarde de verão. A voz clara e líquida se amalgama com a letra e a paisagem marinha.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mar é recorrente nesse seu trabalho. "Aioká" (Alcyvando Luz e Carlos Coqueijo) explora a magia do mundo das águas, da morada de Iemanjá. Na performance desta canção, que foi o bis de encerramento do show, Cláudia Cunha em seu vestido branco, longo e rodado, com cabelos soltos e grandes, emoldurada pelo mar da Bahia, não poderia representar melhor o canto de Janaína, abrindo os festejos da Rainha do Mar do dia seguinte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A circularidade e a infinitude que a imagem da roda traduz estão presentes nas canções, especialmente em "Responde à Roda" (Cláudia Cunha e Manuela Rodrigues), "No Girar de Alice" (Cláudia Cunha) e "Din Don" (Rodolfo Stroeter).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na música que dá título ao cd, a gente entra com a cantora numa ciranda, brincadeira que integra todos os participantes numa girada só. Mesmo quem não está dentro é chamado para entrar. Essa comunhão é sagrada para que a vida ganhe em felicidade. É esse sentimento que vemos iluminado no rosto de Cláudia ao cantar "No Girar de Alice". A leveza da roda de Alice, "enquanto a tardinha cai macia no quintal", é a mesma leveza da voz de Cláudia ao cair da tarde mansa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E já que a roda é elemento simbólico marcante na Bahia (roda de candomblé, roda de fogueiras de São João, roda de conversa), "Din Don" nos joga numa roda de capoeira e de samba. Tudo nesta roda nos lembra uma festa de rua de Salvador. Os instrumentos musicais citados na letra, como tambor e pandeiro, as evoluções dos capoeiristas e a dança da baiana referenciam ao formato da roda. A circularidade de que falei antes, é também memória. E Mestres Pastinha e Bimba são sempre lembrados numa roda de capoeira.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O acento em cantigas e canções folclóricas ou recriações dessas narrativas musicais é outro ponto forte do repertório do cd. Em letras como "Ganga-Zumbi" e "Putirum" (Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro), os compositores jogam na roda de nosso imaginário elementos da cultura, das línguas e da religiosidade afro-ameríndia brasileira. Calunga, canjerê, Zambiapongo, Mutalambô, Zumbi, Ogum, gongá, cunhã, quarup, cauim, Mairá, Xingu, ararajuba, cocar, ajuru... Uma festa com trilha sonora que busca a integração a partir da dança. Não por acaso, expressão corporal que índios e negros ritualizam até hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sambas maneiros entram também na ciranda colorida e festiva como "Pra você gostar de mim" (Zé Renato e Joyce), delicado e sonhador, "Cabe um tanto" (Manuela Rodrigues), com arranjo pungente e acústico de Luciano Salvador Bahia, e "Seu Moço" (Roberto Mendes e Hermínio Bello de Carvalho). Nesta última o tom percussivo é bem do Recôncavo, não à toa com a ajuda vocal do próprio compositor Roberto Mendes, exaltando sua Santo Amaro de fundo de Baía. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O cd termina com "Auto-retrato" (Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro). Só acompanhada com o piano, Claúdia canta a memória de um "cantor de samba", mas ela mesma se reveste em um trovador solitário das multidões, quando nos faz caminhar e girar pelo vasto mundo de suas lembranças e das nossas também. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cláudia Cunha em seu &lt;a href="http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&amp;amp;friendID=228123382"&gt;My Space &lt;/a&gt;disponibiliza cinco músicas para quem quiser levitar com sua voz serena de soprano, mas que não fique apenas nesse aperitivo. A roda só gira toda se você ouvir todo o cd e assistir à sua performance no palco. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-5313651775970506157?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/5313651775970506157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=5313651775970506157' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5313651775970506157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5313651775970506157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/02/voz-de-claudia-cunha.html' title='Cláudia Cunha, voz para entrar na roda'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZr7S1a0IHI/AAAAAAAAAZo/y1zxSK6IClc/s72-c/cl%C3%A1udia+cunha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-4488552158526533425</id><published>2009-02-10T22:49:00.007-03:00</published><updated>2009-02-11T18:17:55.654-03:00</updated><title type='text'>As dobras do lençol - conto</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIvSqOI-PI/AAAAAAAAAZA/IfIcZtGOK80/s1600-h/len%C3%A7ol+3.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301351708986243314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIvSqOI-PI/AAAAAAAAAZA/IfIcZtGOK80/s320/len%C3%A7ol+3.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; uma história sobre o amor de mulheres&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ainda de olhos fechados e a cabeça virada para a janela, Vitória desliza a mão direita pelo colchão... Na primeira vez, toda sutileza. Como que não acreditando, desliza mais uma vez, agora, toda ansiedade. Abre os olhos e o sol faiscante quase a cega. Dorme de bruços, cara amassada no travesseiro e reage assim, vira o corpo bruscamente e... “Porra, cadê?!” Procura do outro lado da cama, debaixo... Corre pelo apartamento, sala, banheiro, “Ei, acordou cedo, hein?”... cozinha, área de serviço, “Você está onde?”... varanda, quarto. A manhã parecia não existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sumiu. Nada, não deixou nada. Você me ajuda a procurá-la?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como? Não adianta ligar para os amigos, ninguém a conhecia mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda com a cara amassada de sono e agora de decepção, o choro lhe entortava nariz, lábios, se joga na cama e cheira o travesseiro em que ela dormiu, procurando resquícios de sonhos ou um fio de cabelo preto e liso. Ah, seu perfume. Dança abraçada ao travesseiro sob som de “Love Theme”, de Vangelis, que embalara as promessas de amor eterno da noite anterior. Toma um banho demorado, relaxa na banheira e se lembra que ali, horas antes, afogava-se em seu sexo. “Por que foi embora e me deixou sozinha?” Ela deixou um recado sobre a mesa da sala, avisando que tinha de trabalhar, ligaria depois para marcar um novo encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai do banheiro e toma café. Mastiga o pão como quem dilacerava a si mesma, com raiva de ter dormido demais. Mas sua voracidade tinha um quê de ainda estar com fome, talvez não mordeu com mais prazer aqueles seios durinhos, aquelas pernas grossas. Água na boca. “Quando volta?” Não contém nos olhos um dique de lágrimas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O telefone toca e seu desespero é pouco, tropeça nas almofadas, cai e se machuca. A mão não alcança o fone. Silêncio. E o gemido de um tornozelo luxado. Uma semana de licença médica. Depois do gesso, voltou para a casa e deitou-se na cama, mas nesse instante o telefone toca novamente. “Merda! Por que não ligam pro celular?” De muletas, atravessa o corredor como um raio e consegue atender. “Alô!” Talvez estivesse enganada, mas naqueles segundos curtíssimos ela ouviu uma gargalhada sufocada e, repentinamente, cortada. “Alô! É Andréia?”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A mãe, aposentada e viúva, ofereceu-se para cuidar da filha caçula, afastada da família desde os dezessete anos devido às discussões com o pai que não entendia (“Nem quero entender”, dizia) a vida que a filha levava... “Eu atendo a todos os telefonemas, vou puxar extensão pro quarto”. A mãe, na sala, tricotava e assistia à tevê.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dias depois, decide sair para resolver problemas pessoais que sua mãe não daria conta. “Minha filha, com esse pé?” Ela vai de táxi. “É rapidinho, mãe”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Andréia liga de novo. “Não está em casa. Ela tem seu telefone?”. Resistiu em dar o número. “Eu ligo depois.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso dizer que ela não saiu mais para resolver problemas-pessoais-que-sua-mãe-não-daria-conta: ir à central telefônica e pedir que um amigo seu descobrisse o telefone da pessoa que ligou tal dia, tal horário para sua casa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- É possível?&lt;br /&gt;- Tentarei fazer isso por você, mas bico calado, senão sou demitido... Em três dias acho que resolvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tira o gesso e começa logo a fisioterapia. Seu amigo lhe dá uma má notícia: “Telefone público.” A mãe também aproveitou a estada no apartamento para tirar o pó dos móveis, passar cera no chão... “Vitória, achei este bilhete debaixo do sofá.” Pena que não pôde pular, o tornozelo ainda doía, mas seus gritos de alegria deixaram a mãe num misto de preocupação e surpresa. “Andréia é uma daquelas amiguinhas suas, né?” Horas depois, um novo contato. “É ela, tenho certeza.” E atendeu ansiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô!&lt;br /&gt;- Oi, Vitória.&lt;br /&gt;- Andréia?&lt;br /&gt;- Sou eu.&lt;br /&gt;- Tudo bem?&lt;br /&gt;- Tudo.&lt;br /&gt;- E aí?&lt;br /&gt;- Tudo bem.&lt;br /&gt;- Demorou a ligar.&lt;br /&gt;- Ufa, tenho ligado, mas...&lt;br /&gt;- Nunca me acha, né?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Naquele dia, você saiu e nem me deu...&lt;br /&gt;- Pegou meu recado?&lt;br /&gt;- Hoje de manhã, minha mãe encontrou debaixo do sofá.&lt;br /&gt;- Deixei sobre a mesa.&lt;br /&gt;- Deve ter sido o vento.&lt;br /&gt;- Deve ter sido.&lt;br /&gt;- Que loucura! E aí?&lt;br /&gt;- Quase um mês.&lt;br /&gt;- Quarta-feira fará um mês que a gente se conheceu.&lt;br /&gt;- Andréia, quero vê-la de novo.&lt;br /&gt;- Foi tudo tão bom!&lt;br /&gt;- Onde?&lt;br /&gt;- Venha pra cá.&lt;br /&gt;- Que horas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta-feira, ela se arruma e sua mãe pergunta se vai jantar fora, prepararia seu prato preferido: lasanha de quatro queijos. Olha para o relógio e responde que sim, só para ela não ficar insistindo para voltar cedo, embora já fosse grandinha o suficiente para decidir com quantas mulheres namoraria numa noite. Amanhã, agradeceria à mãe pela companhia nessas semanas e pediria carinhosamente que ela voltasse para casa, daria até um presente: passagens para visitar uma irmã em Manaus que há tempo desejava rever. “A lasanha vai estar no forno. É só esquentar.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Despede-se e pede pressa ao elevador. Marcaram às nove, mas seu relógio estava adiantado uma hora. Precisou passar no shopping e comprar chocolate para presentear. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- É uma pessoa especial - respondeu à balconista da loja.&lt;br /&gt;- Temos bombons especiais para pessoas especiais.&lt;br /&gt;- Não tem bombons especialíssimos?&lt;br /&gt;- Só a senhora é que pode torná-los. Preciso dizer como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeia um pouco mais pelo shopping até dar oito e meia. Dirige o carro com mãos de suor. Não conseguia nem enxergar as sinaleiras de tão nervosa, acelerava para chegar antes da desistência, que poderia trair-lhe o desejo, tamanha a ânsia de reencontrar Andréia. O porteiro comunica sua chegada. Agora, pede lentidão ao elevador, mas o segundo andar fica logo acima do primeiro. Respira fundo e aperta a campainha. De repente, arrepende-se de não ter vestido aquela calça creme, menos marcante. Suava muito, mas antes que passasse a mão pela testa, a porta foi aberta. Sua respiração fica suspensa por um fio de deslumbramento e o boa-noite sai tênue, mínimo. “É seu”. Andréia agradece o presente e a convida para entrar. Nos primeiros minutos, aquele meio sorriso e o olhar fingindo interesse pelos bibelôs da estante, pela cesta de revistas, pelas plantas de plástico, pelos livros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você aceita alguma coisa pra beber?&lt;br /&gt;- Coca-cola com limão e bastante gelo.&lt;br /&gt;- Vou acompanhá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Álcool, por enquanto, não.” Pensou. Mas o bate-papo descontraído não mais suportava Coca-cola.&lt;br /&gt;- Aceita uma cerveja?&lt;br /&gt;- Pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Só um copo não faz mal. Tenho que ficar alerta esta noite.” Vitória pensou. Mas as risadas fortuitas, as mãos deslizando pelas pernas e seios e os rostos juntinhos denunciavam vários copos etílicos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Elas se puxam para o quarto e caem na cama. Beijos famintos apressam o começo da transa. Vitória sente algo estranho. “É impressão minha ou esse corpo frio me resfria? Cadê o cheiro de patchouli que exalava de seu sexo? Cadê seu abraço de anjo que me introduzia no paraíso? Cadê seu gozo calmo que me anestesiava?” Não foi como da primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andréia dorme profundamente, Vitória fica acordada. Sai da cama devagar, vai à cozinha, bebe um pouco de suco e come um sanduíche. Passeia com mais atenção os olhos pela sala e descobre alguns detalhes não percebidos quando entrou no apartamento. Lembra-se que na primeira noite conversaram muito sobre predileções, tais como músicas, autores, comidas, e algo que lhe chamou a atenção foi seu comentário sobre a coleção de fotos de Maria Bethânia e Elizabeth Taylor. “Quando você for lá em casa, verá Bethânia e Liz por todos os cantos da casa. Preciso da voz de uma e dos olhos da outra.” Onde estão Bethânia e Liz? Sala, quarto, corredor, banheiro e cozinha de paredes nuas. O telefone toca. 5h12. Não acordaria Andréia. A secretária eletrônica roda a saudação. Bip. “E aí, Dé, fez tudo certinho? Tô louca pra saber como foi o babado, espero que ela não tenha desconfiado de nada. Olha, essa é a última vez que fazemos isso, já nos metemos em muitos rolos. Se não fosse você, não faria essa brincadeira de troca-troca. Beijos, ligue pra mim quando acordar. Andréia.” Mensagem gravada. Seu corpo desaba no tapete, sua mão não segura mais o copo, seu coração explode. Depois de alguns minutos tentando inventar uma explicação, ouve a gravação para se certificar de que não estava devaneando. Voltou para o quarto, abriu o guarda-roupa e procurou por mais provas. “Uma foto de Andréia com Andréia?” Ainda insatisfeita, abriu a bolsa e procurou a carteira de identidade, a outra era Andreza. E aquele não era o apartamento de Andréia. “Idiota, sempre foi idiota, infinitamente idiota, como pôde cair nessa?” Veste-se rápido e desce as escadas escorregando nos sapatos. Nem se lembra que estava de carro e pega um táxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol ensaiava os primeiros raios e no banco de trás do carro um choro baixo é entrecortado por soluços até ser cortado de vez pelo silêncio: Vitória passava em frente à boate onde conheceu e se entregou apaixonada para Andréia, “Para que os corpos vis te não desejem/ Hei-de dar-te o meu corpo, e a boca minha/ Pra que bocas impuras te não beijem!”&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5378218789930505669#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Tira da bolsa a foto das irmãs e a rasga em pedacinhos com uma fúria de quem dilacera corpos, arranca cabelos, fura olhos, enforca pescoços, cospe rostos, esmurra bocas... e ainda os deixa expostos para vermes e urubus se banquetearem, sem arrependimento de ter esquartejado as irmãs. Mas Andréia e Andreza não morrem, também não deixam de perturbar Vitória, rondando sua cabeça, gargalhando, satisfeitas com a brincadeira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=5378218789930505669#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; “Filtro”, de Florbela Espanca&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-4488552158526533425?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/4488552158526533425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=4488552158526533425' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4488552158526533425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4488552158526533425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/02/as-dobras-do-lencol-conto.html' title='As dobras do lençol - conto'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIvSqOI-PI/AAAAAAAAAZA/IfIcZtGOK80/s72-c/len%C3%A7ol+3.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-457262258909417698</id><published>2009-01-02T15:02:00.021-03:00</published><updated>2009-01-12T19:41:11.151-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>Aljazeera na Bahia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SV69-0rTNYI/AAAAAAAAAWU/U57NXS-cUCQ/s1600-h/aljazeera.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286871899569337730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 288px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SV69-0rTNYI/AAAAAAAAAWU/U57NXS-cUCQ/s320/aljazeera.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde 11 de setembro de 2001 que o mundo ocidental (ou pós-ocidental a partir daquela data) tem ouvido falar constantemente em Aljazeera (الجزيرة, em árabe: "A península") . Malgrado suas conseqüências para o mundo, o ataque terrorista ao World Trade Center tornou-se emblemático para esta emissora de televisão, criada em 1996, &lt;a href="http://maps.google.com.br/maps?f=q&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;geocode=&amp;amp;q=catar&amp;amp;sll=-14.179186,-50.449219&amp;amp;sspn=46.488276,73.125&amp;amp;ie=UTF8&amp;amp;z=7&amp;amp;g=catar&amp;amp;lci=lmc:panoramio,lmc:youtube&amp;amp;msa=0&amp;amp;msid=112194074659231274490.000436b6e1bdb7917f497"&gt;Catar&lt;/a&gt;, no Golfo Pérsico. Atualmente é o maior canal de notícias do Oriente Médio. E já conquista o mundo pela Aljazeera Internacional. Seu sinal se espalha por 120 milhões de residências em 80 países.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A repórter Daniela Pinheiro, da revista &lt;a href="http://www.revistapiaui.com.br/edicao_27/artigo_838/Ao_vivo_de_Doha.aspx"&gt;Piauí&lt;/a&gt;, mostra que a televisão sediada em Doha, capital de um dos países com maior renda per capita do mundo, tem desafetos e censores não só nos Estados Unidos, mas também dentro da Liga Árabe, da qual o Catar é membro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O emir do país, xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, é fundador-proprietário da televisão e, segundo diretores da emissora, ele não interfere na linha editorial das reportagens, embora no próprio país a censura à imprensa ainda exista. É um paradoxo, já que a intenção da Aljazeera é ser conhecida no mundo inteiro como contraponto aos canais tradicionais de cobertura jornalística dos Estados Unidos e da Europa, como CNN e BBC. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Plagiando o título de um dos clássicos dos Estudos Culturais, "Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente", de Edward Said, árabe nascido em Jerusalém, é possível que Aljazeera esteja reinventando o ocidente a partir de Catar. E mostrar a ignorância que o Ocidente tem sobre o Oriente Médio, que ele próprio inventou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas Américas, a emissora já conta com escritórios em Buenos Aires e Caracas e correspondentes em São Paulo e Cidade do México. Planeja abrir outra sucursal em Bogotá. Não conseguiu permissão para adentrar nos Estados Unidos por motivos que ninguém precisa fazer esforço para entender. Ela foi acusada por George W. Bush de ser "a porta-voz do terror do mundo", pelo fato de divulgar vídeos com declarações de Osama bin Laden sobre suas ações terroristas. Mas é dos Estados Unidos o maior número de acessos do conteúdo da Aljazeera disponibilizado no You Tube, onde tem um canal exclusivo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até no Brasil, país democrático, a Aljazeera sofreu censura. Segundo Daniela Pinheiro, mesmo autorizada a cobrir a passagem de Bush por São Paulo em 2007, a televisão não pôde transmitir do centro da cidade. João Carlos Saad, da Rede Bandeirantes, de origem sírio-libanesa, cedeu o terraço da emissora para a cobertura. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Aljazeera já fez diversas reportagens sobre o Brasil. Especificamente sobre a Bahia, produziu matérias com captação exclusiva de imagens e depoimentos, mas ainda repetindo informações acerca da identidade baiana, já concebidas como inerentes e essencialistas da cultura e sociedade locais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tratamento e a dinâmica do conteúdo pautado foge um pouco das reportagens viciadas de emissoras estrangeiras do Ocidente, as maiores produtoras de imagens estereotipadas sobre o Brasil para "inglês ver". Talvez a Aljazeera por ser um outro olhar daquilo que podemos chamar de "equívocos cristalizados" do Ocidente sobre o próprio Ocidente (leia-se Estados Unidos e Europa sobre a América Latina), esteja pensando numa rede de comunicação mundial pós-colonialista, ou seja, de verbalização o que outrora e mais recentemente mesmo o universalismo eurocêntrico calou ou ocultou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E neste sentido, duas reportagens sobre a Bahia chamaram a minha atenção. A primeira, &lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=KhGavdEv9dY"&gt;"Obama inspires afro-brazilians" &lt;/a&gt;, é sobre a repercussão da vitória de Barack Obama em Salvador. Representantes de comunidades negras ligadas ao candomblé e aos movimentos sociais de combate ao racismo e a intolerância religiosa comentam, como Marcos Rezende, do Coletivo de Entidades Negras, sobre a importância de um negro ascender ao posto de governante de um país de maioria anglo-saxônica e como isto influenciará na relação dos Estados Unidos com o mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A origem do presidente, negro-mestiço de pai africano e muçulmano com mãe norte-americana e branca, nascido no Havaí, oposição a Bush contra a invasão no Iraque e aberto ao diálogo com a diversidade, assim como a resposta de outras culturas e povos a esta possibilidade de aproximação, já é por si só uma pauta permanente na grade da Aljazeera, ela mesma com equipes de repórteres e apresentadores de diversas nacionalidades e etnias.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A outra reportagem, &lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=CBNUOsrIiAs"&gt;"Race and Racism in Latin America: Brazil"&lt;/a&gt;, trata do racismo no Brasil, com depoimentos do promotor Almiro Sena Soares, coordenador da Promotoria de Combate ao Racismo do Ministério Público da Bahia e do Dep. Bira Coroa, da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa. O ponto principal da matéria é sobre as ações afirmativas na Educação em vigor no país. Para exemplificar, a repórter enfatiza que a inserção do negro na Universidade, possibilitada pelas cotas, diminui as diferenças raciais e econômicas entre negros e brancos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obviamente que a matéria é uma tentativa de abordar assunto tão complexo e cheio de desdobramentos sobre as relações inter-étnicas no Brasil. Já começa com um senão: reproduz o mito da democracia racial, através de uma legenda "Racism in Brazil: diverse society struggles for harmony". A harmonia deveria ser trocada por reparação. Não só ela racial, mas também social. Embora não existam conflitos abertos e segregacionistas como se viram na África do Sul e nos Estados Unidos, a tal harmonia imaginada no Brasil só tem um fim, ou seja, edulcorar o que é fel na vida cotidiana dos negros brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acesso ao conteúdo completo das reportagens de Aljazeera é feito pelo site oficial: &lt;a href="http://english.aljazeera.net/"&gt;http://english.aljazeera.net/&lt;/a&gt;. A divisão desses conteúdos é feita por regiões. Sobre o Brasil, está em Américas, onde também incluem os Estados Unidos. Isto é bem sintomático quanto ao projeto de expansão de seu sinal e influência, porque diferentemente dos Estados Unidos, a Aljazeera não enxerga o país do Tio Sam um continente ou um mundo a parte dos outros, mas integrado a uma geografia da qual precisa ter relações de respeito à soberania de cada nação e não de ingerência em seus assuntos internos. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-457262258909417698?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/457262258909417698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=457262258909417698' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/457262258909417698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/457262258909417698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2009/01/aljazeera-na-bahia.html' title='Aljazeera na Bahia'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SV69-0rTNYI/AAAAAAAAAWU/U57NXS-cUCQ/s72-c/aljazeera.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-7019161990736586252</id><published>2008-12-21T19:44:00.021-03:00</published><updated>2008-12-29T20:22:20.617-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>Salvador, por Antonio Risério</title><content type='html'>&lt;p align="left"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282474050104236898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 367px; CURSOR: hand; HEIGHT: 307px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SU8eKSuum2I/AAAAAAAAAWE/HdOfOS9z8k4/s320/Panor%C3%A2mica+8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;A entrevista de Antonio Risério à &lt;a href="http://www.revistametropole.com.br/pdf/revista_17_baixa.pdf"&gt;Revista Metrópole &lt;/a&gt;(n°17) acendeu a luz de alerta para a situação caótica em que está Salvador. Autor de estudos e livros, como "Carnaval Ijexá", "Caymmi: uma utopia de lugar" e "Uma história da Cidade da Bahia", Antonio Risério colabora em diversos meios informativos, comentando não só questões políticas e culturais relativas à Bahia, mas também sobre temas nacionais, como o racismo à brasileira, abordado em seu último trabalho "A utopia brasileira e os movimentos negros". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O problema social de Salvador tem preocupado o antropólogo nos últimos tempos e sua reação tem sido ferina aos gestores que passaram e passam pela Câmara e Prefeitura. Nessa entrevista, ele, em um momento de muita lucidez e ironia, diz que a pobreza de Salvador pode ser vista até por um marciano ou por satélite. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A divisão territorial e social da cidade é, segundo sua dedução, 50 mil habitantes por quilômetro quadrado em uma área pobre, e uns 500 habitantes por quilômetro quadrado em uma área rica. "Se a gente fizer um levantamento desse, a gente vai ter um retrato preciso e brutal de como a pobreza se expressa em cada centímetro do solo da cidade", afirma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é preciso muita altura para ver do espaço esta divisão perversa entre os soteropolitanos. Daqui mesmo, a rés do chão, a gente vê o que a Cidade da Bahia está se transformando nesta primeira década do milênio. Vê-se a pobreza inclusive sendo invadida por empreendimentos imobiliários de luxo, por não terem mais espaço em bairros outrora de classe alta. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se as construtoras quiserem, esses condomínios viram oásis em meio às invasões ou bairros populares e mudam até de nome a localização. Fazem muros, guaritas, acessos exclusivos, portões e se isolam. As janelas dos patrões ficam viradas para o que resta ainda de verde e de paisagem limpa. As áreas de serviço, onde a empregada suburbana dorme, ficam para as casas apinhadas de eternit e blocos à mostra, afinal, ela está acostumada a esta realidade e não tomará um susto ao acordar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Salvador não foi planejada para enfrentar essa torrente humana que nasce e cresce aqui, ou vem até ela do interior e de outros Estados. Nem seu trunfo de ser cidade-dormitório, por três décadas, do Pólo Petroquímico de Camaçari, assim como do CIA, tem conseguido afastar os altos índices de desemprego e baixo desenvolvimento econômico. Salvador não está entre as capitais do País que mais produzem riquezas. Cidades menores tomam nosso posto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pernambuco, o segundo Estado com maior PIB do Nordeste, a partir de sua Recife "dos rios cortados de pontes", está ganhando da Bahia em mobilização de seus políticos e intelectuais contra a estagnação econômica, a pasmaceira cultural e o agravamento social. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O debate sobre essas questões tem sido feito, mas a passos indesculpavelmente lentos. A tal preguiça baiana parece engessar as cabeças da elite intelectual e acadêmica da cidade. As universidades (Federal e do Estado) se isolam em campi, como os ricos em condomínios, e não dialogam com outras instituições para a elaboração e execução de planos estruturantes que reflitam dentro e fora da academia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é só abrir mais vagas para cotistas ou não-cotistas, é também possibilitar, por exemplo, que o estudante do subúrbio não seja obrigado a pegar mais de um transporte para chegar à Universidade. O metrô há dez anos sendo construído (e que já devia estar na sua quarta fase de expansão) ainda está na metade da linha 1. Não há nenhuma instituição de ensino superior pública na periferia. São necessários para muitos estudantes quatros transportes diários para estudar e voltar para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo reportagem de A Tarde (22.12), a concentração de renda é proporcional ao de nível de escolaridade. Enquanto quem mora no Itaigara, a taxa é 15%, no Bairro da Paz é 0%. A divisão de que fala Risério da cidade afeta a educação. A assistência estudantil da Ufba e da Uneb é insuficiente para atender a demanda de estudantes pobres. O poder público vira as costas para a periferia que concentra mais da metade da população da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os atuais governos municipal e estadual brincam com a paciência da população, quando seus partidos de sustentação se digladiam pelo poder em 2010 e esquecem que o cidadão quer resultados agora. A mediocridade e a incompetência campeiam por toda a cidade e beneficiam aqueles que menos têm responsabilidade com o coletivo. É pontual o que Risério fala: &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"A atual população de Salvador não está à altura da cidade que herdou, não está à altura da cidade que recebeu, por isso que está avacalhando ela a cada dia que passa. Uma cidade cada vez mais maltratada, mais feia. É uma elite desinformada, provinciana, colonizada, mimética. Eu vivi minha adolescência na cidade de Jorge Amado, de Vivaldo da Costa Lima, de Pierre Verger, de Caribé, de Glauber Rocha. E hoje é a cidade de quem? De Nizan Guanaes? Do axé music? De Bel do chiclete? Do prefeito que nós temos? Dos quadros políticos atuais? Um drama da gente hoje é que Salvador tem crescido muito. Salvador é atualmente uma cidade grande, onde todo mundo pensa pequeno. Os empresários, os políticos, os intelectuais, os artistas... Isso é um drama. Quanto mais a cidade cresce, mais o pensamento é menor, se é que a gente pode falar de pensamento. Salvador também não é só a cidade do desemprego, como a gente estava falando, é a capital da desinformação, da sub-cidadania."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afora o romantismo de Risério de uma Bahia idealizada por Verger e Jorge Amado, que naquele tempo outros tantos problemas estavam na ordem do dia, como a perseguição policial aos terreiros de candomblé, assim mesmo concordo com o antropólogo quanto ao menosprezo que essa população elitizada e aboletada no show business e nos cargos políticos tem pelo coletivo, privilegiando apenas seus pares. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui mesmo no meu blog criei uma série chamada &lt;a href="http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/01/territrio-invisvel-de-salvador-estdio.html"&gt;Território Invísivel de Salvador&lt;/a&gt;, com o objetivo de traçar um roteiro desta Salvador antiga e contemporânea esquecida por todos nós, já que o foco e o interesse têm sido outros e cuja maquiagem (ou máscara) não tarda, embora persista, em desmanchar. É uma Salvador falsa e fugaz a que nos oferecem. Num orgulho e sentimentalismo tacanhos, engolimos como se fosse nossa imagem e semelhança perfeitas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O carnaval, um de nossos mais interessantes e possíveis momentos de integração, todo ano se mostra cada vez mais excludente através dos camarotes e blocos de trio. Levam-se para a Avenida as mesmas divisões territoriais dos paraísos artificiais dos condomínios de luxo. A rua que é do povo vira um loteamento. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-7019161990736586252?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/7019161990736586252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=7019161990736586252' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/7019161990736586252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/7019161990736586252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/12/salvador-por-antonio-risrio.html' title='Salvador, por Antonio Risério'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SU8eKSuum2I/AAAAAAAAAWE/HdOfOS9z8k4/s72-c/Panor%C3%A2mica+8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-1857841041527471976</id><published>2008-12-07T23:19:00.015-03:00</published><updated>2008-12-24T19:58:12.855-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><title type='text'>Capitu</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SULyg96Yi-I/AAAAAAAAAV8/9JGiPx4G_X8/s1600-h/capitu+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5279048361420819426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 183px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SULyg96Yi-I/AAAAAAAAAV8/9JGiPx4G_X8/s320/capitu+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Capitu está pronta de novo para entrar em cena. Ela não se cansa. Embora com quase 110 anos, ela ainda viceja ousadia, inteligência e feminilidade. Colabora para isso, o tempo. Em vez de a envelhecer, ele a amadurece. Fruto em ponto de colheita. Não para ser comido, mas para ser admirado, posto em fruteira no centro da mesa e ali ficar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Penso eu que ela não queria ouvir essa peroração. Senhora de si, Capitu não precisa de elogios pelo que não fez (ou fez com muito tato). Não era dissimulada, como lhe impingiram os casmurros de plantão. Mandou todos às favas. &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;No centenário de morte de seu criador, eis que ela aparece redentora. Se é Bentinho quem narra a história, na condição mesma de protagonista, Capitu, a narrada, é quem dá a ele esta visibilidade, porque o drama de sua vida é encenado a partir da entrada em cena dela. Conhecemos Bentinho não por ele próprio, mas por Capitu. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É impressionante o quanto ela consegue impor-se na fala de Bentinho, até porque, diferentemente do que falam dela, é Bentinho quem vive de aparências. Quanto mais se pergunta se Capitu traiu ou não, mais sua presença desperta nos leitores a certeza de que ela não suportava alternativas. Escolhera tudo sem vacilar ou se arrepender. Tanto é que seus olhos de ressaca tinham uma força maior do que Bentinho podia suportar. Enquanto ela fixava os seus nos dele, ele se agarrava às orelhas, aos braços, aos cabelos da amada para não ser tragado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E foram os olhos de Capitu que atraíram a atenção de Luiz Fernando Carvalho, que buscou essa mesma força nos olhos da atriz que representaria a personagem machadiana na &lt;a href="http://capitu.globo.com/"&gt;microssérie&lt;/a&gt;. Só o fato de realizar uma obra "a partir do romance Dom Casmurro" e não baseado ou adaptado da mesma obra, mudando a estratégia narrativa e dando ênfase à Capitu, conjugado a uma linguagem audiovisual e encenação singulares para televisão, o diretor demonstra mais uma vez que transpor obras literárias para outras mídias, ainda mais de um clássico, é ler com outros olhos, reinventando-o. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Machado mesmo possibilitou isto, na medida em que, através de seus narradores, convidava os leitores a participarem da história, numa época em que o estatuto do autor era visto como superior ao de quem recebia a obra. A intenção se sobrepunha à recepção. Essa interatividade sugerida por Machado é recriada na microssérie com a aproximação que Luiz Fernando faz com elementos simbólicos-culturais do telespectador-leitor contemporâneo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Configurou-se como grave, solene e mesmo casmurro a maioria dos produtos televisivos que representam épocas passadas, como se o mundo de outrora fosse sempre em preto e branco ou em sépia. Mesmo que não se fuja disso em "Capitu", a sua linguagem é híbrida no plano visual, sonoro e verbal, a começar pela abertura que, quanto à trilha sonora, vai dos instrumentos de cordas para câmara à bateria e guitarra de hardcore. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta integração entre o previsível de uma constituição de época e a possibilidade de sua reconstituição se desdobra durante toda a microssérie, como nas imagens de trens a vapor antigos e de trens elétricos atuais, onde, em meio a figurantes sem cartola e bengala, trabalhadores da grande metrópole fluminense, Bentinho explica seu apelido. E o que dizer do baile em que todos os personagens dançam ouvindo mp3? &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É certo que Luiz Fernando vai mais uma vez receber críticas pela sua ousadia, mas aos poucos ele se afirma como um dos mais criativos diretores de televisão. Trajetória que começou no cinema e desaguou na televisão. Seu primeiro e único longa-metragem é "Lavoura Arcaica", baseado no romance de Raduan Nassar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Capitu" é a segunda microssérie do projeto de Luiz Fernando chamado &lt;a href="http://quadrante.globo.com/Quadrante/0,,8624,00.html"&gt;&lt;strong&gt;Quadrante&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, que visa a recriar textos de autores de diversas regiões brasileiras. O primeiro foi "A Pedra do Reino", de Ariano Suassuna (PB), comentado aqui no &lt;a href="http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/06/festa-no-reino-de-ariano.html"&gt;blog&lt;/a&gt;. O próximo será "Dançar Tango em Porto Alegre", de Sérgio Faraco (RS), e o último,"Dois Irmãos", de Milton Hatoum (AM). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta aproximação de Luiz Fernando Carvalho com literatura não é de se estranhar: ele estudou letras. Isso não é tudo para se fazer boa adaptação, mas também não é uma referência qualquer. Aguardemos os dois outros quadrantes dessa circunferência literária desenhada por Luiz Fernando. Ah, ele também estudou arquitetura. É engenho e arte na televisão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-1857841041527471976?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/1857841041527471976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=1857841041527471976' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/1857841041527471976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/1857841041527471976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/12/ressaca-dos-casmurros.html' title='Capitu'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SULyg96Yi-I/AAAAAAAAAV8/9JGiPx4G_X8/s72-c/capitu+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-3127288689429492438</id><published>2008-11-30T22:31:00.018-03:00</published><updated>2009-01-06T02:21:58.250-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Domingos Sodré: um sacerdote africano</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274638373595678194" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 234px; CURSOR: hand; HEIGHT: 326px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/STNHp5DQhfI/AAAAAAAAAVU/lp6up_VBefg/s320/capa_domingossodre.jpg" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274666157656992226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 235px; CURSOR: hand; HEIGHT: 309px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/STNg7IvraeI/AAAAAAAAAVc/NgQlutWhLyg/s320/Reis.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;João José Reis sabe contar história. A sua técnica narrativa surpreende pela qualidade e quantidade de imagens e informações que alinhava para dar visibilidade a acontecimentos e personagens esquecidos da história da Bahia no século XIX. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde "A morte é uma festa" (1991) e "Rebelião escrava na Bahia" (2003), João José Reis desenvolve um gênero historiográfico cuja estrutura privilegia o movimento pendular de abordagem de um tema. A partir de um episódio ou personagem, ele amplia para a sociedade onde surgiu e retorna para o ponto inicial a fim de entender como aquele acontecimento ou pessoa se relaciona e interfere (com e)na macro-história, como neste caso, na escravidão. Nesse ir e vir, ele faz uma leitura diferente e realçadora das relações sócio-culturais de uma Bahia negra e escravista, até então feita por um olhar míope ou turvado de outros historiadores.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aliadas as técnicas de escrita e de pesquisa, esta em sua maioria de fontes primárias, João José Reis nos presenteia com livros cada vez mais bem elaborados quanto ao trato científico, mas sem escusar da linguagem e do formato acessíveis ao leitor não-acadêmico interessado em História.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste seu último trabalho, "Domingos Sodré: um sacerdote africano - escravidão, liberdade e candomblé na Bahia do século XIX"(2008), ele se aproxima do que chamamos em Literatura de biografia crítica, em que se analisa a vida de uma personagem a partir de sua mediação e produção num dado contexto literário ou extra-literário. Procura-se entender assim sua participação como mediador simbólico e o resultado disso no seu ambiente de circulação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Domingos Sodré, africano liberto, proprietário de escravos e curandeiro, segundo o autor em entrevista a &lt;a href="http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/15/textos/337/"&gt;Brasileiros&lt;/a&gt;, foi quem pediu para não continuar no limbo da história ou mofar nos arquivos. Personagens negros, deliberadamente apagados (aqui a associação com morte e ocultação de cadáver não é mero efeito retórico), aparecem aos olhos de quem não é cego ou mesmo de quem não é surdo, quando ainda existem testemunhas orais que dão conta dessas trajetórias anônimas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Bahia de Domingos Sodré é narrada com maestria por João José Reis. Ele nos faz penetrar nos interstícios da vida de seus atores, diretamente ligados a Domingos ou a ele transversalmente relacionados, para mostrar as estratégias de sobrevivência e sociabilidade de homens e mulheres negros em tempo de cerceamentos e submissões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingos Sodré, pelo que deixou até então, não pode ser considerado um autor de textos literários, mas os documentos jurídicos e burocráticos resultantes de suas atividades (e atuação, como agente de sua história) traçam uma linha narrativa também autobiográfica que possibilita a escrita de si por outro revelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste sentido, a autoria é compartilhada: João José Reis escreve uma biografia de uma autobiografia não escrita. A leitura vale por tudo que precisamos saber sobre essas vidas e vozes proscritas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-3127288689429492438?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/3127288689429492438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=3127288689429492438' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/3127288689429492438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/3127288689429492438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/11/domingos-sodr-um-sacerdote-africano.html' title='Domingos Sodré: um sacerdote africano'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/STNHp5DQhfI/AAAAAAAAAVU/lp6up_VBefg/s72-c/capa_domingossodre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-747129965430073085</id><published>2008-11-12T21:28:00.010-03:00</published><updated>2008-12-13T11:02:02.023-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Acontece que eu sou baiano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SRt07iAyaaI/AAAAAAAAAVE/yHwj0YLFppE/s1600-h/Capa+2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267932755231140258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 199px; CURSOR: hand; HEIGHT: 324px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SRt07iAyaaI/AAAAAAAAAVE/yHwj0YLFppE/s320/Capa+2.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esta será, possivelmente, a foto de meu livro "Acontece que eu sou baiano: identidade e memória cultural no cancioneiro de Dorival Caymmi". Ele sobe a Ladeira do Pelô, com seu violão no ombro. É como disse Jorge Amado: "Caymmi é o cantor das graças da Bahia". E o Pelourinho é emblemático nesta composição identitária da Bahia. Igrejas, sobrados, ladeiras. Foi a partir dessa geografia pessoal e afetiva, que ainda inclui Itapuã, que Caymmi reinventou sua São Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de quatro anos de dissertação defendida no mestrado de Literatura e Cultura, eis que finalmente o livro oriundo daquela pesquisa será lançado. Aprovado pela FAPESB para receber incentivo de publicação, o livro sairá pela Eduneb no próximo ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou felicíssimo por isto, porque desde a pós-graduação até o órgão de fomento à pesquisa, passando pela editora, o trabalho sobre Caymmi tem recebido pareceres de excelência e qualidade científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é hora de aparar as arestas, revisar, inserir mais informações para uma edição mais atualizada sobre Caymmi e sua obra. Muita coisa mudou de quatro anos para cá. Algumas abordagens feitas perderam o viço do momento, mas no geral, minha leitura do cancioneiro caymmiano e de sua personalidade continua seguindo uma linha analítica e interpretativa que contesta a baianidade como essencialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este livro é uma homenagem antecipada que eu faria a Caymmi quando ele fizesse 100 anos. Eu esperava que ele chegasse até lá. Embora muito doente, ainda assim a memória do compositor aos 94 anos era prodigiosa. Ele era o último de uma geração de artistas da Era do Rádio, portanto, viveu diferentes fases da música popular brasileira, sem que fosse visto como passadista ou antiquado. Ao contrário, Caymmi é reverenciado por todas as tribos de músicos e cantores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2009, Caymmi e os afoxés serão tema do Carnaval. Se Caymmi fosse escolhido, preterindo os afoxés, assim mesmo estaria fazendo uma homenagem a esses grupos musicais negros, conhecidos também por "candomblés de rua". Caymmi foi autor de uma canção chamada "Afoxé" (1975) em que canta a perfomance do ijexá. Se fosse escolhido o tema afoxés, lembraríamos também de Caymmi, porque ele, sem dúvida, é a própria Bahia carnavalizada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-747129965430073085?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/747129965430073085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=747129965430073085' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/747129965430073085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/747129965430073085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/11/esta-ser-possivelmente-foto-de-meu.html' title='Acontece que eu sou baiano'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SRt07iAyaaI/AAAAAAAAAVE/yHwj0YLFppE/s72-c/Capa+2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-4688705484029656438</id><published>2008-10-05T13:34:00.011-03:00</published><updated>2008-12-13T11:03:37.954-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>O chute, o latido, o tiro e o voto</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SRtxhUtyrII/AAAAAAAAAU0/B_BBXvZDlRQ/s1600-h/cao.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267929006450322562" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 354px; CURSOR: hand; HEIGHT: 210px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SRtxhUtyrII/AAAAAAAAAU0/B_BBXvZDlRQ/s320/cao.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chutar cachorro morto é covardia, chutar morador de rua para expulsá-lo de sua porta é humilhação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O soldado da PM, Welington Sena Mariano, que fazia a ronda da área externa da Câmara Municipal de Salvador, não pestanejou em ser covarde e abusar de seu poder de polícia: escorraçou a pontapés um flanelinha que dormia na entrada da Casa Legislativa da cidade e alvejou o cachorro dele, apelidado de Branco, que reagiu para proteger seu dono da violência policial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justificativa do militar foi a de que ele foi atacado pelos cães que acompanhavam Índio, como o guardador de carros Cristiano Lisboa dos Santos é conhecido no local. A atitude do soldado é condenável pelos mesmos motivos justificados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como agente de segurança pública, treinado para prestar serviço à população, mesmo aquela que como Índio seja um excluído (embora trabalhe na informalidade para sobreviver), o soldado não seria atacado pelos cães se ele não agredisse o flanelinha. Se este não reagiu aos chutes do soldado por saber que a autoridade poderia prendê-lo por desacato, aqueles, por instinto, fizeram em seu lugar por agirem em defesa de quem os tem como companhia. Apenas isto, companhia. E amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que Índio tem a oferecer a esses animais? Comida? Malmente os trocados dos motoristas dão para uma quentinha. Abrigo? Malmente um pedaço de papelão ou colchão esfarrapado ao relento. O presidente da Câmara, Sr. Valdenor Cardoso (Partido Trabalhista Cristão), candidato a reeleição, afastou o soldado de suas funções e só. Não deu assistência social ao cão e a seu dono. Que espírito cristão é esse?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O vira-lata que teve o pulmão transfixado pela bala foi levado a uma clínica particular e operado às expensas de uma comerciante local. Na cidade, não existe um órgão da Prefeitura que acolha o animal ferido para tratamento. Na cidade, não existe um órgão da Prefeitura que acolha o morador de rua faminto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só existem covardes que expulsam com chutes e limpam com tiros animais e pessoas que atravacam o caminho de uma cidade maníaca por beleza e aparência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É essa Salvador que queremos? Quem salva esta cidade? A terceira população do País e a campeã do desemprego, da desigualdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando hoje me dirigia ao local de votação, em um bairro periférico, longe do centro onde moro (Nazaré), emocionei-me calado ao constatar que poderia com meu voto, mesmo utopicamente, a mudar a pobreza e a miséria desta cidade, visíveis em cada canto por onde se passe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Embora banhos de luz e asfalto tenham sido feitos ao longo do trajeto até o Cabula (via Baixinha de Santo Antônio) e a Ribeira (via Rua Direta e Jardim Cruzeiro) para levar minha mãe, o que falta nesta cidade é Verdade, Honra e Vergonha, como já dizia Gregório de Matos há quatro séculos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ao votar nos candidatos a prefeito e a vereador, pensei no morador de rua, no cachorro e até no soldado. Seu ato, coitado, é o resultado também da ameaça de levar um tiro, mas diferentemente do vira-lata, de morrer mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-4688705484029656438?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/4688705484029656438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=4688705484029656438' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4688705484029656438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/4688705484029656438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/10/o-chute-o-latido-o-tiro-e-o-voto.html' title='O chute, o latido, o tiro e o voto'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SRtxhUtyrII/AAAAAAAAAU0/B_BBXvZDlRQ/s72-c/cao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-226158263610386576</id><published>2008-08-31T14:12:00.007-03:00</published><updated>2008-12-13T11:02:59.434-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><title type='text'>CQC e os candidatos a prefeito de Salvador</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SLrY1RKWH7I/AAAAAAAAAQY/oapguqT4qYU/s1600-h/cqc.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240739526050455474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SLrY1RKWH7I/AAAAAAAAAQY/oapguqT4qYU/s320/cqc.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O programa &lt;a href="http://www.band.com.br/cqc/?id=77957ab4688d0ef1faf348b5da870034"&gt;CQC&lt;/a&gt; (Custe o Que Custar), da Band, apresentado e ancorado por Marcelo Tas, um dos mais inteligentes comediantes da televisão brasileira atual, desembarcou em Salvador e entrevistou os candidatos a prefeito de Salvador (exceto Imbassaí).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O programa pegou de surpresa os candidatos com perguntas sobre a cidade que querem administrar. Perguntas como quantos anos a cidade foi capital do Brasil, não foi respondida corretamente por nenhum deles. ACM Neto disse o ano de fundação e o fim da condição de capital, mas calculou errado. Outra pergunta de história foi sobre o nome original da cidade. Todos responderam São Salvador, mas não completaram com Bahia de Todos os Santos. Mas nem a produção acertou, porque, se tomarmos a anterioridade dos tupinambás por estas plagas, o nome mesmo é Kirymuré. Mas deixa pra lá, é exigir muito de nossos candidatos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;João Henrique foi quem mais amarelou às perguntas. Só soube mesmo o preço da passagem do Elavador Lacerda, R$0,05 centavos. Aliás, única resposta acertada por todos. Espero que, quem for eleito, continue se lembrando deste valor nos próximos quatro anos. Assistam ao vídeo no link acima e saibam o dia da baiana de acarajé. Todo mundo gosta de acarajé, mas o trabalho que dá pra fazer é que é. Né, candidatos?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-226158263610386576?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/226158263610386576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=226158263610386576' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/226158263610386576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/226158263610386576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/08/cqc-e-os-candidatos-prefeito-de.html' title='CQC e os candidatos a prefeito de Salvador'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SLrY1RKWH7I/AAAAAAAAAQY/oapguqT4qYU/s72-c/cqc.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-226722883830763887</id><published>2008-05-11T22:49:00.016-03:00</published><updated>2009-02-17T00:27:02.372-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>Google-me.</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCiEPy1raBI/AAAAAAAAAP4/hD-4vZrrDnU/s1600-h/google+6.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199551176679057426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 296px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 272px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCiEPy1raBI/AAAAAAAAAP4/hD-4vZrrDnU/s320/google+6.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCiD8y1raAI/AAAAAAAAAPw/WbWWnoWqPZs/s1600-h/google+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199550850261542914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 298px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 253px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCiD8y1raAI/AAAAAAAAAPw/WbWWnoWqPZs/s320/google+3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCiDeC1rZ_I/AAAAAAAAAPo/X1NaIBrIyjo/s1600-h/google+5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199550321980565490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 262px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCiDeC1rZ_I/AAAAAAAAAPo/X1NaIBrIyjo/s320/google+5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Deu na Folha de São Paulo, 11 de maio: "&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1105200808.htm"&gt;Caça de xarás passou por três continentes&lt;/a&gt;". Jim Killeen, 40, ex-ator norte americano, jogou seu nome na barra de pesquisa do Google para ver o que é que dava. Além dele, descobriu 24 homônimos na web. Curioso por saber quem eram aqueles Jim Killeens, conseguiu apenas seis depoimentos deles para o documentário "&lt;a href="http://youtube.com/googlemethemovie"&gt;Google me: the movie&lt;/a&gt;", dentre os quais, um que tem atração por transexuais e outro que é padre, mas contrário ao Papa quando o assunto é homossexualidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Você já fez "autosurfing" ou se "autogooglou"? Eu já fiz um "ego trip" deste algumas vezes para pesquisar um artigo meu, o qual tinha perdido o original, mas ciente de que estava publicado em algum site. Encontrado, gravado e impresso, não voltei mais a esta aventura.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Agora, vi-me estimulado a brincar com essa ferramenta extraordinária para fuçar homônimos e talvez descobrir o que eles fazem. Esta prática, segundo especialistas consultados pela reportagem, não deve ser vista como egocentrismo, mas como prevenção, por exemplo, na hora de procurar emprego. Algumas agências eventualmente rastreiam o nome do candidato para saber de sua passagem pela Web. Algo desabonador comentado por ele ou sobre ele, já acende o sinal amarelo. Cuidado com as comunidades do Orkut das quais vocês participam, coisas como "Falo mal de meu patrão!", "A mulher de meu patrão é gostosa!", "Adoro sair cedo do trabalho!", "Pra não ir ao trabalho, dou desculpa esfarrapada" etc.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Em pesquisa rápida, que durou apenas 0,22 segundos, descobri pela palavra &lt;strong&gt;Marielson &lt;/strong&gt;aproximadamente 2.870 exibições. Haja gente, mas nem se compara à Maria (333 milhões, em 0,14 segundos). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Desses xarás, tem um &lt;a href="http://www.fontenoticias.com.br/lernoticia.php?area=9&amp;amp;id=46755"&gt;jogador&lt;/a&gt; do ASA (Arapiraca, AL), um &lt;a href="http://marielson.blogspot.com/"&gt;poeta&lt;/a&gt; (identificado como "um homem cheio de sabedoria), um árbitro de futebol de Vitória da Conquista (segundo &lt;a href="http://www.itapoanonline.com/main/esporterecord/silviomendes/post.aspx?nid=22428"&gt;Silvio Mendes&lt;/a&gt;, radialista, é a revelação no Campeonato Baiano-2008), um &lt;a href="http://www.bonde.com.br/eleicoes/mun2004/1turno/apuracao/PB/20370.htm"&gt;candidato a vereador &lt;/a&gt;em Ingá, PB (só teve 55 votos nas eleições de 2004) e um &lt;a href="http://www.negociers.com.br/default.php?centro=detalhes_venda.php&amp;amp;tipo=Moto&amp;amp;id=69"&gt;negociante de automóveis &lt;/a&gt;em Bento Gonçalves, RS. Já &lt;strong&gt;Marielson Carvalho&lt;/strong&gt;, 133 exibições em 0,11 segundos, apenas um não sou eu. Trata-se de Marielson Carvalho da Costa, que consta de uma lista geral de concurso público do Banco do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que dizer de &lt;strong&gt;Marielson de Carvalho Bispo da Silva&lt;/strong&gt;? Em 13 exibições, 0,04 segundos de procura, não tem outro, somente eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma sensação estranha de satisfação por não ter ninguém igual a você (obviamente que nunca existirá) e também de frustração por não ter ninguém com quem não se possa comparar personalidades e comportamentos (mas não sei se seria proveitoso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conheço pessoalmente um Marielson. Confesso que procurei nele, tal qual um espelho, algumas semelhanças, no que de pronto, pelo menos fisicamente, só tinha diferenças. Não criamos laços de amizade, embora tenhamos trocado telefones para no dia de meu aniversário e no dele nos parabenizarmos. O que nunca ocorreu. Lá se vão três anos. Na última vez, quando nos vimos, parecíamos que estávamos saudosos um do outro, pois nos abraçávamos toda hora. Reagimos ao mesmo tempo, sem um milésimo de segundo a mais ou a menos, ao chamado de um amigo comum, que havia nos apresentado. Como ele queria falar conosco, nada mais prático do que chamar por um nome só. O "Oi, Maurício" saiu numa só voz. Gargalhada geral.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-226722883830763887?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/226722883830763887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=226722883830763887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/226722883830763887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/226722883830763887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/05/google-me.html' title='Google-me.'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCiEPy1raBI/AAAAAAAAAP4/hD-4vZrrDnU/s72-c/google+6.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-6040316057623574555</id><published>2008-05-10T17:05:00.005-03:00</published><updated>2008-05-11T10:14:08.566-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>A voz de Fabiana Cozza - Parte I</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCYCCmdLiKI/AAAAAAAAAPc/AVE6wcUW-oA/s1600-h/Eu+e+Fabiana+Cozza.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198845063551748258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCYCCmdLiKI/AAAAAAAAAPc/AVE6wcUW-oA/s320/Eu+e+Fabiana+Cozza.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fabiana Cozza, após evento lítero-musical em São Paulo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Olha minha cara de novo fã!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitos intérpretes brasileiros deleitam meus ouvidos com suas vozes. Dão voz à voz de meus pensamentos. Neste elenco, as mulheres reinam absolutas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Variados são os tons, os estilos e as perfomances dessas cantoras, a quem aplaudo de pé e entusiasticamente. Cássia Eller, Maria Bethânia, Ana Carolina, Jussara Silveira, Vanessa da Mata, Nana Caymmi, Rosa Passos, Quarteto em Cy, Clara Nunes, Elza Soares, Simone, Gal Costa, Olívia Hime...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lista é extensa e a todo instante cresce tão logo eu seja fisgado por uma voz desconhecida, ou até já conhecida, mas ainda não ouvida com sensibilidade devida.Basta uma confluência de forças positivas, o acaso se assim quiserem, para que o encontro seja impactante a meus sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que explico o que aconteceu quando, ano passado, numa noite de sábado paulistana (depois de uma tarde agitada e, por conta disto, um pouco cansativa) fui a um evento lítero-musical, convidado por meu amigo Suênio Campos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelino Freire leria trechos de seu livro "&lt;a href="http://www.foresti.locaweb.com.br/03_eraOdito/negreiros.html"&gt;Contos negreiros&lt;/a&gt;" e Fabiana Cozza interpretaria entre, uma leitura e outra, músicas com temática afro-brasileira. Embora o palco do auditório fosse pequeno, ele não apequenou a voz possante de Fabiana. Fiquei impactado. E encantado. E irritado comigo mesmo por não tê-la conhecido antes. Onde tinha metido esses ouvidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.fabianacozza.com.br/"&gt;Fabiana Cozza &lt;/a&gt;é paulistana, filha de um negro com uma descendente de italianos. Negra-mestiça, afro-ítalo-brasileira. Essa presença negra está na perfomance da cantora. Voz, postura de cena e repertório. E olha que eu ainda não tinha ouvido seu cd de estréia, "&lt;a href="http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?ad=on&amp;amp;ref=Musica&amp;amp;busca=o+samba+%E9+meu+dom&amp;amp;param1=homebusca&amp;amp;q=o+samba+%E9+meu+dom&amp;amp;check=disco"&gt;O Samba é Meu Dom&lt;/a&gt;" (2004), e o que ela acabara de gravar, "Quando o Céu Clarear" (2007). O título de seu primeiro trabalho já nos mostra, sem &lt;em&gt;blackface&lt;/em&gt;, o que eu disse anteriormente sobre sua identidade negra. O dom de sambar de Fabiana Cozza pode ser aqui entendido por duas vias de sentido. Fabiana recebeu de orixás, inquices e vodus essa musicalidade africana, como se fosse uma graça, uma dádiva dos deuses. Fabiana recebeu de seu pai, sambista, essa herança cultural, como se fosse a continuação de uma linhagem ancestral. Fabiana não poderia deixar de ser o que é: talentosa em cantar sambas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por todo cd, a cantora desfila leve e segura, como estivesse numa passarela ou roda de samba. A começar por &lt;em&gt;O samba é meu dom&lt;/em&gt; (Walter das Neves e Paulo César Pinheiro), uma homenagem aos grandes mestres do samba (Mario Reis, Jamelão, Sinhô e Donga, por exemplo) no melhor estilo partido-alto, passando por &lt;em&gt;Lavandêra&lt;/em&gt; (Rui Morais e Silva), com arranjos de samba-de-roda, &lt;em&gt;Luzes&lt;/em&gt; (Josias Damasceno e Mário Mamana) e &lt;em&gt;Verniz&lt;/em&gt; (Sérgio Santos e Paulo César Pinheiro), ambas com forte acento samba-canção, chegando a &lt;em&gt;Acima de tudo mulher&lt;/em&gt; (Washington), samba-enredo da Camisa Verde e Branco de 1979, que Fabiana canta com seu pai, Oswaldo dos Santos, ex-puxador da escola de samba paulista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O projeto gráfico simples acompanha o desenho sonoro que a cantora traçou para sua estréia: elementar e sutil, mas exuberante pela qualidade vocal e artística. A foto de capa do encarte traz uma Fabiana envolta por guias, colares e pulseiras coloridas. Protegida de corpo e alma para uma caminhada que, como já era sabido, não ficaria apenas neste trabalho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando o céu clareou, ela brilhou de novo no cenário musical brasileiro. E muito mais protegida. Em seu segundo cd, tem Iemanjá, Nanã, Ogum, Oxum, Xangô e Ossaim. Pra que melhor? Sobre "Quando o Céu Clarear", comento brevemente em outro post. Até lá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-6040316057623574555?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/6040316057623574555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=6040316057623574555' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6040316057623574555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6040316057623574555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/05/voz-de-fabiana-cozza-parte-i.html' title='A voz de Fabiana Cozza - Parte I'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCYCCmdLiKI/AAAAAAAAAPc/AVE6wcUW-oA/s72-c/Eu+e+Fabiana+Cozza.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-6841482822002337776</id><published>2008-05-09T17:17:00.009-03:00</published><updated>2009-02-11T18:25:10.149-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Brincadeira de Criança - conto</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCSyzmdLiHI/AAAAAAAAAPE/8o4EHJSeFfg/s1600-h/playmobil+3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198476469458405490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 369px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px; TEXT-ALIGN: center" height="263" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCSyzmdLiHI/AAAAAAAAAPE/8o4EHJSeFfg/s320/playmobil+3.jpg" width="320" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;uma história sobre o amor de crianças &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fez sol naquela manhã de domingo. Acordei cedo para brincar com meus amigos na praça: era tempo de gude. Durante a semana, minha mãe não permitia que eu saísse, tinha de estudar para recuperar as boas notas das primeiras unidades. Só pensa em gude, o Dinho, não quer saber de mais nada, vive com esse saco cheio de bolinhas pra lá e pra cá, dizia sempre minha mãe. Nem tomei café direito. Do outro lado da rua, Toni já me esperava. E quando se junta com o filho do novo morador, a coisa dana mesmo, completava ela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por alguns segundos, esqueci a ansiedade de sair para vê-lo da cortina entreaberta contando suas bolas de gude. Era quem tinha mais variedade de cores e tamanhos. Chegou ao bairro fazia dois meses, e já era bastante conhecido entre os garotos. Seus pais não gostavam de aproximações, mas não impediam que Toni fizesse amizade. Nunca gostei da situação de ser o caçula de quatro irmãos. Além de minha mãe monitorar meus passos, o irmão mais velho também tomava para si os cuidados do pimpolho da casa. Toni tinha mais liberdade. Dinhôôôô, ele me chama. Tão logo apareci na varanda, ele se levantou e saiu correndo. Disputamos o primeiro lugar nessa corrida por ruas e quarteirões até a praça. Ao passarmos pela ponte sobre o riacho, Lando nos pára. Era mais velho do que nós uns cinco anos. Toni e eu tínhamos a mesma idade, dez. Pedágio, disse Lando. Vá pedir pra sua mãe, reagiu meu amigo, que ainda o empurrou para o lado. Eu não conseguia reagir daquela maneira às ameaças de Lando. Quando o via ao longe, pegava outro caminho. Mas com Toni não era assim, ele não tinha medo. Fale pro seu amiguinho que ele é novo no bairro, da próxima vez ponho ele na “cerquinha”, entendeu? Ele só não, vocês dois. Na verdade, eu não tinha medo de Lando, mas da “cerquinha”. Ele se juntava com mais três meninos, conhecidos como Metralhas para obrigar os meninos indefesos a transar com eles. Dois outros colegas meus já caíram nas mãos deles. Até hoje eles são motivo de chacota da turma. Durante um bom tempo, eles não saíram de casa com receio de serem mais uma vez abusados por Lando e Os Metralhas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando eu e Toni completamos dezoito anos, já havíamos namorado muitas meninas, quase as mesmas. É que Toni era mais paquerador e bonito. Embora eu fosse mais alto que ele, o que chamava a atenção nele eram os olhos, uma mistura de verde e castanho claro que encantava as meninas, e a mim também. Depois de namorá-las, me perguntava se não queria também. E fazia todo o envolvimento entre mim e Vanessa, Dália, Fernanda, Gisa, Tereza... As mais belas do bairro. Desde quando o conheci, sempre quis lhe falar que o amava. Pensei no começo que fosse um amor-amigo, mas quando percebi que crescia em mim um outro Dinho, mais consciente de seu estar no mundo, tive a certeza de que desejava Toni. Quantas vezes busquei em atitudes e palavras suas, declarações que eu queria ouvir, como um “Te amo, Dinho”? Eram pistas falsas ou verdadeiras quando assistíamos a um filme no cinema e sua mão tocava de leve a minha perna? Ou quando brincávamos nus de golfinho na praia e ao passar entre minhas pernas tocava também de leve meu pênis? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos medo de ousarmos. Até quando, eu não sei. A confirmação de que demoraríamos de resolver isso veio com a notícia de que ele seria pai. Conheceu uma garota numa festa e na mesma noite transaram, isso foi o suficiente para sua vida mudar completamente. Se eu fosse para festa, para a qual ele me convidou com insistência, talvez o impedisse de beber muito e fazer besteiras. Durante os nove meses em que esperava o filho, Toni se afastou de mim. Vergonha? Arrependimento? Parece que a aversão que ele tinha por Paula no começo, transformou-se em amor quando o filho nasceu. Mudou-se para outro bairro com os pais. De meu quarto, de onde eu sempre o observava sentado na calçada, me despedi dele. Quando fechou o portão, olhou por alguns segundos para meu quarto, talvez buscando uma lágrima minha de despedida. Será que ele sabia que o admirava escondido, de longe? A cortina não deixou que ele visse. Meu consolo foi relembrar os momentos em que passamos juntos, representados pelos objetos que marcaram nossa amizade. Abri um baú, onde guardava nossas relíquias. Foi ele mesmo quem sugeriu a preservação de nossa amizade em forma de um museu pessoal. Eu era o guardião, tinha a chave. Bolas de gude, pipas, estilingues, bonecos, figurinhas, gibis, piões, rodinhas de rolimã e algumas cartinhas que eu escrevi para ele, mas que não chegaram às suas mãos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Criei também vínculos sentimentais com uma mulher, minha colega de faculdade. Diferentemente de Toni, planejamos ter um filho, mas só depois de casarmos. Procurei meu amigo para ser padrinho de meu filho, mas não o encontrei. Voltei ao bairro onde moramos, eu me mudei um ano depois, mas não obtive informações sobre ele. Quando Toni saiu, não deixou rastro. Minha mãe ficou muito triste por mim, dizia ela que isso não era amizade. Como é que desde pequeno andam juntos e depois sai assim e não diz pra onde vai? Vocês brigaram, meu filho? Eu não respondia, porque não tinha respostas a dar, talvez tivesse, mas ela não seria capaz de entender, nem o próprio Toni. Quando via meu filho brincar com seus colegas, me lembrava dos momentos em que passava ao lado de Toni. Mas as brincadeiras agora eram outras: videogame, surf, computador, shopping... Certa vez, tentei ensiná-lo a rodar o pião, mas não rendeu. Qualé, pai, isso é das antigas. Ainda mais quando virei avô. É pai, tô com a mina grávida aí, e quero uma força... Uma força vezes dois, porque vieram gêmeos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Encontro de economistas em São Paulo. Lá pelas tantas, durante uma palestra chatérrima sobre debêntures e títulos públicos, saí do auditório para tomar um uísque no bar do hotel. A meu lado, conversando animadamente em um grupo de colegas, estava Toni. Se ele fingiu que não me viu, fingiu bem. Minha reação também foi essa, mas para não ficar nervoso e perder a concentração, meu coração já batia descompassado, bebi de um gole só a bebida, paguei sem pensar em troco e fugi para Avenida Paulista. Em meio ao passa-passa de gente, perdi o rumo e caí numa sauna gay. Longe de casa, tive mais coragem de ousar uma aventura. Um garoto moreno e bastante malhado foi meu companheiro naquelas horas de prazer. No dia seguinte, última sessão do congresso, foi impossível não me encontrar de novo com Toni. E no lugar mais impróprio: no toalete. Não estava caçando, mas depois de tanto tempo sem vê-lo e de ter guardado um desejo de também pegar em seu pênis, não tão de leve com na brincadeira da praia, tive vontade mesmo de ousar mais uma vez. Vontade que não é coragem. Abraços e sorrisos. Falamos de nossas famílias, carreiras (ele fez administração e eu, comércio exterior). Lembramos pouco, quase nada, de nossa infância e adolescência, uma estratégia que poderia ser melhor explorada, porque as imagens mais bonitas foram aquelas em que compartilhamos afetividades. Pensei: por que não voltamos àquele tempo? Trocamos telefones, endereços, mas não nos contatamos. Joguei seu cartão no baú e fingi que Toni estava perto de mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aos 58 anos, o que se faz? Aposentar-se, cuidar mais da pressão arterial, caminhar todo dia na praia, passear com os netos... Se meu filho não curtiu as brincadeiras de criança, meus netos souberam aproveitar minhas novidades. Adoravam quando eu os pegava para um domingo no parque. Era tempo de pipa, e eu os ensinei a fazer suas próprias “arraias” e “periquitos”. As evoluções no ar eram espetaculares, passávamos horas olhando fixamente para o céu. Depois de alguns treinos, eles já estavam craques. Havia momentos em que me afastava e ficava observando os dois brincando juntos, como se fossem Dinho e Toni. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lá se vão quase cinqüenta anos... Uma outra coisa que um idoso faz quando se aposenta: lembrar antes que a memória falhe. Lembrar, lembrar, lembrar... Ainda mais quando conta com a ajuda de um outro idoso que se senta a seu lado, num banco debaixo de uma mangueira, e vê também seu neto brincar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Será que eles sonham como nós sonhávamos naquele tempo?, pergunta-me Toni.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sorri com lágrimas nos olhos, e respondi assim, com lágrimas nos olhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Se forem felizes como nós éramos... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- A última vez que nos vimos foi naquele evento em São Paulo, perdi seu telefone... E você? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Guardei no baú, lá estão nossos sonhos... Lembra-se das gudes coloridas que você me deu como presente de aniversário? Eram as suas preferidas, mesmo assim você me deu, estão todas lá. Uma certa vez meu filho abriu o baú, eu tinha esquecido aberto, e pegou o saco, jogando todas as bolinhas no chão... Fiquei nervoso, até bati nele, mas depois me arrependi, por isso ele nem quis mais saber de se aproximar daqueles brinquedos, mesmo com meu consentimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Adoraria vê-los de novo, disse Toni. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Antes de mostrar, eu esconderia algumas cartas que escrevi para você. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Por quê? Que cartas? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Poderia até mostrar as mais singelas, contudo tem uma que não ousaria mesmo em revelar. Aconteceu de uma vez eu acordar de madrugada bastante suado, assustado. Havia sonhado com Toni me lambendo o corpo todo. Estávamos tomando banho juntos na casa dele depois de uma partida de futebol. Ele aproveitou que os pais não estavam em casa e me convidou para descansar e fazer um lanche. No chuveiro, ele me fez carícias, me lavou todo, beijou minha boca com gosto de sabonete e xampu... Foi o sonho mais excitante que eu tive com ele. Escrevi logo o que tinha acontecido para não esquecer, e enquanto eu lembrava do sonho, meu pênis continuava ereto. Na minha imaginação, ele ainda me lambia, e isso me fez gozar sem me masturbar. Foi gostoso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Hein, Dinho, por que não mostrar as cartas? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Me lembro agora que no quintal lá de casa tinha uma mangueira, que em época de fruta-boa ficávamos a tarde toda chupando mangas... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Olha aquele galho ali, está cheio, disse Toni. Pena que não podemos mais subir e ficarmos lá em cima. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Pelo menos fizemos isso um dia; aquilo que ainda não fizemos é que devemos concretizar antes que não seja mais possível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Você não realizou todos os sonhos ainda? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Se eu não o encontrasse hoje, talvez esquecesse o que sempre desejei fazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- O quê, amigo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vi meus netos se entrosando com o neto de Toni. Já tinham abandonado as pipas, agora brincavam de pega-pega pelo gramado do parque. Eles não sabiam, nem saberão, que durante anos entre aqueles dois velhos, um deles sempre amou o outro, e o outro sempre teve medo de aceitar esse amor. Mas agora, maduros e felizes, envolvidos por lembranças que os tornavam mais apaixonados, um beijo apenas, trêmulo, porém intenso, foi o supra-sumo dos sonhos que cada um viveu sozinho. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-6841482822002337776?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/6841482822002337776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=6841482822002337776' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6841482822002337776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6841482822002337776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/05/fez-sol-naquela-manh-de-domingo.html' title='Brincadeira de Criança - conto'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/SCSyzmdLiHI/AAAAAAAAAPE/8o4EHJSeFfg/s72-c/playmobil+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-3379744917223120956</id><published>2008-01-06T01:33:00.001-03:00</published><updated>2008-12-23T16:59:35.134-03:00</updated><title type='text'>Território Invisível de Salvador - Estádio da Fonte Nova</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R4ZvzOGuS9I/AAAAAAAAAN0/CiaGuGu28H8/s1600-h/projeto+original+-+fonte+nova.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153929749322419154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 293px; HEIGHT: 215px; TEXT-ALIGN: center" height="215" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R4ZvzOGuS9I/AAAAAAAAAN0/CiaGuGu28H8/s320/projeto+original+-+fonte+nova.bmp" width="301" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R4VP_eGuS8I/AAAAAAAAANs/dFrT8nOpFCA/s1600-h/fonte+nova+1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153613300427017154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 298px; HEIGHT: 204px; TEXT-ALIGN: center" height="197" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R4VP_eGuS8I/AAAAAAAAANs/dFrT8nOpFCA/s320/fonte+nova+1.bmp" width="298" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Projeto original de Diógenes Rebouças para &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;o estádio. Foto atual: Fonte Nova e Dique do Tororó. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fonte: &lt;a href="http://www.vitruvius.com.br/"&gt;http://www.vitruvius.com.br/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No próximo dia 28 de janeiro, o Estádio Octávio Mangabeira completaria 57 anos de inaugurado. Completaria? Sim, porque o que tudo indica, ele não existe mais. Está lá, velho, mas inutilizado. Aposentou-se, compulsoriamente, pelo Governo do Estado. Está fadado a desaparecer por completo e virar pó. Toneladas de concreto esmigalhado e ferro retorcido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A arena Fonte Nova foi desprezada por seus principais responsáveis e foi, ela sozinha, como se não existissem culpados, responsabilizada pela maior tragédia em estádios nacionais. A notícia virou manchete em todo canto: sete espectadores, que assistiam ao jogo Bahia e Vila Nova, no dia 25 de novembro de 2007, morreram ao cair pela fenda aberta na arquibancada do anel superior, devido à falta de manutenção e conservação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma obra representativa da arquitetura moderna baiana será implodida pela incapacidade de seus administradores darem um destino mais adequado a ela. Arquitetos e engenheiros contestam a justificativa do governo de que a demolição é a melhor forma de resolver o problema, porque, em outros estádios antigos, na Europa, foram feitas adaptações para olimpíadas e copas mundiais sem que fossem destruídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se dizer que o projeto da Fonte Nova é um dos mais bem feitos em termos paisagísticos e arquitetônicos do Brasil, talvez do mundo. A sua estrutura é de um requinte visual que nenhum outro arquiteto, à época, conseguiu ser tão exitoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que Diógenes Rebouças, criador do estádio, além de fazer o recorte das arquibancadas, aproveitando a depressão natural da Ladeira da Fonte das Pedras, não fechou totalmente a visão dos espectadores para a área externa, de modo que, quem está dentro, pode ver parte do Dique do Tororó e a antiga usina geradora, assim como a fonte luminosa dos orixás, em tempos mais recentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto é possível, porque o arquiteto fez um portal da altura do anel inferior, com passadiço que liga os lados da abertura e os dois níveis estruturais do estádio: o original, de 1951, e o ampliado, de 1971. Em dia de casa cheia, quem passa à pé ou de carro pelo entorno do Dique vê também os torcedores nas arquibancadas, numa integração, pelo olhar, do homem com a natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se perdermos este estádio, malgrada a tragédia de que foi palco, perderemos parte da nossa memória cultural soteropolitana pela importância que esta "praça de esportes" tem para a configuração espacial da cidade tanto do ponto vista urbanístico, já que foi a partir da construção do estádio que avenidas, ruas e praças foram planejadas em seu entorno; quanto do lazer e do social, pois é sabido que a Fonte Nova faz parte de um complexo que engloba o Ginásio de Esportes Antonio Balbino, o Balbinho, e as piscinas olímpica e semi-olímpica do Clube Olímpico de Natação, onde muitos atletas baianos começaram suas carreiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, como morador do Desterro, ao lado do Convento, próximo ao estádio, tenho desejado a transferência de jogos para outro lugar, devido aos constantes engarrafamentos e estacionamentos irregulares em dias de partidas concorridas do Bahia, impossibilitando sair e entrar em casa. Se, em partidas nacionais, o movimento de pessoas é enorme, imaginemos quando for um jogo entre Brasil e Alemanha, por exemplo? Se não houver uma reestruturação nas vias de acesso ao estádio, todo o Centro vai parar. Nem o tão divulgado metrô ajudará, isso se ele de fato existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei quantas vezes entrei no estádio, mas me lembro de dois momentos marcantes. O primeiro, foi quando tinha mais ou menos 10 anos. Minha mãe, na época, fazia parte das Testemunhas de Jeová e, como era de praxe, todos os freqüentadores desta igreja se reuniam uma vez por ano no estádio para seu congresso. Fiquei encantado com aquela multidão em volta de um campo verde convidativo, mas que não podíamos pisar. Depois disso, sonhei muitas vezes pisando o gramado, correndo por sua pista de atletismo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo, foi para assistir a um partida entre Vitória e... Ypiranga, Bahia, não sei bem, mas foi ali que, ao lado de meu pai, comecei a ser torcedor do Leão. Em vez de cânticos evangélicos, ouvia o grito da torcida rubro-negra. Mas, em todo caso, eram uníssonas de fé (em Jeová e no Vitória) as vozes que ecoavam naquelas arquibancadas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;&lt;strong&gt;1 SEGUNDO E MEIO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;O telefonema de desculpas que você não deu nesta manhã para sua namorada, a noite terminou em desentendimentos. O vizinho que lhe mandou um prato de sarapatel pela empregada e que você ainda não devolveu a gentileza com xinxim de bofe, única comida difícil que sabe fazer. A revisão da prova de um aluno que não conseguiu aprovação, mas que merece passar porque é um estudante humilde e trabalha no horário da aula. O cd de Jussara Silveira comprado há três dias e não ouvido, porque o micro system está na oficina e você ainda não retirou. O jardim do terraço que precisa de cuidados, mas a pá e o ancinho estão emprestados a seu irmão, que não o encontrou em casa no horário marcado quando foi devolvê-los. Os e-mails a serem respondidos, principalmente aos ex-colegas de faculdade que planejam um encontro no próximo Natal, depois de 10 anos de formados. As fotos de sua visita à Ilha dos Frades que você não baixou da máquina, porque o cabo usb foi esquecido na pousada quando teve de sair correndo para não perder a escuna. A promoção de passagens da Gol até 23 horas deste domingo, mas a procura foi tanta que o site travou e você não conseguiu nem pesquisar assentos disponíveis para viajar no Carnaval para Florianópolis. O último capítulo não lido de "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", de Mia Couto, porque depois do almoço, na cadeira reclinável onde você começou a ler, bateu aquele sono e... Naquele 1 segundo e meio, essas imagens afloraram, como uma torrente de rio em tempo de cheia... Naquele 1 segundo e meio, só deu tempo de prender a respiração, mais pelo susto do que por guardar o último ar de vida nos pulmões, no coração... Naquele 1 segundo e meio, enquanto descia aos infernos da dor, numa trajetória sem volta, viu ainda mãos puxando fios invisíveis que não suportavam mais seu corpo magro, mas pesado pelas leis imponderáveis da Física... Naquele 1 segundo e meio, entre a consciência, semi-consciência e apagão, pôde entender porque as folhas, e não os homens, caem dos galhos quando decididamente têm de cair, mas levemente, aproveitando o que o vento tem a lhes oferecer de destino e pouso tranqüilo... Naquele 1 segundo e meio de queda livre pelo buraco da arquibancada da Fonte Nova, você teve dúvidas se estava mesmo vivo. Sete pessoas, mortas a seu lado, não podem lhe responder.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R4hEauGuS_I/AAAAAAAAAOE/tV1BbbWptYo/s1600-h/100_0905.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154444999369051122" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R4hEauGuS_I/AAAAAAAAAOE/tV1BbbWptYo/s320/100_0905.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153941143870655458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; HEIGHT: 225px; TEXT-ALIGN: center" height="202" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R4Z6KeGuS-I/AAAAAAAAAN8/5PLxhS3cowE/s320/Dique-Fonte.JPG" width="320" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Fotos: Marielson Carvalho&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0);font-size:85%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-3379744917223120956?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/3379744917223120956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=3379744917223120956' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/3379744917223120956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/3379744917223120956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2008/01/territrio-invisvel-de-salvador-estdio.html' title='Território Invisível de Salvador - Estádio da Fonte Nova'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R4ZvzOGuS9I/AAAAAAAAAN0/CiaGuGu28H8/s72-c/projeto+original+-+fonte+nova.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-6341237788158233247</id><published>2007-12-30T00:36:00.000-03:00</published><updated>2007-12-31T18:39:12.285-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>Quem foi o puto que matou Benazir Bhutto?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R3ewAuGuS3I/AAAAAAAAANE/RM2clW13mfg/s1600-h/Benazir.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5149778225344170866" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R3ewAuGuS3I/AAAAAAAAANE/RM2clW13mfg/s320/Benazir.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;"não aponte o dedo/ para Benazir Butho/ seu puto/ ela está de luto/ pela morte do pai (...)// esse dedo em riste/ esse medo triste/ é você// Benazir resiste/ o olho que existe/ é o que vê"&lt;/em&gt; - Chico César&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chico César, em &lt;strong&gt;Aos vivos&lt;/strong&gt;, primeiro trabalho deste antenadíssimo e criativo compositor paraibano, gravou uma canção que, na época, em 1995, já me chamava atenção para a mulher que dava título à letra. "&lt;a href="http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?ad=on&amp;amp;ref=Musica&amp;amp;busca=benazir&amp;amp;param1=homebusca&amp;amp;q=benazir&amp;amp;check=musica"&gt;Benazir&lt;/a&gt;" fala da ex-primeira-ministra paquistanesa, Benazir Bhutto, eleita democraticamente, mas destituída duas vezes do poder por presidentes golpistas, que acusavam-na de corrupção e nepotismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O fato de ela ter sido a primeira mulher a comandar um Estado islâmico, onde é comum as mulheres serem alijadas de postos de comando político e governamental, já a havia transformado uma personalidade representativa no mundo inteiro pela forma não-autoritária e pacífica como ascendia a um dos cargos mais importantes de seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a execução por enforcamento de seu pai, ex-primeiro-ministro e presidente do maior partido do Paquistão, Benazir, aos 35 anos, tornou-se, pela primeira vez, premiê entre 1988 e 1990. E na segunda, entre 1993 e 1996. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desde 1999, exilou-se voluntariamente em Londres e Dubai (Emirados Árabes) por conta de temores de ser executada e de ser julgada por inúmeros processos de improbidade administrativa. Em outubro deste ano, foi anistiada pelo presidente atual, o generalíssimo Pervez Musharraf, seu principal opositor, que autorizou o encerramento dos processos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão logo retornou ao país, sofreu uma tentativa de assassinato, mas nem por isso desistiu de concorrer em eleições próximas para um possível terceiro mandato, mesmo em um ambiente político tenso e perigoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulher inteligente, elegante e culta, Benazir estudou Ciências Políticas em Harvard e Oxford. Ela fazia parte de uma mudança paulatina de valores surgida depois da Segunda Guerra Mundial, quando muitos governantes de países árabes almejavam entrar na comunidade internacional, mas que para tanto, era necessário modernizar-se, ou seja, adotar um modo de vida europeu, no qual, as mulheres passaram a ter papel emblemático na estrutura sócio-política dos novos estados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em aparições públicas, mesmo fora de seu país, Benazir não deixava de usar o véu que a identificava com sua tradição cultural e religiosa. Essa atitude afirmativa de identidade a tornava mais corajosa e independente, na medida em que assumia o encobrimento de sua cabeça menos por imposição e mais por escolha própria, assim como foi o seu casamento que, mesmo tendo sido um arranjo entre famílias, não se concretizaria sem a sua vontade. Talvez por ela ser a única herdeira do espólio político do pai, tenha lhe conferido esta abertura. Isso sem dúvida era uma afronta aos fundamentalistas talibãs, principais suspeitos de sua morte, justamente por serem contrários, principalmente, à abertura do país a alianças com outras nações, consideradas inimigas do Islã, como os Estados Unidos e a Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxalmente, são esses mesmos radicais ligados a al-Qaeda que garantem a sobrevivência política de Pervet, que por sua vez é apoiado pelos Estados Unidos. Notícias mais recentes dão conta de que os fundamentalistas de Bin Laden negam qualquer envolvimento com o atentado. Dizem que não matam mulheres (sic).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partidários de Benazir afirmam que o governo tenta a todo instante justificar de que modo a ex-premiê morreu, em vez de descobrir quem foi o mentor do atentado, o que tem gerado manifestações e confrontos violentos em todo Paquistão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem foi o puto que matou Benazir Bhutto? A motivação do crime sem dúvida foi política. Benazir era favorita para se tornar mais uma vez chefe de governo em eleições menos sujas e manipuladas, como a que confirmou mais uma vez na presidência o ditador Musharraf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "dedo (ou a arma) em riste" para Benazir foi de medo, de intolerância, de covardia. Mas até onde foi possível, Benazir resistiu. E o olho que viu seu assassinato, verá também a punição dos culpados. Eles existem, o olho e os culpados. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-6341237788158233247?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/6341237788158233247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=6341237788158233247' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6341237788158233247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6341237788158233247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/12/quem-foi-o-puto-que-matou-benazir.html' title='Quem foi o puto que matou Benazir Bhutto?'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R3ewAuGuS3I/AAAAAAAAANE/RM2clW13mfg/s72-c/Benazir.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-2851608135436080085</id><published>2007-12-16T17:34:00.000-03:00</published><updated>2007-12-29T23:51:42.791-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Território Invisível de Salvador - Prédio de A TARDE, Praça Castro Alves</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de três meses sem postar uma linha sequer, reinicio minhas atividades blogueiras. Criei agora uma seção especial: "Território Invisível de Salvador". Esta idéia surgiu quando trabalhei com meus alunos o espaço simbólico da cidade na literatura, especialmente em autores baianos ou radicados de diversas gerações. É o que fez Italo Calvino ao recriar o "Livro das Maravilhas" de Marco Polo no seu fantástico fabulário "As cidades invisíveis". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu "mapa imaginário" contempla uma geografia de Salvador que, embora seja visível, é pessoal e intransferível, pois descreve e narra uma cidade sob meus olhos de criança, adolescente e adulto. Prédios, praças, ruas, lugares desta terra tão dessemelhante marcados na minha memória visual e afetiva, invisíveis aos outros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada percurso literário é composto por uma nota biográfico-informativa e por uma outra narrativo-ficcional sobre este "território". O primeiro é sobre o prédio da sede antiga do jornal A Tarde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espero que gostem deste meu exercício. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5144728241452239698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R2W_E-GuS1I/AAAAAAAAAM0/yjJO_YX3X6A/s320/100_0266.jpg" border="0" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5144682006129298226" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R2WVBuGuSzI/AAAAAAAAAMg/kd97TB7sqLM/s320/100_0267.jpg" border="0" /&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Marielson Carvalho&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O prédio da antiga sede do jornal A Tarde, na Praça Castro Alves, atualmente sendo reformado para instalar um hotel de luxo, é uma das construções que mais marcam minha memória visual e afetiva como soteropolitano. Quando minha mãe comprava roupas na Rua Chile, especialmente na Sloper, passávamos pela calçada do prédio. Nesta época, início da década de 80, a redação já tinha sido transferida para sua nova sede no Caminho das Árvores, mas na porta principal do prédio ainda rebrilhava, à luz do sol das tardes quentes de Salvador, o nome do jornal, em letreiro de metal dourado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca entrei por este pórtico, que sempre me pareceu altíssimo, mesmo depois de adulto, quando as proporções das coisas tomam seu volume (quase) real. No máximo, subi alguns degraus até sua calçada, de onde já se pode ver, com certa altura privilegiada, a praça em frente, a baía e a ilha. Quão deve ser deslumbrante do último andar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se de fato o prédio for reaberto e nele funcionar um restaurante na cobertura, serei um freqüentador assíduo. Um café com amigos, contemplando o pôr-do-sol, será um dos meus "dolce far niente" preferidos. Resta saber, quanto custará este programa.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Soube que o prédio foi vendido por R$ 30 milhões a Nizan Guanaes há algum tempo, que por sua vez deve ter vendido ao grupo hoteleiro ou mesmo, o próprio publicitário estar explorando este filão, já que é mais do que anunciado seu interesse em investir no setor de entretenimento local.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;No andar térreo, do lado da Rua Ruy Barbosa, ficava o Cine Tamoio. Nele assisti a vários filmes, mas especialmente, a dois: ET e Passagem para Índia. Assim como o prédio, a sala de cinema se transformou em outra coisa. Virou igreja evangélica. Com a reforma do antigo Cine Glauber Rocha, que passará a ser Multiplex Unibanco, espero que essa região da Cidade Alta volte a ser um dos centros da cena cultural soteropolitana.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;ROSARIUM&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Ao atravessar o saguão, em direção ao elevador aberto, Rosário foi chamada por um homem vestido de terno de linho branco. Ele tirou o chapéu e ajoelhou-se na entrada do prédio. O ascensorista apertava a campanhia, informando que fecharia as portas. Ela parou, estava indecisa. Se entrasse, subiria ao terceiro andar, onde trabalhava, na redação do jornal, Carlos, seu noivo. Esperava há dez anos casar-se com ele, mas o jornalista, envolvido com política, esquecera que a vida tinha outros sabores, como o de beijar a noiva com gosto de pastilha de hortelã no escurinho do Cine Tamoio, ali mesmo no subsolo de A Tarde. Era só descer, virar a esquina e pronto. Mas isto nunca aconteceu. João, naquela sexta-feira, havia prometido levá-la para ver “Casablanca” se dissesse que terminaria o noivado e ficasse com ele. O sol da tarde entrava fulgurante pela arcada e projetava no chão de mármore bege a sombra de João ajoelhado. O elevador subiu. Ela ainda apertou o botão, mas já estava no primeiro andar. João a pediu para não ir e tirou do bolso interno do paletó uma rosa vermelha e lhe ofereceu. Esta seria a segunda que ganharia de João. Antes, foi presenteada quando se conheceram numa feira de flores no Passeio Público. Estava tristonha por ter brigado com o noivo. João a acolheu, e a colheu, no jardim da desilusão. Regou Rosário com cuidado. Semeou-a. Agora era a hora do arranjo, da fita, do cartãozinho. O enlace. Ela aceitou mais uma vez, sob olhares perplexos dos colegas de Carlos, que neste momento, na sala dos Simões, aceitava coordenar a cobertura da campanha ao governo da Bahia daquele ano. João e Rosário assistiram à “Casablanca”. Carlos foi obrigado a assistir, pois um dos elegíveis ao Palácio disse ser um dos melhores lançamentos do ano, além de sua candidatura, é claro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-2851608135436080085?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/2851608135436080085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=2851608135436080085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2851608135436080085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2851608135436080085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/12/territrio-invsivel-de-salvador-prdio-de.html' title='Território Invisível de Salvador - Prédio de A TARDE, Praça Castro Alves'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/R2W_E-GuS1I/AAAAAAAAAM0/yjJO_YX3X6A/s72-c/100_0266.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-641618619349120360</id><published>2007-09-02T21:21:00.000-03:00</published><updated>2007-09-25T15:23:03.380-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><title type='text'>Cansar: verbo transitivo direto, intransitivo e pronominal...</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/Rvb5PUMVYyI/AAAAAAAAAIc/8x6s6IElP-Q/s1600-h/cansei.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113548468439573282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 317px; CURSOR: hand; HEIGHT: 423px; TEXT-ALIGN: center" height="363" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/Rvb5PUMVYyI/AAAAAAAAAIc/8x6s6IElP-Q/s320/cansei.gif" width="253" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://carosamigos.terra.com.br/"&gt;http://carosamigos.terra.com.br/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ufa! Três regências, três opções de construir uma oração, três maneiras de expressar uma ação de fastio, de enfraquecimento, de escassez ou de esmero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra, segundo o dicionário Houaiss, entrou na língua portuguesa no século XIII e tem origem na palavra latina "campsáre", da linguagem náutica (rodear, andar à roda, dobrar um cabo, uma ponta no mar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas últimas semanas, esse verbo na primeira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo tem sido o nome fantasia do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros. Criado com o objetivo de pressionar os representantes do Estado a atitudes que visem à harmonia, à segurança e a paz social, o movimento, capitaneado pela OAB-SP e patrocinado por empresários, já dá sinais de cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "Cansei" não esconde, mesmo com toda a maquiagem publicitária que se tem feito, uma intencionalidade anti-Lula, elitista e partidária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A começar por uma das garotas-propagandas (nem tão garotinha assim) do movimento, Regina Duarte, que declarou no programa de José Serra, que tinha medo de que Lula vencesse as eleições de 2002. A começar por João Dória Jr. , um dos mais entusiastas defensores do elitismo social e econômico do País e que apoiou Geraldo Alkmin. A começar por Paulo Zottolo, presidente da Philips, que fez uma declaração preconceituosa sobre o Piauí ("se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado"), Estado governado pelo PT (coincidência?). A começar... Vamos terminar por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato público organizado pelo movimento em São Paulo, na praça da Sé, me fez lembrar de uma outra manifestação no mesmo local, esta bem mais popular. No chão da praça do histórico comício das "Diretas Já", que reuniu, em 1984, 300 mil pessoas, o "Cansei" conseguiu apenas 5 mil. Pouco para o estardalhaço midiático promovido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a intenção foi lembrar o significado político das "Diretas Já", que de fato mobilizou o espírito cívico dos brasileiros, porque estávamos todos cansados da ditadura, da tortura e da censura, não logrou êxito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mobilização do "Cansei" teve mais acolhida em grupos e núcleos da classe média, média-alta, alta, altíssima, que enviaram seus soldados mais aguerridos. A patuléia, se foi convidada, não entendia muito bem a motivação daquele desfile de celebridades no palco, ao contrário, aproveitou que passava para o trabalho ou à procura de trabalho para ver o espetáculo de caras e bocas do show business nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quer mais Ivete Sangalo, com sua cobertura no metro quadrado mais caro de Salvador? E Hebe Camargo, com seu salário milionário e participação também milionária de merchadising no SBT? E Ana Maria Braga, com sua lancha nababesca e suas fazendas de criação de gado?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Jesus Sangalo, irmão de Ivete, foi quem deu a idéia de criar o movimento e arregimentou uma tropa de notáveis para levantar a bandeira com ele. O interessante é que ele foi buscar na elite paulista esse apoio, a que mais esperneia por ter que carregar nas costas o Brasil e, especialmente, o Nordeste, a "chaga sócio-econômica" do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse comportamento é verificável na fala de Patrícia Rollo, socialite, ex-Mansur, dono das extintas Mesbla e Mappin, que mesmo sem o glamour de outrora, não dá o braço a torcer e, sem elegância nenhuma (ela é autora de um livro de boas maneiras), desce o pau do preconceito nos baianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista à &lt;a href="http://www.cartacapital.com.br/2007/07/459/a-elite-esperneia/"&gt;Carta Capital&lt;/a&gt;, ela chama de acomodados os baianos que recebem o Bolsa Família, pois estes não procuram mais trabalho, ficam só na dependência do governo. Absurdamente, diz que isso se deve ao clima, ao calor, à falta de cultura (sic).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase do cartunista Laerte em &lt;a href="http://carosamigos.terra.com.br/"&gt;Caros Amigos&lt;/a&gt; deste mês, ao comentar sobre o "Cansei", se encaixa perfeitamente à socialite: "É uma idiotice de madame". Ela, dentre outras, se cansaram de não fazer nada, ou mesmo, de gastar dinheiro na Daslu, e decidiram fazer um passeio pelo centrão de São Paulo, com escolta de seguranças particulares, vestidas de casaco de pele e sufocando os outros com sua soberba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mês depois do ato cívico na praça da Sé, o movimento implodiu, perdeu o fôlego, cansou mesmo. Embora o site oficial insista em dizer que está numa segunda fase, a de elaboração de propostas concretas para o governo, é certo que ele se dissolva cada vez mais e desapareça no sorvedouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As principais figuras da campanha sumiram. Ou quando aparecem, causam mais estragos à própria imagem. Foi o caso de Ivete Sangalo que, na tentativa de salvar a pele de Zottolo em um show em Teresina, disse: "Se meu corpo fosse um mapa, meu coração seria o Piauí". Vaia para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse os piauienses, boicotava Ivete em qualquer aparição dela por lá. Assim como fez a Insinuante, a maior rede de eletrodomésticos do Nordeste, que retirou todos os produtos da marca Philips de suas cinco lojas no Estado (acho que mais com receio da população depredar tudo, do que propriamente dar apoio a ela).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detalhe: não é a primeira vez que Zottolo bole com o Piauí. Segundo a revista &lt;a href="http://www.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=258"&gt;Piauí&lt;/a&gt;, quando ele era diretor da Nivea, disse que antes dele a marca era como Teresina, "todo mundo sabe que existe mas ninguém sabe onde fica". Um tolo, esse cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro detalhe: Ivete Sangalo é patrocinada pela Philips. Como foi antes pela Nivea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à etimologia do verbo "cansar", vindo de "campasáre", inicialmente significando rodear, andar à roda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nadar, nadar e chegar à praia morto de cansaço, depois de tentativas (frustradas) de dobrar uma ponta de mar, como representação mesma do fim deste movimento, não é de todo impossível de se imaginar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, não há possibilidade de regência verbal para completar a (in)transitividade do cansaço deles. De quê? Você sabe? Não nos cansemos à procura de resposta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-641618619349120360?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/641618619349120360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=641618619349120360' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/641618619349120360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/641618619349120360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/09/cansar-verbo-transitivo-direto.html' title='Cansar: verbo transitivo direto, intransitivo e pronominal...'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/Rvb5PUMVYyI/AAAAAAAAAIc/8x6s6IElP-Q/s72-c/cansei.gif' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-7210754891660279150</id><published>2007-08-05T21:58:00.000-03:00</published><updated>2007-08-08T10:45:33.667-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>Caso Richarlyson: a intolerância continua</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RraJWRLC0nI/AAAAAAAAADo/QeEFgewtBFw/s1600-h/Richarlyson+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095411044076147314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 230px; HEIGHT: 233px; TEXT-ALIGN: center" height="197" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RraJWRLC0nI/AAAAAAAAADo/QeEFgewtBFw/s320/Richarlyson+2.jpg" width="160" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com chamada de capa na Folha de S. Paulo deste domingo (5.8), Maurício Murad, doutor em sociologia do esporte, analisa a sentença do juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, que julgou o processo de injúria por meio da mídia, impetrado por Richarlyson, &lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=P1ZLSouj6xY"&gt;jogador do São Paulo Futebol Clube&lt;/a&gt;, contra José Cyrillo Jr., diretor do Palmeiras. O cartola teria exposto publicamente a orientação sexual do jogador. Sobre este episódio eu já comentei aqui no &lt;a href="http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007_06_01_archive.html"&gt;blog&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=uZYTTlAMQyQ"&gt;No despacho&lt;/a&gt;, que orienta o arquivamento do processo, o juiz demonstra abertamente seu preconceito aos homossexuais e, em especial, àqueles que jogam futebol. Sugeriu que estes deveriam fazer uma federação à parte da "oficial", por considerar que futebol é um "esporte viril, varonil, não homossexual". E foi mais além na intolerância: "Cada um na sua área, cada macaco em seu galho, cada galo em seu terreno, cada rei em seu baralho". Pasmem! É de uma ignorância sem igual! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os advogados pediram o afastamento do juiz do processo, que foi acatado pelo Tribunal de Justiça. Ele ainda terá de justificar, com plausibilidade, no Conselho Nacional de Justiça, o porquê de sua decisão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que surpreende neste caso é a inconsequência do juiz que, em vez de julgar o mérito em si, se houve ou não injúria, preferiu por julgar o jogador pela sua suposta homossexualidade. E a todos que forem gays. Um discurso homofóbico justamente vindo de uma instituição elementar da democracia que deveria proteger o cidadão contra a discriminação, ou seja, fazer valer seus direitos constitucionais de igualdade perante à lei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leia trecho de artigo do sociólogo acima citado: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"As regras do futebol supervisionadas pela International Board são 17. Nenhuma permite a discriminação por opção sexual. Aliás, uma das dimensões mais importantes do futebol, fator que ajuda a explicar sua planetária popularidade, é exatamente esta: qualquer pessoa pode jogar -e jogar bem- futebol, independentemente de classe, cor, tipo físico, opção sexual ou gênero. (...) O filósofo e escritor Camus, que foi goleiro, afirmou que o melhor que havia aprendido sobre ética e bons costumes devia ao futebol. Este, mais do que um esporte, é uma analogia da vida -e, assim, é um grande tema para as ciências humanas, inclusive para o direito. O futebol é uma via de acesso a temas de alto valor, como a inclusão social e a igualdade de oportunidades. Desconhecer isso é grave para uma ocupação tão relevante quanto a de um juiz; conhecer e não observar é muito pior e condenável. Rui Barbosa, expoente de nossa cultura jurídica, era um entusiasta do caráter educacional dos esportes. Considerava-os o lugar do mérito e dos ideais de igualdade. Por isso, os jovens precisavam de esporte, para que, no futuro, melhorassem a sociedade."&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E por falar em igualdade, eu queria parabenizar as jogadoras da seleção feminina, que deram lição de competência à seleção masculina. Ganharam o ouro no PAN também por terem vencido nos gramados o preconceito e o machismo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os machões tiveram que engolir esta. E a seco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-7210754891660279150?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/7210754891660279150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=7210754891660279150' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/7210754891660279150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/7210754891660279150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/08/caso-richarlyson-intolerncia-continua.html' title='Caso Richarlyson: a intolerância continua'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RraJWRLC0nI/AAAAAAAAADo/QeEFgewtBFw/s72-c/Richarlyson+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-1615475783676168982</id><published>2007-08-01T11:25:00.000-03:00</published><updated>2007-08-08T11:03:50.075-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><title type='text'>Carta ao jornal A Tarde - Raimundo Varela</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RrCZIhLC0mI/AAAAAAAAADc/gtVI4gFkB98/s1600-h/rvarela.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093739550178726498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RrCZIhLC0mI/AAAAAAAAADc/gtVI4gFkB98/s320/rvarela.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Daniel Pinto (&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.samuelcelestino.com.br/"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;www.samuelcelestino.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na coluna &lt;em&gt;Tempo Presente&lt;/em&gt; (A Tarde), 30 de julho, a jornalista Rita Conrado comentou sobre o projeto "Balanço Geral nos Bairros", do programa de Raimundo Varela na Tv Itapoan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por se tratar de um pré-candidato desde as últimas eleições municipais, o apresentador pode estar semeando ainda mais sua popularidade (e intenções de votos para ele) com este projeto que, embora seja de lazer, assistência social e cidadania para moradores humildes de bairros de Salvador, não deixa de ser uma pré-campanha à Prefeitura, mesmo que ele não admita isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como observador atento, enviei uma carta ao jornal para corroborar a opinião da jornalista, que a publicou na edição de hoje, 1° de agosto, na seção "Espaço do Leitor", juntamente com a nota de esclarecimento do diretor da Tv Itapoan. Num dos pontos de sua carta, ele diz desconhecer "políticos e estudiosos de comunicação" que questionam o programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9K6GSlf73Qw"&gt;É incontestável o carisma de Raimundo Varela&lt;/a&gt;, que muitos outros apresentadores tentaram (ou tentam) imitar, mas que são uns arremedos. Sou telespectador eventual de seu programa e admiro a sua longevidade na televisão como um comunicador polêmico, embora, algumas vezes, derrape um pouco nos comentários, chegando até ser preconceituoso e deselegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Varela não está desrespeitando a lei eleitoral porque ainda não está registrado como candidato. E nem fala em seu programa que o será. Mas os ataques à administração de João Henrique e a sua filiação e/ou aproximação a partidos que se aninham na Igreja Universal do Reino de Deus, ligada por seus pastores a gestores da Tv Itapoan, já dão mostras de que ele, é sim, o candidato preferido da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não é crime eleitoral (espero que ele se afaste da bancada do Balanço Geral, caso seja efetivada sua candidatura), é falta de ética para quem tanto preza e defende isto em seu programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a minha carta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Varela nos bairros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto Balanço Geral nos Bairros não só causa estranheza e desconfiança em políticos e estudiosos de comunicação, mas em todos os cidadãos conscientes, telespectadores inteligentes e observadores atentos às articulações partidárias e midiáticas de Raimundo Varela e da Tv Itapoan. O programa já é uma escola de fazer candidatos à Prefeitura e à Câmara municipais, leiam-se Fernando José e Guilherme Santos, que estava sumido e agora brotou do nada. Se se cumprir a tradição, teremos outra dobradinha saída da Rua Ferreira Santos para a Praça Municipal. Parodiando o próprio clichê do programa, eu ironizo: ‘Me deixe viu, Varela!’”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Marielson Carvalho&lt;/strong&gt;, Salvador&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-1615475783676168982?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/1615475783676168982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=1615475783676168982' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/1615475783676168982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/1615475783676168982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/08/carta-ao-jornal-tarde-raimundo-varela_01.html' title='Carta ao jornal A Tarde - Raimundo Varela'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RrCZIhLC0mI/AAAAAAAAADc/gtVI4gFkB98/s72-c/rvarela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-7169844475251616572</id><published>2007-07-22T00:03:00.000-03:00</published><updated>2007-07-24T12:19:35.888-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>PAN, TAM e ACM</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RqPWzxLC0jI/AAAAAAAAADE/ol4dtiISx3U/s1600-h/Pan.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090148188720124466" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 297px; CURSOR: hand; HEIGHT: 230px; TEXT-ALIGN: center" height="251" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RqPWzxLC0jI/AAAAAAAAADE/ol4dtiISx3U/s320/Pan.jpg" width="271" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RqPWoxLC0iI/AAAAAAAAAC8/5gsRj0NXvNg/s1600-h/TAM2.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090147999741563426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 299px; CURSOR: hand; HEIGHT: 89px; TEXT-ALIGN: center" height="89" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RqPWoxLC0iI/AAAAAAAAAC8/5gsRj0NXvNg/s320/TAM2.gif" width="303" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RqPWSRLC0gI/AAAAAAAAACs/GrzFW5sKQog/s1600-h/ACM.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5090147613194506754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 234px; TEXT-ALIGN: center" height="215" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RqPWSRLC0gI/AAAAAAAAACs/GrzFW5sKQog/s320/ACM.jpg" width="271" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O tema do programa &lt;a href="http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/oinatv.asp?tv_edi=424"&gt;&lt;em&gt;Observatório na TV&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; (TVE-Bahia), apresentado por Alberto Dines em 10 de julho último, foi "Jogos Pan-Americanos: relaxar e torcer". Discutiram-se como o evento seria coberto pela imprensa e as justificativas e estratégias das empresas de comunicação em tornar o evento interessante para o público brasileiro durante os 18 dias de realização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo previsão de Dines, com o começo dos Jogos, a imprensa não saberia tratar em seus noticiários de outra coisa senão de medalhas, recordes e vitórias. O Brasil estaria mergulhado no espetáculo midiático do Pan-Americano, orgulhoso de seus atletas e dos comentários elogiosos dos estrangeiros à grandiosidade e à excelência das instalações recém-construídas para as competições, enquanto a crise no Senado e seus desdobramentos ficariam em segundo plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal de contas, vive-se num país de (das) maravilhas e ouvir o Hino Nacional a cada cerimônia de entrega de medalhas é um mantra para se entrar no nirvana patriótico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política deu seu jeitinho e também entrou em campo para jogar no Pan. Ironia do destino, aconteceu justamente no Maracanã. Nelson Rodrigues já disse que no Maracanã se vaia até minuto de silêncio. Então... Vaias para Lula, que entrou mudo e saiu caladíssimo. Embora o destaque do dia fosse a abertura, as vaias ocuparam o noticiário, enquanto, por exemplo, as perfomances brilhantes de Chico César com o Quinteto da Paraíba e do Cordel do Fogo Encantado foram esquecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana seguinte, depois de três dias de começado os jogos e de um fim de semana recheado de vitórias do Brasil no Pan e na Copa América, a imprensa volta-se para um episódio que mostrou o quanto ela é capaz de ser eqüitativa e diversificada na cobertura de grandes acontecimentos. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O acidente com o avião da TAM trouxe a política mais uma vez para o campo do Pan e lhe tira a exclusividade midiática. Aliás, antes dos Jogos, o caos aéreo já competia, em termos de preocupação das autoridades, com o caos na segurança pública do Rio. A greve dos controladores de vôo foi abortada, mas a crise continuou pairando no ar. E deu no que deu. Cerca de 192 pessoas mortas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em todos os principais meios massivos de informação (jornal, televisão, internet e rádio), a imprensa (independentemente da linha editorial que as empresas tenham adotado para tratar das causas e dos responsáveis pelo acidente) não tratou o público como um autômato, que pensa movido a programação eletrônica ou a estímulos alheios à sua vontade...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;E para completar esta semana de notícias de "1ª página", eis que falece ACM. Mais um editorial importante a dividir com o Pan, a atenção do público. Neste caso, um público mais baiano, talvez nordestino, do que do restante do Brasil, especialmente o de São Paulo e Rio de Janeiro, que não tinha muito simpatia pelo senador. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pela sua participação sempre efetiva e aberta nos regimes ditatorial e democrático dos últimos quarenta anos de história política brasileira, a morte de Antônio Carlos Magalhães atraiu em todos os grandes noticiosos análises, comentários e matérias especiais.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Resumo da ópera brasiliana: a mídia, nesta semana, respeitou a diversidade de interesse por informações, mesmo que tenha sido para nosso bem ou para nosso mal, para nossa alegria ou para nossa tristeza, para nossa satisfação ou para nossa indignação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E nessa torrente toda de acontecimentos, Renan Calheiros tenta tirar, sem que ninguém dê conta disso, os seus bezerros e vacas do brejo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-7169844475251616572?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/7169844475251616572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=7169844475251616572' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/7169844475251616572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/7169844475251616572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/07/pan-tam-e-acm.html' title='PAN, TAM e ACM'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RqPWzxLC0jI/AAAAAAAAADE/ol4dtiISx3U/s72-c/Pan.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-2872329809834049963</id><published>2007-07-09T23:31:00.000-03:00</published><updated>2007-12-30T00:05:42.651-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Castro Alves</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RpR2STU4C2I/AAAAAAAAACM/4kJq_L1YKcg/s1600-h/Castro+Alves.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5085819936005688162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 212px; HEIGHT: 362px; TEXT-ALIGN: center" height="320" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RpR2STU4C2I/AAAAAAAAACM/4kJq_L1YKcg/s320/Castro+Alves.jpg" width="212" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Eu tenho em mim o borbulhar do gênio". Esta frase dita por um desconhecido, ou mesmo por uma celebridade da vez, poderia soar como presunçosa, arrogante, medíocre até... Mas deixa de ser, quando se sabe que quem a falava com voz sonora e altiva nas tribunas de salões e nos balcões de teatros era Antônio Frederico de Castro Alves.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É certo que a vaidade, tanto intelectual (não aceitava facilmente contestações a seus poemas), quanto estética (cuidadoso na vestimenta e no penteado), era uma de suas características, mas era uma vaidade sem enaltecimentos vãos. Fazia parte de sua performance de poeta romântico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tinha certeza de que sua vocação não era para o Direito, mas para a Poesia, e nesta seara, ao lidar com letras menos duras, mas nem por isso destituídas de verdade, afirmaria sua genialidade como pensador de seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reencontrei-me com Castro Alves nesta semana. E penso que sempre temos sua poesia presente, porque seus versos ecoam ainda em nosso imaginário como "espumas flutuantes" que nunca se dissipam dos mares.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta revisitação aconteceu pelas mãos de Alberto da Costa e Silva, autor de "Castro Alves: um poeta sempre jovem" (Companhia das Letras, 2007, 198 páginas), que faz um perfil do criador de "O navio negreiro" com variedade de informações sobre a sociedade escravocrata do período e como Castro Alves transitou num ambiente hostil aos negros, do qual nem ele mesmo pôde de todo se desvencilhar, já que, a sua convivência com africanos ou afro-brasileiros escravizados na intimidade do lar, era antagônica politicamente à sua campanha e verve abolicionistas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em 24 capítulos (não por acaso a idade com a qual o poeta morreu), Costa e Silva nos mostra as intimidades e a personalidade deste baiano de Curralinho (atual Castro Alves), sem cair no pieguismo com que muitos críticos literários e biógrafos já fizeram. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O autor, especialista em escravidão no Brasil, dá ao texto um tom quase ensaístico, sem esquecer de uma linguagem mais narrativa para descrever as aventuras e desventuras de Cecéu em Salvador, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, especialmente entre os nove anos e cinco meses (1862-1871) em que construiu uma vida literária de reconhecimento popular, num período de público-leitor reduzido, mas ouvinte atento às declamações de poetas em eventos abertos como os que Castro Alves participou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algumas curiosidades são reveladas, como a da madrasta de Castro Alves, viúva de um traficante de escravos da Bahia, o português Lopes Guimarães, que ao morrer deixou para ela e os três filhos uma herança que garantiria o mesmo status social e financeiro, inclusive a continuidade por algum tempo dos negócios negreiros do falecido. O palacete da rua Sodré, onde Castro Alves morreu, fazia parte do inventário. Lá, o pai do poeta foi morar com os filhos. A Viúva Lopes, quando o patriarca Alves morreu, teve de assumir as despesas de Castro Alves no curso de Direito em Recife. Ironicamente, o dinheiro que ela ganhara com o tráfico, bancou o poeta abolicionista em suas tertúlias. E o tiro no pé, hein? Acidente ou tentativa de suicídio? Ele havia terminado o namoro, quase casamento, com a atriz lisboeta Eugênia Câmara, para quem escreveu a peça "Gonzaga" e vários poemas líricos, inspirados ora em alegrias, ora em tristezas pelas quais passava o casal. Falou-se muito que Castro Alves amava mais Eugênia, do que o contrário. E que parte das brigas devia-se mais aos ciúmes de Castro Alves, que não gostava de ver Eugênia assediada (e correspondendo ao cortejo) por homens mais maduros e experientes que ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra versão era que, mesmo apaixonado por ela, sua vaidade era maior, pois não admitia que a mulher tivesse mais aplausos que ele ou que ela não lhe desse sempre louros. Culta, livre e independente (dez anos mais velha), Eugênia batia de frente contra esse egoísmo de Castro Alves. O rompimento era certo. E até a morte, nunca esquecera um só minuto dela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com o tiro, ocorrido numa caçada no Brás, redondezas do centro de São Paulo, Castro Alves, que já amargava a dor do coração dilacerado com a separação, teve de suportar a dor física causada tanto pelo ferimento no pé, quanto dos pulmões enfranquecidos pela tuberculose que o acompanhava desde adolescente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pé amputado, tuberculose incurável, Castro Alves retornou para Salvador, mas não perdeu o espírito poético e produziu até o fim. É claro que perdeu a vivacidade dos tempos de convivência política e literária em Recife e em São Paulo, mas sua força de vontade resultou na edição de "Espumas flutuantes", quase um ano antes de morrer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O poeta, que já tinha revelado "O navio negreiro" em 7 de setembro de 1868, preferiu por fechar o ciclo de sua borbulhante genialidade com um livro, cujos poemas, embora carregados de sentimentos mais românticos e amorosos, não descuidavam de tratar de uma questão cara à sua trajetória como homem de poesia contra o Brasil escravista de então: a liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adelaide, sua irmã, narra os últimos momentos de Cecéu: "Na véspera de morrer (...), à noite, perguntando as horas e se lhe respondendo: 'É meia noite', suspirou dizendo: 'Será possível, meu Deus, ainda um dia de dor?' (...) Numa das ocasiões (...), angustiada, lhe passava o lenço pela fornte umedecida, ele com voz extinta quase, mas repassada de meiguice, murmurou-lhe: 'Guarda este lenço... com ele enxugaste o suor de minha agonia. (...) Foi sem grandes ânsias nem estertores. Imóvel já, o olhar fito nessa nesga de céu que se descortinava da janela aberta em frente ao leito em que jazia - pouco a pouco a luz desse olhar foi amortecendo, até de todo difundir-se nas sombras da Eternidade... Eram três e meia horas (...) da tarde". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi enterrado no dia seguinte, 7 de julho de 1871, no Campo Santo. Três anos depois, seus restos mortais foram recolhidos ao mausoléu do ex-marido de sua madrasta, o traficante de escravos. Mais uma ironia do destino, desta vez menos indireta. Só quase cem anos depois, em 6 de julho de 1971, foram trasladados para o monumento da praça, batizada com seu nome, onde sua imagem com o braço estendido e em perfomance declamatória parece estar sempre bradando, para os quatro cantos da Cidade da Bahia, versos como "a praça é do povo/ como o céu é do condor".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5085824355527035794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; HEIGHT: 293px; TEXT-ALIGN: center" height="274" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RpR6TjU4C5I/AAAAAAAAACk/hQpDzc7D5kc/s320/Pra%C3%A7a+Castro+Alves.jpg" width="320" border="0" /&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Marielson Carvalho&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-2872329809834049963?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/2872329809834049963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=2872329809834049963' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2872329809834049963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2872329809834049963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/07/castro-alves.html' title='Castro Alves'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RpR2STU4C2I/AAAAAAAAACM/4kJq_L1YKcg/s72-c/Castro+Alves.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-2423413701465488661</id><published>2007-06-29T17:03:00.000-03:00</published><updated>2007-07-22T02:39:11.163-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>Gay no futebol só como torcedor?</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RoV9RDU4C0I/AAAAAAAAAB8/-2xQ-V5HJRc/s1600-h/rycharlison.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081605486461586242" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RoV9RDU4C0I/AAAAAAAAAB8/-2xQ-V5HJRc/s320/rycharlison.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Futebol é coisa de macho, certo? Certo para os machistas e homofóbicos. Errado para quem considerar o futebol também como esporte preferido de homossexuais. Eles só podem participar fora do campo, como torcedores nas arquibancadas dos estádios ou na poltrona de suas casas. Como jogador, nem pensar, embora Dadá Maravilha, heterossexual, jogador da Seleção Brasileira na década de 70 &lt;a href="http://www.terra.com.br/istoe/comport/143316.htm"&gt;revelar&lt;/a&gt; que, naquela época, já existiam muitos jogadores gays. Ele inclusive já foi cantado por um colega de equipe que adorava suas pernas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se naquele período de repressão sexual o babado já rolava nos vestiários, imagine agora, com abertura e afirmação homossexual em cada esquina, embora ainda com restrições violentíssimas de homofóbicos de plantão, com porrete e revólver na mão.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A polêmica agora eclodiu, veio à tona, quando o diretor administrativo do Palmeiras no programa "Debate Bola" (Record), insinuou que Richarlyson (foto), jogador do São Paulo, seria gay. Quando indagado se na equipe palmeirense havia algum atleta homossexual, respondeu: "O Richarlyson quase foi do Palmeiras".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo matéria no &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u308256.shtml"&gt;Folha Online&lt;/a&gt;, a pergunta teria sido feita, depois que divulgaram em um jornal paulista que a equipe do "Fantástico" estaria negociando uma entrevista exclusiva com um jogador de um grande time de São Paulo, na qual ele revelaria sua orientação homossexual. A Globo desmente.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desmentidos ou não, atos falhos ou não, ninguém acredita de que não existam jogadores gays no futebol brasileiro. Eles estão, é verdade, ainda no armário (dos centros de treinamento, dos vestiários dos estádios, de suas próprias casas...), mas declarações como a de Dadá acima, já sinalizam que o jogador gay pode ser justamente aquele que fez, no último jogo, a alegria dos torcedores ao chutar a bola, pontuar com um lindo gol e tornar o time vencedor da partida... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo comentários, algumas pessoas que convivem com Richarlyson (fora ou dentro de campo) sabem de sua suposta homossexualidade, mas que não deixam de vê-lo como profissional de futebol, inclusive com títulos de campeão em torneios nacionais e estaduais. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só achei estranho o advogado do jogador, que pretende processar o cartola do Palmeiras por danos morais e materiais, declarar que conhece "a família dele, sua índole e seu caráter há 11 anos, desde que ele começou a jogar". Quer dizer que ser gay é não ter caráter? Há, inclusive, muitos heterossexuais canalhas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por ser um esporte com maioria masculina, assim como nas Forças Armadas, existe uma certa fascinação dos homossexuais por seus praticantes... Quantas vezes, em revistas de nu masculino, jogadores já se despiram para os gays? Vampeta, por exemplo, foi um deles. Questionaram inclusive se ele era realmente heterossexual, só pelo fato de posar para "GMagazine". A justificativa de alguns foi a de que só de imaginar que um outro homem terá sonhos eróticos com o jogador, depois de publicadas as fotos, já é indício de que ele seria gay, pois se satisfaz com esta exposição pública de sua nudez. Houve até dirigentes de times de futebol que proibiram seus jogadores de posarem nus. Do contrário, demissão. "Nem para revistas femininas?", perguntariam os jogadores-modelos. "Não! Os gays são os que mais compram revistas de nu masculino", argumentariam os cartolas desconfiados. A sexualidade humana é tão complexa... Freud já tentou explicar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há gays que praticam futebol tanto pela atividade física, desportiva ou profissional, quanto pelo prazer de estar ao lado de outros homens, do contato corporal, pela virilidade. Fora do campo, gostam do esporte tanto como torcedores de times, quanto admiradores da beleza ou porte atlético dos jogadores. Existem homens que não suportam nem ouvir falar em futebol, nem por isso deixam de ser heterossexuais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas há também gays e heterossexuais homofóbicos, que torcem, por exemplo, para o São Paulo Futebol Clube. Como as torcidas organizadas, em sua maioria, são bastante radicais em seu furor gremista e, não raro, serem células de atos criminosos e de vandalismo, eu temo pela segurança de Richarlyson, mesmo que ele nem seja realmente gay... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;O machismo é cego e letal.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-2423413701465488661?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/2423413701465488661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=2423413701465488661' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2423413701465488661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2423413701465488661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/06/gay-no-futebol-s-como-torcedor.html' title='Gay no futebol só como torcedor?'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RoV9RDU4C0I/AAAAAAAAAB8/-2xQ-V5HJRc/s72-c/rycharlison.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-5459097541086419129</id><published>2007-06-18T22:58:00.001-03:00</published><updated>2009-02-11T18:23:19.269-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Da janela se vê o mar - conto</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/Rnc_J9VQQ8I/AAAAAAAAAB0/iKXnxKtc4HE/s1600-h/janela+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5077596545198605250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 294px; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" height="320" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/Rnc_J9VQQ8I/AAAAAAAAAB0/iKXnxKtc4HE/s320/janela+2.jpg" width="256" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;uma história sobre amor de homens&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;Para Diomedes, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;in memoriam&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;&lt;em&gt;Não o amor, mas os arredores é que valem a pena...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fernando Pessoa &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Passava em frente à cafeteria onde costumávamos tomar capuccino com torta de morango. No exato momento em que observava os enfeites luminosos de Natal da entrada, um cliente abriu a porta e pude ver rapidamente a mesa onde eu e Juliano sentávamos. Aquele cantinho era o lugar para atar ou desatar os nós de nossos sentimentos. Lembranças vêm assim, num turbilhão de emoções que nos deslocam. Estava com pressa, tinha de me encontrar com meu novo namorado, mas parei por uns segundos no meio da calçada. Fiquei em suspensão pelos fios da memória... Uma marionete manipulada por Juliano que me levou para dentro do Café Atlântico. Foi ele mesmo quem o descobriu, meio escondido numa rua sem movimento do Centro. O garçom me reconheceu, deu aquele sorriso receptivo e apontou para a mesa como se eu a tivesse reservado. Embora os donos, um casal gay de Porto Alegre, tivessem feito uma reforma no interior, ampliando a entrada, nem a decoração nem o clima acolhedor mudaram. As cadeiras de veludo salmão continuam tão confortáveis quanto antes e as mesas ainda tinham tampo de vidros translúcidos. Podíamos ver nossos pés se cruzarem e se acariciarem debaixo da mesa quando nos reconciliávamos. Ou nervosos e distantes quando não conseguíamos nos entender. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;- Não, não espero por ninguém, respondi ao garçom.&lt;br /&gt;- Cadê aquele seu amigo?&lt;br /&gt;- Juliano? Meu ex-namorado?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Não o vejo há meses.&lt;br /&gt;- Ah.. Vai pedir torta de morango e capuccino sem chantilly?&lt;br /&gt;- Com chantilly, Juliano era quem não gostava.&lt;br /&gt;- Ah, desculpe, é que depois de tanto tempo... Com licença.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;No primeiro salão, onde eu estava, só havia um jovem sentado perto da janela. Sobre a mesa, um envelope de carta pequeno. Ele parecia tenso, ansioso. Roía as unhas e mergulhava diversas vezes o saquinho de chá na caneca vazia. Olhava para fora, esticava o pescoço para ver melhor a rua, passava a mão pelos cabelos compridos. Fazia um estilo grunge. Tinha um jeito meio rebelde, de afronta, devia ter uns dezessete, dezoito anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Na parte dos fundos, ficava a área para fumantes, mais cheia. Ninguém conhecido. Decidi ficar apenas quinze minutos, mas todos meus sentidos tinham sido invadidos por fragmentos de um tempo que eu insistia em não mais retomar. Juliano me prende nessa cafeteria, por quê? Precisava de uma tesoura para cortar aqueles fios que me impeliam a comer a torta e a sentir o gosto de sua boca agridoce-morango, era mais gostosa a torta ou sua língua açucarada?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;- Mais alguma coisa?, perguntou o garçom.&lt;br /&gt;- Hã?! Não.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Lembrei-me dos momentos em que eu chegava antes de Juliano e ficava na expectativa de vê-lo entrar de sorriso largo, como o do cara que entrou agora... Ele se dirigiu para a mesa do jovem de cabelos compridos. Os lábios cerrados de um não se correspondiam com o brilho do sorriso do outro. Os tais nós precisavam ser atados naquela mesa. Tão logo se sentou, o rapaz do sorriso recebeu a carta. Tentei ouvir o que falavam, mas a voz de Teresa Salgueiro, de Madredeus, desviou minha atenção para um pôr-de-sol deslumbrante em Lisboa, à beira do Tejo. Foi lá que conheci Juliano. Eu estava em pé, na mureta de proteção do cais, e ele sentado na ponte de atracação, poucos metros à minha frente. Com fones no ouvido, distraía-se com uma música. Os óculos escuros impediam que eu visse seus olhos, não sabia se olhava para mim fixamente ou se cochilava, o que era perigoso, porque poderia cair no rio. Depois de alguns minutos, quis conhecê-lo e fui até lá. Toquei em seus ombros largos e musculosos. Ele desligou o cd portátil, tirou os óculos e abriu um sorriso encantador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;- Não é perigoso você sentar aí, pode cochilar e...&lt;br /&gt;- Teria você pra me salvar.&lt;br /&gt;- Salvaria sim, ainda faria respiração boca a boca.&lt;br /&gt;- É a melhor parte do salvamento... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Rimos de nossa própria ousadia. Dois estranhos, que nem seus nomes foram revelados, já se ofereciam sem restrições. Não estávamos ali apenas para ver o fim de tarde, mas procurando também uma companhia para nossa solidão. Fosse para um bate-papo casual fosse para um sexo rápido num motel barato, decidimos ir ao Cais Sodré no momento certo. Ele era estudante de intercâmbio na cidade, eu passava férias em casa de amigos. Nossas afinidades iam além do gosto de ler Pessoa e Quintana, assistir a Almodóvar e Winders, ouvir Madredeus e The Cranberries; elas convergiam para o mesmo prazer de um estar olhando para o outro. Tínhamos encontrado em cada um o que há tempos procurávamos. E já saímos dali apaixonados. Subimos para o Bairro Alto e jantamos num restaurante de onde pudemos observar o Tejo até a Torre de Belém... Toda cidade tem um cheiro, e Lisboa nesse momento exalava um perfume cítrico-amadeirado que me inebriava, ou seria o perfume de Juliano que se espalhava por onde passávamos? Só sei que senti uma vontade de abraçá-lo com força, e o fiz como quem tinha a certeza de que um dia poderia perdê-lo... Lisboa compunha nossa geografia durante os dias em que percorríamos suas ruelas, ladeiras e miradouros, como um casal feliz em lua-de-mel. Em outros momentos, como o da cafeteria, quando era grande o silêncio e eu aguardava o milagre num sonhar acordado, Lisboa se instalava de novo em mim. Embora não nos víssemos mais, nem sabia se ele estava em Salvador, louvava a saudade por alguns minutos, talvez com desejo de reencontrá-lo para ver de novo seu sorriso... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;O toque do celular me trouxe para a realidade, era meu namorado que já me esperava na saída do trabalho... O café tinha esfriado, só comi mais um pedaço da torta e pedi a conta ao garçom. Junto com a despesa, veio um bilhete. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;- De quem é?&lt;br /&gt;- De um daqueles dois que estavam sentados ali.&lt;br /&gt;- Quem?&lt;br /&gt;- O que parecia com aquele seu amigo.&lt;br /&gt;- Juliano?&lt;br /&gt;- Acho que era ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Abri o bilhete e reconheci a caligrafia. Meu Deus! Com que olhos eu estava que não o vi? Por que não falei com ele? Na sala, outras pessoas conversavam; a mesa encostada à janela estava agora ocupada por uma velha, que tomava um suco. Virei a cabeça para procurá-los na sala de fumantes, e nada. No bilhete, a mensagem: &lt;em&gt;O Tejo desaguou nossas lembranças no mar, não sabemos em que praia irão aportar... Juliano.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;- Eles já foram há muito tempo?&lt;br /&gt;- Quase uma hora.&lt;br /&gt;- Como, se estou aqui há pouco mais de quinze minutos?&lt;br /&gt;- Não, há mais de meia hora.&lt;br /&gt;- Ah, devo ter perdido a noção do tempo... Foi a primeira vez que você os viu juntos?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Eles brigaram?&lt;br /&gt;- Houve um pouco de discussão no começo, mas terminaram felizes.&lt;br /&gt;- E a carta?&lt;br /&gt;- Rasgada sobre a mesa, logo depois que saíram joguei no lixo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Paguei a conta e saí às pressas. O bilhete na mão, amassado e molhado de suor, provava que Juliano estava mais perto de mim do que imaginava. Aquele cara não era o mesmo Juliano, só o sorriso é que parecia, ou era de verdade? Se fosse ele, ainda assim tinha emagrecido, deixou a barba crescer, usava uma boina, roupas diferentes... Por isso não reconheci. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Da mesma forma que começamos o namoro, sem delongas, ele se afastou como se fugisse de algum mal. Confesso que uma das últimas reconciliações, depois de desentendimentos por causa de algumas revelações que eu fiz, o nó não foi totalmente atado, ficou ainda frouxo. Ele disse que visitaria parentes no interior, voltou depois de uma semana e não me ligou. Procurei diversas vezes em sua casa, dei telefonemas, escrevi cartinhas... Nenhuma resposta. Recebia informações desencontradas de que estava com outro amor, seria o jovem de cabelos compridos?, de que passava dias ali e acolá em casa de amigos que eu nunca tinha ouvido falar, de que voltou para Europa...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;- Onde você estava?, perguntou com raiva o meu namorado.&lt;br /&gt;- Desculpe, meu bem, é que tive de fazer uma coisa importante.&lt;br /&gt;- Você sempre se atrasa... O que foi dessa vez?&lt;br /&gt;- Coisas minhas.&lt;br /&gt;- Vamos agora fazer o quê? Perdemos a sessão das 18, agora só a das 21.&lt;br /&gt;- O que você sugere?&lt;br /&gt;- Tem uma cafeteria aqui perto que há muito tempo não vou. Vamos dar um tempo lá.&lt;br /&gt;- Que cafeteria?&lt;br /&gt;- Atlântico. Lá você me explica melhor que “coisas minhas” são essas que estava resolvendo.&lt;br /&gt;- Por que não vamos pra minha casa? Assistiremos ao filme amanhã. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Não foi fácil convencê-lo a desistir do cinema e, principalmente da cafeteria. Aquele lugar me transforma, perco o sentido. Ao contrário de Juliano, Gustavo tinha poucas afinidades comigo, era mais nervoso e exigente. Seus ciúmes chegavam a ser mais constrangedores do que os de Juliano. Era grosseiro e intempestivo, mas sincero. Juliano era fingido e escorregadio, mas educado. Fomos para meu apartamento, onde pudemos ficar mais à vontade. Como dizer a ele que eu estava com um amigo, sem ter estado? Seria capaz de me matar se dissesse que foi com meu ex-namorado, de quem não queria ouvir falar. Dizia ele que Juliano não foi homem o suficiente para me assumir, que fugiu envergonhado quando soube que eu era transexual. Para evitar mais frustrações, disse logo a Gustavo quem eu era quando o conheci. “Nunca amei tanto uma mulher”, me falava sempre ao final de um pedido de perdão por causa de um desatino seu. Falaria o mesmo depois de brigar comigo quando explicasse as tais “coisas minhas” que me fizeram atrasar o encontro. E falou mais: “Quero ter um filho com você.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Não era tão forte quanto Juliano, mas me levou sem nenhum esforço para a cama. Abrimos o vinho que compramos para a ceia de Natal e tomamos entre um beijo demorado e outro, entre um sussurro e outro, entre um riso e outro. Atravessamos a noite bêbados de amor e sexo. Em um momento apenas me lembrei de Juliano. Ele nunca me fez sentir um gozo tão profundo e verdadeiro quanto Gutinho me fez naqueles milésimos de segundos. Eu me rendi completamente a ele. Sim, teremos um filho, falei baixinho no seu ouvido. Você é minha mulher, declarou ele. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Enquanto Gustavo tomava banho, vesti meu roupão e abri a janela da sala. Era madrugada ainda, mas aos poucos a silhueta da ilha de Itaparica aparecia do fundo da baía em meio à névoa. Mais perto de mim, logo em frente, o mar rolava na praia algas, sargaços, espumas, conchas e lembranças... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,255,255)"&gt;Talvez ali mesmo eu cavasse um buraco e enterrasse o bilhete de Juliano...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-5459097541086419129?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/5459097541086419129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=5459097541086419129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5459097541086419129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/5459097541086419129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/06/da-janela-se-v-o-mar.html' title='Da janela se vê o mar - conto'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/Rnc_J9VQQ8I/AAAAAAAAAB0/iKXnxKtc4HE/s72-c/janela+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-830181511502640741</id><published>2007-06-16T10:53:00.000-03:00</published><updated>2007-07-21T01:45:48.449-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Festa no Reino de Ariano</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnRCVdVQQ6I/AAAAAAAAABk/FJ33KpLBcZY/s1600-h/Ariano.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076755616371852194" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 313px; cursor: pointer; height: 214px; text-align: center;" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnRCVdVQQ6I/AAAAAAAAABk/FJ33KpLBcZY/s320/Ariano.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, o paraibano (e paraibense, porque ele nasceu na antiga Cidade da Parahyba, atual João Pessoa) Ariano Suassuna faz 80 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um tento para ele, que ainda está lúcido e em atividade, e um orgulho para nós todos, leitores de suas obras. Ariano é um pop star da literatura brasileira contemporânea. Não precisa ter milhões de livros publicados em inúmeras línguas para ser reconhecido, como muitos se jactam por aí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta apenas ter erudição sincera, envolvente, participativa e festiva, como tem Ariano... Isto está em seus livros e na sua fala, quando faz suas aulas públicas em eventos literários pelo País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu assisti a uma dessas aulas de literatura brasileira em João Pessoa, no Teatro Santa Rosa, quando, em 2002, fazia mestrado na UFPB e morava na cidade. Foram duas horas de passeio por nossas letras nacionais, de Gregório a Euclides da Cunha (este, confessadamente, seu escritor preferido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta aula, aprendi com Suassuna que, não adianta incentivar a leitura, estimular os outros a gostarem de literatura, se o professor não lê, não conhece aquilo que leciona. (Lembro-me de um verso de Mario Quintana: "Os verdadeiros analfabetos são aqueles que sabem ler e não lêem")&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso ter paixão pelos livros. E Ariano dá lições de como ser um apaixonado pela literatura e, por extensão, por sua literatura. No Reino de Ariano, ele é quem rege o tempo e o espaço da ficção, uma realidade possível, que nos encanta pelo engenho e arte com que reinventa para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A microssérie "A Pedra do Reino" (&lt;a href="http://quadrante.globo.com/"&gt;http://quadrante.globo.com/&lt;/a&gt;), ora em exibição na Globo, é uma primorosa adaptação da obra monumental de Ariano. Pense no trabalho em adaptar mais de 700 páginas de romance para apenas cinco capítulos de 40 minutos cada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li algumas críticas de que Luiz Fernando Carvalho estragou a festa dos 80 anos de Ariano com a microssérie. A linguagem realista-fantástica, com a qual o diretor se afirma na televisão (vide a outra microssérie "Hoje é dia de Maria"), quando se coaduna com a mesma linguagem já presente na obra, a partir da qual ele constrói sua narrativa, como é o caso de Ariano, o resultado pode causar estranhamento, mais do ponto de vista da rejeição, do que da atração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida, o elenco, o figurino, o cenário, a interpretação, a música, a fotografia... Tudo nesta microssérie está belíssimo, mas penso que se a programação de dias exibidos fosse mais expandida, pelo menos por mais uma semana, a história poderia ser melhor apreendida, sem a "pressa" com que aparentemente se mostra nas falas e nas cenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, é quase impossível entender alguns diálogos, porque envolvem um sem-número de personagens envolvidos, assim como referências a episódios não mostrados que, para um público de televisão não-leitor de literatura, não-experiente nas artimanhas e idiossincrasias da associação e hibridez das linguagens verbais e visuais, pode ser enfadonho e "sem sentido".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não quer dizer que o público não deve ter contato com outras formas de linguagem televisiva, pois a teledramaturgia brasileira tem seus cacoetes e vícios narrativos que estão exaurindo nossa paciência por ver algo novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda telenovela apresenta uma estrutura dramática que já é sabida por todos. Se começa diferente, como algo inédito, termina da mesma maneira como as outras. Tudo é previsível. É uma fórmula clássica que, quando rasurada, é possível que as televisões percam audiência e, por conseguinte, dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mini e microsséries são obras fechadas, portanto, têm uma estrutura que difere das telenovelas quanto ao número de capítulos e, geralmente, gravadas antecipadamente e exibidas em datas específicas. As telenovelas podem ser encurtadas ou prolongadas ao sabor dos índices do Ibope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou favorável a exploração de novas formas de narrativas, mesmo que preservando a linha clássica, mas isso não quer dizer que deva ser indecifrável, quase impossível de compreensão. Este público não acostumado a inovações fílmicas na televisão tem que se habituar aos poucos.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Não adianta uma produção espetacular, se o conteúdo da mensagem não atravessa a tela e preenche, complementa, informa ou corresponde às expectativas de quem assiste. Como a maioria dos televisores atuais tem controle remoto, com um dedinho pressionado, muda-se rapidamente de canal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos de Ariano Suassuna na televisão, "O Auto da Compadecida" e "Uma mulher vestida de Sol" foram duas adaptações elogiadas, o que não exclui, obviamente, "A Pedra do Reino", mas o que faltou foi a medida certa do texto literário no texto visual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma obra autoral de Luiz Fernando Carvalho que, se for readaptada para o cinema, talvez encontre seu espaço ideal de luminescência mágica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas assistamos até o final, que traz desfecho inédito escrito pelo próprio Ariano Suassuna, já que a obra original faz parte de uma trilogia que ainda não foi concluída. Se a intenção foi a de chamar o público para ler o romance, penso que não será fácil. Deixemos que o mestre o faça por si mesmo, ele entende das coisas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Parabéns, Ariano, por seus 80 ari&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 0, 0);"&gt;anos&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-830181511502640741?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/830181511502640741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=830181511502640741' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/830181511502640741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/830181511502640741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/06/festa-no-reino-de-ariano.html' title='Festa no Reino de Ariano'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnRCVdVQQ6I/AAAAAAAAABk/FJ33KpLBcZY/s72-c/Ariano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-949650512601557996</id><published>2007-06-14T01:19:00.000-03:00</published><updated>2007-08-01T09:05:38.045-03:00</updated><title type='text'>Carta ao jornal A Tarde - Centro Histórico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnDEBNVQQ3I/AAAAAAAAABM/r8fAhymdKxY/s1600-h/pelourinho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5075772305084269426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnDEBNVQQ3I/AAAAAAAAABM/r8fAhymdKxY/s320/pelourinho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;E-mail enviado e publicado no jornal A Tarde, de 13 de junho, seção "Espaço do Leitor", sobre a degradação do Centro Histórico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abandono do Centro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"É lamentável o que se vê no Centro Histórico, especialmente nas ruas, praças e largos do Pelourinho. A programação cultural gratuita, que outrora animava a população nos espaços abertos do local, como as praças Tereza Batista e Pedro Arcanjo, foi reduzida, dando lugar a eventos fechados, com cobrança exorbitante de ingressos, principalmente em fins-de-semana ou em período de alta estação, quando a cidade recebe turistas dispostos a pagar, até em euro, para assistir aos shows de bandas. Está certa, a jornalista Rita Conrado, em &lt;em&gt;Tempo Presente&lt;/em&gt;(11/6/2007), ao denunciar o estado de abandono visível do Centro Histórico." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Marielson Carvalho, professor da Uneb, Salvador - BA &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-949650512601557996?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/949650512601557996/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=949650512601557996' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/949650512601557996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/949650512601557996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/06/carta-ao-jornal-tarde.html' title='Carta ao jornal A Tarde - Centro Histórico'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnDEBNVQQ3I/AAAAAAAAABM/r8fAhymdKxY/s72-c/pelourinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-3803274767662426076</id><published>2007-06-12T23:20:00.000-03:00</published><updated>2007-07-21T01:47:31.278-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><title type='text'>Record Nordeste</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnNXWtVQQ4I/AAAAAAAAABU/qvM1DHoQQbk/s1600-h/Tv+Itapoan+1.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076497252614161282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnNXWtVQQ4I/AAAAAAAAABU/qvM1DHoQQbk/s320/Tv+Itapoan+1.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnNXd9VQQ5I/AAAAAAAAABc/QTdsYOZsQMk/s1600-h/Tv+Itapoan+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076497377168212882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnNXd9VQQ5I/AAAAAAAAABc/QTdsYOZsQMk/s320/Tv+Itapoan+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A Tv Itapoan, a primeira emissora de televisão da Bahia (1960), é também a primeira a ter uma "news room",  a maior do Nordeste e a segunda da Record.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes de falar desta nova fase do Canal 5, quero ativar minhas lembranças desta emissora que, na adolescência, foi meu playground diário, pois estava tanto presente nas gravações de seus programas, quanto assistindo em casa a sua programação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 80, depois de chegar da escola, preparava-me para pegar o ônibus Ribeira-Federação (neste tempo, eu morava na Cidade Baixa) e participar dos programas de auditório da Tv Itapoan, especialmente, os musicais. Pelo menos, três vezes por semana, fazia das minhas tardes de folga das atividades escolares em passeio ao auditório da Tv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti ao vivo, o início da axé-music e do samba-reggae nesses programas, pois eram um dos poucos a abrir as portas para cantores e bandas do novo gênero. Margarete Menezes, Sarajane, Banda Reflexus, Chiclete com Banana (ainda com Missinho), Daniela Mercury (ainda na Companhia Clic), Durval Lélis, Tatau...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem contar com as atrações nacionais, como o grupo Dominó, e as internacionais, como Menudo... Este dia foi especial, pois, como não pude assistir ao show na Fonte Nova e no Shopping Itaigara, consegui vê-los de graça, até mais de perto... Só não consegui pegar autógrafo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É também desta fase, os programas de Mara Maravilha (antes de ser levada para o SBT), "Bozo" (a versão local era bem melhor do que a nacional) e de Tia Arilma, com o "Parquinho" e suas apresentadoras infantis, Patrícia Fofolete e Geysa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei quantas vezes participei de seus concursos de lambadas, quando este ritmo era a sensação do momento, com Beto Barbosa, Kaoma... Ah, meus verdes anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foi a vez de "Ao Pé da Fogueira", o maior concurso de quadrilhas juninas do País. Eu participava de uma quadrilha que, todo ano, concorria o primeiro lugar, num período em que as emissoras locais investiam neste tipo de entretenimento televisivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quadrilha que vencia no "Arraiá do Galo (Tv Aratu), "Forró do Sete" (Tv Bandeirantes) e "Ao Pé da Fogueira", estava quase certa de ganhar no "Arraiá da Capitá". E minha quadrilha conseguiu esta façanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanho o "Balanço Geral" desde a época de Fernando José (depois eleito prefeito de Salvador) e de Guilherme Santos (depois eleito vereador). Hoje, Raimundo Varela está na bancada. Afora alguns desatinos verbais, faz um bom programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalismo da emissora sempre foi uma escola para muitos jornalistas que hoje posam de "globais" de São Lázaro, como José Raimundo, Kátia Guzzo, Casemiro Neto... Seus telejornais sempre foram criativos, embora, houve um tempo, com recursos audiovisuais pouco modernos, em relação às de outras emissoras locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira fase após a aquisição da emissora pela Record, leia-se Igreja Universal do Reino de Deus, a Tv Itapoan perdeu um pouco a variedade de programas musicais e de auditório, inclusive as transmissões das festas populares de Salvador, como Festa de Iemanjá, Carnaval, Lavagem do Bonfim, para um número cada vez maior de horas para os programas evangélicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a reestruturação em nível nacional, a Record expandiu e atingiu a marca de vice-liderança na audiência do público brasileiro. Na área de jornalismo, a rede começou a investir a partir de São Paulo e Rio de Janeiro, num modelo de programa parecido com o da Globo, inclusive com a contratação de "ex-globais". Tática de guerra que vem dando certo, embora já esteja encontrando um perfil próprio de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inauguração, na Tv Itapoan, da sala de notícias da Record Nordeste, é uma tentativa de fazer o que a Globo já tinha feito nos anos 70, quando expandiu, além-Jardim Botânico, seus tentáculos de rede, criando a Globo Nordeste em Recife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;É possível que esta estratégia frutifique bem, haja vista, em termos locais, é um abalo na hegemonia da Rede Bahia de Televisão, a maior do Norte e Nordeste, além de ser um bom início para que mais reportagens especiais produzidas aqui sejam assistidas com freqüência nos telejornais da Record.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mostrar que os jornalistas baianos também sabem fazer televisão nacional. E com sotaque, para não perder a identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-3803274767662426076?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/3803274767662426076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=3803274767662426076' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/3803274767662426076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/3803274767662426076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/06/record-nordeste.html' title='Record Nordeste'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RnNXWtVQQ4I/AAAAAAAAABU/qvM1DHoQQbk/s72-c/Tv+Itapoan+1.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-6624496576310155919</id><published>2007-06-06T00:34:00.000-03:00</published><updated>2007-07-21T01:46:43.051-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Internet'/><title type='text'>NoMinimo ou como não deixar de rir com Tutty Vasques...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmYsLdVQQ2I/AAAAAAAAABE/FjOiWy2Odn4/s1600-h/no+mÃÂ&amp;shy;nimo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072790605643400034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 156px; HEIGHT: 37px; TEXT-ALIGN: center" height="33" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmYsLdVQQ2I/AAAAAAAAABE/FjOiWy2Odn4/s320/no+m%C3%ADnimo.bmp" width="175" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A internet é o céu e o inferno, sem passar pelo purgatório, de muitos sítios feitos com engenho e arte, com qualidade e criatividade, com conteúdo crítico e informativo, com responsabilidade e liberdade de expressão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a experiência por que está passando o sítio NoMínimo (&lt;a href="http://www.nominimo.com.br/"&gt;http://www.nominimo.com.br/&lt;/a&gt;). No mesmo mês (junho) em que completa cinco anos no ar, pode não ser mais atualizado e sair do ciberespaço por falta de patrocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma pena, porque é um dos melhores canais de informação da rede, com uma plêiade de jornalistas e colaboradores de altíssimo nível intelectual e expressivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho meus preferidos, como Villas-Bôas Corrêa, com sua ironia sagaz no trato com os políticos. Admiro-o desde o tempo em que era comentarista, na década de 80, do Jornal da Manchete, aquele telejornal de uma hora de duração e que fazia a diferença ao insuperável Jornal Nacional. (Minha mãe não entendia bem o porquê de eu gostar tanto do telejornal... "É longo demais", dizia ela. Sem contar que impedia de assistir a novela das oito, que hoje é das nove.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem também Tutty Vasques, com suas notinhas satíricas sobre todo mundo, não libera ninguém. É tão viciante lê-las, que assinei para receber todas as vezes que ele atualiza no sítio. E todo dia tem um gracejo. Cheguei até colaborar com ele, ao informar que Fernandinho Beira Mar, quando fez sua temporada prisional em Florianopólis, ficou na superintendência regional da Polícia Federal, localizada na Avenida, creia, Beira-Mar... Não é preciso dizer o quanto ele se sentiu em casa, né? Hehehehehe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por último, Sérgio Rodrigues, com suas colunas "A palavra é..." e "Todoprosa". A primeira, tem conteúdo que nem mesmo os lingüístas mais caxias na profissão conseguiria dar conta de tamanha presteza como o jornalista, que comenta e analisa neologismos, coloquialismos, estrangeirismos, lulismos etc, surgidos por aí, na mídia. Já usei vários de seus comentários em aulas de língua portuguesa e redação. Seu livro "What língua is esta?" (Ediouro) é divertidíssimo. Já "Todoprosa", trata de livros e autores, com resenhas e comentários igualmente inteligentes sobre literatura dos mais variados estilos, assuntos, gêneros, eventos, sempre com desenvoltura e inteligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso (para mim, estes exemplos já são um bom motivo), é que eu convoco aqueles que gostam de um boa leitura e procuram um sítio (ou porto) seguro em meio à turbulência (e mediocridade) da rede, para acessarem diariamente o sítio e fazerem ultrapassar a marca de 5 milhões de páginas visitadas a fim de sensibilizar os patrocinadores para, no mínimo, pagarem o último balão de oxigênio de NoMinimo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-6624496576310155919?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/6624496576310155919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=6624496576310155919' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6624496576310155919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/6624496576310155919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/06/nominimo-ou-como-no-deixar-de-rir-com.html' title='NoMinimo ou como não deixar de rir com Tutty Vasques...'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmYsLdVQQ2I/AAAAAAAAABE/FjOiWy2Odn4/s72-c/no+m%C3%ADnimo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-2635659306428897846</id><published>2007-06-04T12:20:00.000-03:00</published><updated>2007-07-21T01:45:48.449-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Domínio Público continua na WEB</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmQzC-8Aj-I/AAAAAAAAAA8/aqs_9y4OP3g/s1600-h/domÃ&amp;shy;nio.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072235206673469410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 402px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 96px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmQzC-8Aj-I/AAAAAAAAAA8/aqs_9y4OP3g/s320/dom%C3%ADnio.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao ler uma nota da coluna de Cacau Menezes, no "Diário Catarinense" de hoje, jornal diário de Florianópolis, tomei um susto, típico daqueles de pular da cadeira. É exagero? Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que na informação dada pelo jornalista, o Portal Domínio Público (veja link ao lado, na seção do blog "Sítios Que Me Situam na WEB") estaria fadado a ir para a lixeira do ciberespaço, ou seja, seria desativado por falta de acesso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Loucura, pensei, o Governo retirar um portal de obras literárias e outros tipos de textos (audiovisuais e midiáticos) para download gratuito. Seria um retrocesso que remontaria à Idade da Pedra Lascada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava preparando um manifesto de repúdio, um abaixo-assinado online para impedir tamanha atrocidade contra o acesso à informação e à leitura, num país tão carente disto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandei um e-mail para o jornalista, mas não esperei ele me responder e fui tirar satisfação com os organizadores do Portal. Foram rápidos na resposta, ei-la na íntegra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Prezado Marielson,&lt;/span&gt; &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradecemos o contato. Graças a seu interesse e participação, o Portal Domínio Público tem alcançado resultados cada vez melhores.&lt;/span&gt; &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Informamos que é falsa a notícia veiculada na internet e na mídia em geral sobre a possibilidade de desativação deste Portal, por suposto motivo de falta de acesso. Já foi divulgada uma nota desmentindo essa informação, mas as pessoas, infelizmente, continuam não verificando a informação e repassando os e-mails.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Atenciosamente,&lt;/span&gt; &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Lídia Hubert.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;http://dominiomec.blogspot.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imediatamente, encaminhei o e-mail para Cacau Menezes, a fim de que ele faça um &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;mea culpa&lt;/span&gt; e procure averiguar melhor as notícias que repassa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero a resposta dele, se não vier, faço aqui minha parte como professor de literatura, divulgando para vocês, colegas, alunos e amigos, que não conhecem este projeto do Governo Federal em prol da leitura livre, sem cadastro e conteúdo exclusivo, no ciberespaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acessem, usem e abusem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-2635659306428897846?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/2635659306428897846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=2635659306428897846' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2635659306428897846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/2635659306428897846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/06/domnio-pblico-continua-na-web.html' title='Domínio Público continua na WEB'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmQzC-8Aj-I/AAAAAAAAAA8/aqs_9y4OP3g/s72-c/dom%C3%ADnio.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-1783652238464406124</id><published>2007-06-03T23:02:00.000-03:00</published><updated>2007-07-21T01:47:31.278-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Televisão'/><title type='text'>Hugo Chávez</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmODve8Aj9I/AAAAAAAAAA0/IRiDKwgVQiE/s1600-h/chÃ¡vez.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072042457131159506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmODve8Aj9I/AAAAAAAAAA0/IRiDKwgVQiE/s320/ch%C3%A1vez.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A manipulação de informações acerca da decisão do presidente Hugo Chávez de não renovar a concessão da RCTV, a outrora mais influente rede de televisão da Venezuela, pode ser avaliada por todos aqueles que desconfiam do que vem prontinho à sua casa no horário das 20h15, através do Jornal Nacional, ou mesmo de noticiários de outras redes, ou ainda, de editais e matérias dos grandes jornais, como Folha de S. Paulo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou um privilegiado, pois tenho acesso a variados canais massivos de informação, mantenho-me atualizado de tudo e, em especial, sobre este caso da Venezuela, tenho buscado me informar constantemente. Assisti ao vídeo "A revolução não será televisionada" (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=aQu8ic0WRXo"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=aQu8ic0WRXo&lt;/a&gt;), um documentário com imagens exclusivas da tentativa de golpe de Estado ao governo de Hugo Chávez em 2002 por seus oposicionistas, em conluio com a CIA, leia-se Estados Unidos. O vídeo está dividido em 10 partes, devido ao limite de tempo que o You Tube disponibiliza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os produtores do vídeo captaram a tensão antes, durante e depois do golpe e do contra-golpe, mostrando os bastidores e a movimentação dos dois grupos pelo poder. A RCTV e outras redes ocultaram a verdade dos fatos, não transmitindo o contra-ataque dos chavistas pela retomada do Palácio Miraflores, em Caracas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria da população assistia a filmes e desenhos animados, enquanto tiros e bombas explodiam nas ruas, matando os manifestantes que, não acreditando nas informações divulgadas pelo governo provisório de que Hugo Chávez havia renunciado, buscavam o seu presidente, a esta altura escondido pelos golpistas, depois de retirado do palácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A não-renovação do sinal da RCTV não foi um ato peremptório de Hugo Chávez. Lá, a concessão é dada por 20 anos e o da RCTV estava vencendo. A Constituição não foi desrespeitada. O presidente esperou até o último segundo de transmissão da TV para não lhe dar a renovação. Foi légitimo. Desrespeito seria se Chávez fizesse isso, enquanto a licença estivesse vigorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras ainda, inclusive as que colaboraram com o golpe, estão funcionando e fazendo igualmente oposição ao governo que, ao contrário do que divulgam na imprensa brasileira, não faz censura institucional. Talvez quando precisarem renovar suas licenças, se Chávez ainda estiver no poder, não as terão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais interessante neste quiproquó todo é o fato de o Congresso Nacional brasileiro, cheio de questões mais importante para resolver, ter feito um pedido ao governo venezuelano de revogação de sua decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que moral tem o Senado, com suas raposas velhas mais do que carcomidas de poder, como José Sarney e ACM que, durante o mandato do primeiro como presidente e do segundo como ministro das Comunicações, distribuíram concessões de rádio e televisão para políticos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo pode acontecer no Brasil, com a Globo, SBT, Record, Band saindo do ar e só ouvirmos o chiado ou vermos a tela azul de "sem sinal"... É só Lula acordar com o companheiro Chávez na cabeça (ou literalmente com a boina vermelha dos bolivarianos) para os Marinhos, Abravanéis, Macedos, Saads sentirem o travo amargo que a RCTV está sentindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não digo nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5378218789930505669-1783652238464406124?l=marielsoncarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/feeds/1783652238464406124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5378218789930505669&amp;postID=1783652238464406124' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/1783652238464406124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5378218789930505669/posts/default/1783652238464406124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://marielsoncarvalho.blogspot.com/2007/06/hugo-chvez.html' title='Hugo Chávez'/><author><name>Marielson Carvalho</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_hJoJW3eZqNY/SZIpuLMEilI/AAAAAAAAAXU/zpugTERWenA/S220/Cem+anos+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmODve8Aj9I/AAAAAAAAAA0/IRiDKwgVQiE/s72-c/ch%C3%A1vez.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5378218789930505669.post-4598281477956723152</id><published>2007-06-03T21:25:00.001-03:00</published><updated>2007-07-21T01:48:07.309-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Música'/><title type='text'>Caymmi e Eu</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmNeXO8Aj8I/AAAAAAAAAAs/4JLWhX2523c/s1600-h/000_0063.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072001358589104066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_hJoJW3eZqNY/RmNeXO8Aj8I/AAAAAAAAAAs/4JLWhX2523c/s320/000_0063.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Impossível não se emocionar com a presença plácida e melodiosa de Caymmi. Há sete anos pesquisando sua obra, que resultou em dissertação de mestrado em 2004, nunca tive a oportunidade de estar a seu lado pessoalmente. Por diversas vezes, tentei um encontro no Rio ou em Pequeri, em Minas Gerais, mas nunca acertamos os horários. Só por telefone podíamos conversar... Horas que, aos poucos, foram diminuindo para minutos, até chegar a segundos. Ultimamente seu fôlego estava curto e sua voz sumindo. Minha interlocutora passou a ser Stela Caymmi, sua neta, também pesquisadora, que me dizia as novidades do Vovô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, a vinda de Caymmi a Salvador depois de onze anos, era uma forma de me encontrar e entregar-lhe meu trabalho de pós-graduação e, especialmente, pedir-lhe a benção, como faço com minha avó Tarcila, de idade quase igual a dele. E, quando o vi chegar ao Teatro Castro Alves, para a entrega do Prêmio Jorge Amado pelo conjunto de sua obra, eu não me contive de emoção, pois estava diante de uma lenda viva da música popular brasileira, um dos remanescentes da geração de ouro do rádio nacional, companheiro de outros tantos bambas e rainhas da música, como Assis Valente, Ary Barroso, Pixinguinha, Dalva de Oliveira e Carmen Miranda. Mais: estava frente a frente daquele que me acompanhou, mesmo que simbolicamente com suas gravações, nas noites de completa solidão em João Pessoa e em Florianópolis, quando escrevia minha dissertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dizem que este prêmio representa as pazes entre ACM e ele, já que, como se sabe, durante muito tempo, fagulhas de discórdia chisparam da relação entre os dois. Quem conhece Caymmi tem certeza de que ele é de paz, não é vaidoso, nem bajulador, daí que esse mau humor foi criado por ACM porque ele não admitia que Caymmi não beijasse a sua mão ou não batesse à porta do palácio para pedir-lhe algum favor, como se isso fosse uma obrigação dos artistas baianos. Não. Caymmi recebe esse prêmio porque ele merece e antes de qualquer político alardear que a Bahia não seria o que é por conta dele, em termos de representatividade cultural para o País, o compositor, que Jorge Amado chamava de “o cantor das graças da Bahia”, há anos já vinha contribuindo para isso sem atravessar nem maltratar ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, muito do que foi capitalizado politicamente, nas três últimas décadas, ne
