quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Acontece que eu sou baiano


Esta será, possivelmente, a foto de meu livro "Acontece que eu sou baiano: identidade e memória cultural no cancioneiro de Dorival Caymmi". Ele sobe a Ladeira do Pelô, com seu violão no ombro. É como disse Jorge Amado: "Caymmi é o cantor das graças da Bahia". E o Pelourinho é emblemático nesta composição identitária da Bahia. Igrejas, sobrados, ladeiras. Foi a partir dessa geografia pessoal e afetiva, que ainda inclui Itapuã, que Caymmi reinventou sua São Salvador.

Depois de quatro anos de dissertação defendida no mestrado de Literatura e Cultura, eis que finalmente o livro oriundo daquela pesquisa será lançado. Aprovado pela FAPESB para receber incentivo de publicação, o livro sairá pela Eduneb no próximo ano.

Estou felicíssimo por isto, porque desde a pós-graduação até o órgão de fomento à pesquisa, passando pela editora, o trabalho sobre Caymmi tem recebido pareceres de excelência e qualidade científica.

Agora é hora de aparar as arestas, revisar, inserir mais informações para uma edição mais atualizada sobre Caymmi e sua obra. Muita coisa mudou de quatro anos para cá. Algumas abordagens feitas perderam o viço do momento, mas no geral, minha leitura do cancioneiro caymmiano e de sua personalidade continua seguindo uma linha analítica e interpretativa que contesta a baianidade como essencialista.

Este livro é uma homenagem antecipada que eu faria a Caymmi quando ele fizesse 100 anos. Eu esperava que ele chegasse até lá. Embora muito doente, ainda assim a memória do compositor aos 94 anos era prodigiosa. Ele era o último de uma geração de artistas da Era do Rádio, portanto, viveu diferentes fases da música popular brasileira, sem que fosse visto como passadista ou antiquado. Ao contrário, Caymmi é reverenciado por todas as tribos de músicos e cantores.

Em 2009, Caymmi e os afoxés serão tema do Carnaval. Se Caymmi fosse escolhido, preterindo os afoxés, assim mesmo estaria fazendo uma homenagem a esses grupos musicais negros, conhecidos também por "candomblés de rua". Caymmi foi autor de uma canção chamada "Afoxé" (1975) em que canta a perfomance do ijexá. Se fosse escolhido o tema afoxés, lembraríamos também de Caymmi, porque ele, sem dúvida, é a própria Bahia carnavalizada.

Um comentário:

Edvaldo Filho disse...

Assim que o seu livro for lançado, me avisa!

Abraço!!!