Lançamento de "Caymmianos: personagens das canções de Dorival Caymmi", dia 3 de dezembro, Espaço Cultural da Barroquinha, Salvador.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
sábado, 7 de novembro de 2015
ALGODÃO
As moças de Jaguaribe, ele conhecia todas. Ganhava na voz e no violão.
Semana Santa de maré boa, aguardava na praia a rede cheia de João Valentão.
No Abaeté, a lavadeira fingia que não o via pelado com a batida na mão.
Em noite de lua cheia, dormia tarde esperando a sereia tocar seu coração.
Plácido como as nuvens de céu azul e as ondas verdes do mar, Caymmi é só canção.
Já o chamaram de Buda Nagô, Galã Rústico, o Colombo dos Balangandãs.
Mas a imagem dele que me encanta
É sua cabeça alva, de um alegre ancião.
É sua cabeça alva, de um alegre ancião.
Por isso mesmo, achei lindo quando lhe deram outro nome, simples assim, Algodão
A bênção, Caymmi. Mais 100 anos virão.
terça-feira, 20 de outubro de 2015
CONTRALUZ
A contraluz,
Os livros iluminam as retinas,
O dia se mostra em negrito,
A letra abre os lábios na leitura,
E o pó em suspensão, quase num rito,
Só pousa com meu dedo em cima
Da palavra "cura".
Foto: Angelo Rosário
terça-feira, 6 de outubro de 2015
COLOFÃO_Poema de um escritor pré-escrito
O escritor precisa de solidão e solidariedade.
Ausências e presenças.
Dengo e danação.
Nada sai, nada rola, nada fecha, se o que lhe resta de companhia, não lhe dá Bom dia, ou que lhe faça uma festa.
Suado, despenteado, barbudo, faminto... bicho carnívoro correndo atrás do cursor.
Cadeira que range, seca de suportar seu peso, aceita a má-sorte, essa sina...
E ensina à mesa de vidro a mostrar as unhas grandes de corte.
O prazo do editor o abate, o cansaço bate e volta, esse é seu degredo,
mas o desejo de lamber a cria pronta lhe apronta um fim e toda a trama desse livro de segredos.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Caymmiando - Parte IV
FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE CACHOEIRA - FLICA 2014
Participei com Stella Caymmi da mesa de abertura, "O tempo de Caymmi", com mediação de Mira Silva. Falei sobre a criação de Dorival Caymmi, cuja técnica está além da pressa e da rapidez, mas baseada em uma leveza e paciência que resultou um cancioneiro pequeno mas grande pelos vários sucessos. Além disso, falei sobre a ideia de bainanidade em sua música e do meu contato pessoal. A última foto, com Emmanuel Mirdad, coordenador geral da FLICA.
Fonte:
1. iBahia - http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/primeira-noite-da-flica-mostra-dorival-caymmi-em-seu-lado-mais-humano
2. G1 Bahia - http://g1.globo.com/bahia/flica/2014/noticia/2014/10/mesa-faz-passeio-sobre-vida-da-caymmi-na-abertura-da-flica-2014.html
3. Jornal da Manhã - http://globotv.globo.com/rede-bahia/jornal-da-manha/v/flica-movimenta-cachoeira-com-programacao-cultural-gratuita/3730607/
4. Programa Aprovado - http://redeglobo.globo.com/ba/redebahia/aprovado/videos/t/edicoes/v/veja-como-foi-a-flica-2014/3754315/
TOP MODEL SESC BAHIA
Convidado para participar do jurado do concurso de moda Top Model Sesc Bahia, no Dia dos Comerciários, em Piatã. Os concorrentes usaram figurino confeccionado pelo projeto Rede Recostura SESC inspirados no cancioneiro de Dorival Caymmi. A produção do concurso foi de Cláudio Rebello.
SEMANA JORGE AMADO DE CULTURA E ARTE
À convite de Paulo Atto, Secretário de Cultura de Ilhéus, participei do evento Semana Jorge Amado de Cultura e Arte para falar sobre as parcerias musicais de Jorge Amado e Dorival Caymmi.
Fonte:
1. G1 Bahia - http://g1.globo.com/bahia/noticia/2014/08/semana-jorge-amado-de-cultura-e-arte-comeca-na-terca-feira-em-ilheus.html
Caymmi: do rádio para o mundo - o musical
O espetáculo musical "Caymmi: do rádio para o mundo", texto e direção de Gil Vicente Tavares, com Cláudia Cunha, Diogo Lopes Filho, Leandro Villa e Marcelo Praddo, encena momentos singulares da trajetória artística e pessoal de Dorival Caymmi (1914-2008) para celebrar seu centenário.
Mapeado em boa parte a partir da biografia escrita por Stella Caymmi - "Dorival Caymmi: o mar e o tempo" (São Paulo: Ed. 34, 2001; 2014) -, o texto de Gil Vicente não se atém a uma cronologia passo a passo da vida de Caymmi, dando ao espetáculo um movimento de ir e vir de histórias engraçadas e tristes, como a onda que leva e traz pescadores, sargaços e memórias do mar.
O diretor teve de fato muito trabalho para escolher as 25 canções de Caymmi para alinhavar os momentos de sua carreira, aliás quase todos eles transformados em música a partir mesmo de suas próprias andanças pela secular São Salvador e pela paradisíaca Itapuã, ou ainda pelas ruas de Copacabana. Faltou, é claro, um punhado de outras canções, inclusive emblemáticas do cancioneiro praieiro como "É doce morrer no mar", em parceria com Jorge Amado, que aparece bem nessa trajetória como fiel amigo de Caymmi. Por outro lado, "Canto de Obá", também com Jorge, pouco conhecida, teve uma marcante encenação, pontuando seu lado religioso.
Intrigas e fofocas, amizade e solidadariedade nos bastidores do rádio em torno da ascensão de Caymmi, que sempre pisou devagar e mesmo famoso não andava de salto alto, foram bem inseridas por Gil Vicente, especialmente na relação com Ary Barroso. Supõe-se que ele andou minando o talento de Caymmi, devido ao sucesso estrondoso de "O que é que a baiana tem?", que substituiu uma música sua no filme "Banana da Terra", estrelado por Carmen Miranda. Dizia que Caymmi não inventou a roda fazendo música sobre a Bahia, já que ele cantava a Terra da Felicidade antes do baiano aparecer. No final das contas, ambos terminaram amigos, até fazendo juntos um disco interessantíssimo, no qual Caymmi, pela primeira vez, grava músicas de outro compositor, no caso Ary, que por sua vez toca Caymmi ao piano.
Fazer um musical sobre um compositor do quilate de Dorival Caymmi é uma tarefa dificílima, na medida em que, mesmo sendo canções em sua maioria bastante conhecidas, o elenco e os músicos devem estar harmonizados para que em suas performances nada falte ou exagere, ou seja, que uma leitura de sua obra seja possível, mas que não se perca a forma límpida, leve e lapidar de sua poética.
A direção musical de Luciano Salvador Bahia, neste sentido, soube valorizar nos arranjos a experiência vocal de Cláudia Cunha, ambos já caymmianos em outras praias e palcos, mas especialmente ela, uma brisa fresca e nova em montagem teatral como atriz. Diogo Lopes Filho, Marcelo Praddo e Leandro Villa também potencializaram seus graves à la Caymmi mas, em alguns momentos, a fluidez deu lugar à tensão, talvez um pouco nervosos em dia de estréia. Experientes que são, ajustaram suas vozes à medida que o texto fazia sentido e se tornava sensível em suas interpretações.
Ponto para Marcelo como Ary Barroso, Jorge Amado e Assis Chateaubriand, dando para cada um a medida ideal do tom para suas caracterizações, seja no gestual seja na voz. Ponto também para Diogo, que faz Caymmi, fugindo também da construção de um personagem com semelhanças diretas com o compositor, mas sem perder a simpatia caymmiana. Leandro no papel de Zezinho surpreende, porque, não sendo ele um personagem conhecido, mas nobre por ser o melhor amigo de Caymmi e responsável por levá-lo à Itapuã e inspirador de "Maracangalha", consegue representar a alegria, a malandragem e a cumplicidade que os dois viveram juntos.
Os músicos Ivan Sacerdote, Márcio Pereira e Wilton Batata captaram essa nova batida de Luciano Salvador Bahia para a música de Caymmi e apareceram bem na percussão, no sopro e nas cordas. Embora compondo quase um fundo cênico para os atores no palco, o coração do musical batia ali, pois sem eles dificilmente o espetáculo ganharia em beleza sonora.
Concebido para o espaço do Café-Teatro Rubi, os atores perdem às vezes a mobilidade quando vão para a platéia. Devido à quantidade de mesas e cadeiras espalhadas, a agilidade de algumas cenas tem seu timing comprometido, o que não impacta na narrativa geral do espetáculo, mas que sugere uma circulação mais solta e melhor. Aliás, a ideia de usar duas pequenas elevações laterais próximas do público funciona bem para que haja uma interação maior, como também para dinamizar diálogos em ações de espaços e tempos diferentes da narrativa.
O figurino simples e funcional assinado por Zuarte Jr. possibilita a troca rápida de uma peça ou adereço para pontuar a mudança do personagem sem comprometer o ritmo da cena. A camisa listada usada pelos homens nos remete a um tempo de boemia musical carioca dos anos 30 e 40 vivido por Caymmi. O vestido longo de Cláudia também remete tanto a alguns modelos com pregas das cantoras do rádio quanto aos de ombros e braços à mostra usados por Carmen Miranda, adequando-se até à inocência atrevida de Gabriela e sua rosa vermelha no cabelo e à simplicidade da garçonete de botequim.
A iluminação embora trabalhando bem o clima das cenas interiores e valorizando o alcance dos gestos dos atores, individualmente em seus pontos nos palcos, em alguns momentos teve equívocos na operação, deixando-os na penumbra durante suas falas ou nas coreografias. Pelo espaço restrito do Rubi, Eduardo Tudella fez uma luz que não incomodasse o público quando a cena acontece na platéia, dando um certo ar intimista dos night-clubs cariocas onde Dorival Caymmi costumava se apresentar com seus sambas-canções.
"Caymmi: do rádio para o mundo" não tem uma produção cara e arrojada como soa geralmente aos nossos ouvidos o anúncio dos musicais da Broadway ou de São Paulo e Rio. Eles podem ser assim também. Caymmi já foi tema de escola de samba com todo seu apoteótico desfile, com toda sua pompa e circunstância. Mas esse espetáculo baiano consegue traduzir de Caymmi o que ele tem de mais belo: a leveza. E assim somos levados por ele, seguros e tranquilos, nas ondas de suas canções.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Caymmiando - Parte III
CENTRO EDUCACIONAL CARNEIRO RIBEIRO - ESCOLA PARQUE
Evento em comemoração à Dorival Caymmi realizado pelo Núcleo de Informação, Comunicação e Conhecimento na Escola Parque, sob a coordenação de Ana Lúcia Cerqueira Ramos e organização de Prof. Tyrone. Num ambiente festivo com a presença de jovens, adultos e idosos, falei sobre a vida e a obra de Caymmi. Público atencioso e participativo, ensaiei até cantar com os músicos "O que é que a baiana tem?". Depois, como boa festa caymmiana, não faltaram acarajé e abará, duas delícias que a personagem de "A preta do acarajé" vendia em sua porta, quando menino e morador da Saúde e Santo Antônio.
]
ESCOLA MUNICIPAL AMÉLIA RODRIGUES
À convite da Profª Joseli Querino, da Escola Municipal Amélia Rodrigues, participei de uma atividade com alunos e professores sobre a baianidade em Dorival Caymmi, cujo objetivo era explicá-los sobre a cultura baiana representada pelo compositor. A partir dessas informações, os alunos fariam ações na escola para homenagear Caymmi, como o desfile de prévia de Carnaval nas ruas do Tororó, onde está localizada.
INSTITUTO ANÍSIO TEIXEIRA
Palestra em videoconferência para professores do Estado sobre o cancioneiro visual de Dorival Caymmi, ao lado do maestro Fred Dantas, que falou sobre a diversidade musical na Bahia, e do poeta Cazzo Fontoura, sobre a (in)utilidade da arte. Illy Gouveia cantou Caymmi lindamente. Nide Nobre, da SEC, foi organizadora da mesa. Abaixo, link para a videoconferância
Fonte:
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Caymmiando - Parte II
CAYMMI! DE ITAPUÃ PARA O MUNDO...
Palestras sobre a representação da baianidade nas canções de Dorival Caymmi em dois espaços culturais da Secretaria de Cultura, como parte da programação em homenagem ao centenário do compositor. A primeira, na Casa da Música, em Itapuã. E a outra, no Centro Cultural de Porto Seguro, na abertura da VII Semana Literária de Porto Seguro, onde eu também falei da relação de Caymmi com João Ubaldo Ribeiro, ambos homenageados no evento.
Casa da Música
Centro de Cultura de Porto de Seguro
Fonte:
I FESTA LITERÁRIA DA CHAPADA DIAMANTINA
Ao lado de Gessy Gesse, atriz, escritora e ex-esposa de Vinicius de Moraes, e de André Domingues, professor e pesquisador de música, participei da mesa "Caymmi: Identidade e Memória Cultural", um dos homenageados da I Festa Literaria da Chapada Diamantina. Apresentei uma leitura da única marchinha de carnaval composta por Caymmi, chamada "A Bahia Também Dá", na qual ele já antecipa, ainda como amador e antes do sucesso de "O Que é Que a Baiana Tem?", referências afro-baianas em sua música. A Festa teve presença de Danilo Caymmi, como atração musical.
Fonte:
domingo, 19 de outubro de 2014
Caymmiando - Parte I
Minha trajetória como pesquisador da obra de Dorival Caymmi começou oficialmente em 1998, quando era estudante ainda de graduação em Letras e pesquisava como bolsista de iniciação científica em projeto sobre o compositor. De lá pra cá, várias palestras foram dadas em eventos academicos e artísticos e outros textos publicados em livros, jornais e revistas.
Neste ano em que se comemoram os 100 anos de seu nascimento, os convites para palestras e entrevistas aumentaram. Fico muito honrado de falar de Caymmi para diferentes públicos, em diferentes ambientes, dentro e fora da Bahia.
Neste post, a primeira parte de algumas passagens desta caminhada, que eu chamo de "militância caymmiana": boa música para um bom debate sobre a baianidade.
PERSPECTIVAS EM MOVIMENTO: A REINVENÇÃO DA DIFERENÇA
Palestra "Caymmi e a poética dos sentidos" para o projeto Perspectivas em Movimento, coordenado por Ninfa Cunha. A proposta de comemorar o centenário do compositor a partir das oficinas de dança e teatro realizadas pelo grupo com pessoas de diferentes deficiências foi uma experiência nova em minha carreira, devido ao desafio de usar uma linguagem verbal cujos elementos sonoros e visuais facilitassem a compreensão da própria leitura de vários sentidos que a música de Caymmi possibilita. O resultado posterior, a partir de minha palestra, foi surpreendente e emocionante.
Fonte:
AUDIÊNCIA PÚBLICA NA COMISSÃO DE CULTURA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
À convite da Deputada Federal Alice Portugal (PCdoB-Ba), presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, estive em Brasília, ao lado de Danilo Caymmi, João Jorge Amado e Ricardo Cravo Albin, para uma sessão especial para debater a importância de Dorival Caymmi para a música brasileira. Em um ambiente formal, mas não menos descontraído, muito propiciado pelos próprios parlamantares presentes ao evento, como Stepan Nercessian(PPS-RJ) e Penna (PV-SP), este o proponente da audiência, falei sobre a minha experiência como pesquisador da obra de Caymmi e a ideia de baianidade em sua canção.
Fonte:
PROGRAMA "VER TV" - TV BRASIL
O programa Ver Tv, apresentado pelo prof. Lalo Leal (USP), na Tv Brasil, homenageou Dorival Caymmi e fez uma edição especial sobre a presença dele na televisão. Primeiramente a produção enviou uma equipe da TVE me entrevistar em Salvador, mas depois, por decisão da direção do programa, me convidaram para participar do programa inteiro gravado no Rio de Janeiro, onde estiveram presentes Stella Caymmi e Carlos Alberto Sion. A pauta toda foi a performance de Dorival Caymmi, já consagrado no rádio, em um outro meio de entretenimento, a televisão, que passou a colaborar com a indústria fonográfica na divulgação de seus produtos. Caymmi participou de trilhas sonoras de telenovelas e minisséries, além de diversos especiais de música. Posteriormente a este episódio, a produção o condensou e juntamente com outro sobre Vinicius de Moraes, apresentou um programa especial sobre música popular brasileira.
Fonte:
Assinar:
Postagens (Atom)

















































